8 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 8

EFEMÉRIDES – Dia 8 de Janeiro

Wilkie Collins (1824-1889) — nasce em Londres aquele que é considerado o autor do primeiro romance detectivesco inglês com The Moonstone (1868), depois de escrever o popular The Woman in White (1860), que sendo de um trama complicado, é de carácter sentimental. The Moonstone, publicado inicialmente em folhetim, constitui uma genuína e bem estruturada narrativa policiária que conserva, ainda hoje, uma frescura de modernidade digna de especial referência. O recurso narrativo através de cartas e de declarações de diversos personagens proporciona um estilo mais vivo e directo que acaba por captar a atenção. Robert Ashley, na biografia sobre Wilkie Collins, defende que o escritor pode também ser considerado como da primeira vez que intervém um oficial de polícia em A Terribly Strange Bed (1852), a primeira história de detectives com A Stolen Letter (1854), a primeira história de uma mulher detective em The Diary of Anne Rodway (1856), a primeira história detectivesca de humor com The Bitter Bit (1858) e o primeiro cão detective com My Lady’s Money (1877). W. Collins, no campo da ficção policiária/detectives escreve ainda The Dead Secret (1857) e The Evil Genius (1886).
O detective criado por Collins, o Sargento Cuff da Scotland Yard, é um homem alto, delgado de rosto afilado; pele amarelada e seca, olhos azul-claros de aço, dedos compridos como garras; vestido de negro e gravata branca, um modo de andar suave e voz melancólica. Podia passar por padre ou por empresário funerário… também podia passar por qualquer espécie de pessoa. A aparência cinzenta de polícia oficial, que no séc. XIX era sinónimo de inaptidão, esconde um cérebro privilegiado capaz de transformar em êxito o trabalho iminentemente intelectual da sua profissão: o descoberta de delinquentes. Assim no caso que enfrenta, sem grandes aparatos e sem esforço aparente, logra ultrapassar com sucesso o enigma da pedra da lua.
Em Portugal, a reimpressão mais recente de Pedra da Lua (2009) é da Colecção Crimes Imperfeitos da
Editora Relógio D’Água.






Denis Heatley(1897-1977) — nasce em Londres. Editor e escritor escreve mais de seis dezenas de livros, publicados ao longo de quase 40 anos: policiários de detecção, aventuras, oculto, espionagem e fantasia. Criou Duke de Richleau, que iniciou a série com The Forbidden Territory (1933), mais tarde adaptado ao cinema. Outros personagens: Gregory Sallust, surge em Black August (1934), Julian Day em The Quest of Julian Day (1939), Roger Brook em The Launching of Roger Brook (1947) e ainda Molly Fountain com To the Devil – a Daughter (1953), adaptado ao cinema em 1976.


UM TEMA — O DETECTIVE: FICÇÃO E REALIDADE
Pesquisas minuciosas e longas levam à conclusão que o aparecimento da palavra detective, com o significado actual, se deve a Charles Dickens, data de 1852 e surge no romance Beak House.
Sou o Bucket dos detectives. Sou um agente detective, assim se anuncia o personagem. Porém, seria necessário o decurso de mais de cinquenta anos para que os londrinos aceitassem e começassem a confiar nos detectives à paisana. Eram encarados com a maior suspeita pela maioria dos ingleses. Os célebres bobbies, os agentes fardados da Scotland Yard, outrora suspeitos de se colocarem acima da lei e de serem inimigos naturais do homem comum passaram a ganhar dos londrinos. Mas os detectives sem farda, confundidos com o povo da rua, eram alvo de suspeitas e preconceitos, possivelmente razoáveis, por parte de todos, desde pedintes a banqueiros.
Dickens faz do Inspector Bucket um personagem simpático, porque conhecia os verdadeiros detectives da Yard, homens dedicados e decentes, tentando fazer o melhor para tornar a investigação criminal uma ciência. No entanto na mente dos concidadãos de Dickens todos os detectives eram enquadrados em duas categorias: corruptos e incompetentes, ou espiões e agentes da opressão política. Não é de admirar que Conan Doyle em 1880, através de Sherlock Holmes, retrate os detectives da Yard como amáveis, mas broncos.
Após o fracasso do caso de Jack o Estripador iniciou-se um período de real esforço para dotar a Yard, à semelhança da Sureté francesa, de condições que levassem a investigação judicial a resultados firmes.
O Departamento de Investigação Criminal (CID) da Scotland Yard levou o seu tempo a criar e o seu desenvolvimento tem sido contínuo e bem sucedido. As novas ciências forenses de localização e de identificação de criminosos, mau grado o aspecto negativo de muitos anos de opinião pública adversa e de desconfiança dos júris britânicos, acabam por compreender e aceitar as descobertas científicas como elemento de prova. O CID é presentemente uma das principais divisões da Polícia Inglesa.
M. Constantino

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