22 de junho de 2016

LIVROS - NOVIDADES



O Raparigas Esquecidas
Sara Blædel — Topseller (Clicar)
Tradução: João Reis
Título Original: De glemte piger (2011)
Junho 2016
Distinguido em 2015 com o Gyldne Laurbaer, um importante prémio literário  da Dinamarca, que é atribuído pelos livreiros desde 1949. 


Sinopse
Através de uma narrativa envolvente, vertiginosa e de forte impacto emocional, Sara Blædel não deixa o leitor descansar enquanto não chegar ao fim do livro.
Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher. 
Passaram-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das "raparigas esquecidas" de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes. 
Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta. 

Crítica
"Sara Blædelestá sem dúvida entre os melhores."
Camilla Läckberg

"Sara Blædel é incrivelmente talentosa em manter o leitor preso ao livro mesmo quando este preferiria desviar o olhar nas cenas mais gráficas. Recomendado para fãs de Camilla Läckberg."
Library Journal 

"Uma protagonista inteligente que luta contra os seus próprios medos e defeitos, numa história contada de forma muito hábil, ao estilo negro do thriller nórdico."
Booklist 

"Consegue descrever crimes terríveis de modo absolutamente genial e envolvente. Um realismo intransigente que revela o thriller no seu melhor."
The Washington Post

18 de junho de 2016

6º EPISÓDIO (FINAL) - O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO

 Um desfecho imprevisível


A situação parecia estar complicada. O marido a chegar a casa e encontrar na cama com a mulher um tropa.
 Costa só veio a saber que Sesinando era tropa depois da Milú ter contado a história toda de uma ponta à outra.
 Costa continuava com a mala na mão, a ouvir a história, contada pela Milú, enquanto o alferes Sesinando, encolhido, quase desaparecia por entre os lençóis.
 Costa, posou a mala, finalmente e afirmou:
 − Vamos lá resolver o caso. Se houve mergulho no lago tem que haver roupa molhada dos dois. Se isso se confirmar a história está verosímil e eu até posso ir ao Lago do Campo Grande confirmar o acidente. Não vejo nada de mal na história mas já agora gostaria de saber quem é o senhor que se meteu na minha cama. Isto é se não se importam e se não incomodo!
 O alferes apresentou-se:
− Apresenta-se o alferes Sesinando, 3ª companhia dos Comandos da Amadora. A história que a menina Milú acaba de contar é perfeitamente verdadeira e a minha relação com ela tem sido do maior respeito. Convidei-a para dar uma voltinha de barco na melhor das intenções. Desembarquei ontem do navio que me trouxe de volta ao puto. Amanhã entro na peluda. Isto é, fico livre da tropa.
Isto tudo tem a ver com o meu saudoso gosto por iscas com elas e recomendaram-me a casa de pasto O Retido do Quebra Bilhas, não sei se conhece…



Costa sentou-se na cama e retrocou:
− Não conheço eu outra coisa. Cheguei agorinha de Cabo Verde e estava a pensar ir lá comer um cozido. Hoje é dia. Meu caro amigo, fazem lá um cozido de estalo!

Fonte: Loja Cão Azul

Sesinando acrescentou: 
− Acontece que tenho a roupa toda molhada e só lá para a tarde é que fica seca…
− Ó MIlú vê lá se arranjas aí um fato meu, velho, que lhe sirva e mais o resto da roupa. Que número calça o meu alferes?
− 41. Biqueira larga.
− Óptimo, eu calço 42. Fica-lhe a crescer um pouco mas não caem dos pés! Vamos lá então todos almoçar que já estou cá com uma larica…

Dali ao retiro do Quebra Bilhas era um pulinho. Até servia para abrir o apetite.
E lá foram os três mais o canito almoçar ao Quebra Bilhas.

Fonte: Blogue Restos de Colecção



Campo Grande anos 60
Fonte: Pinterest



Campo Grande/Av. Brasil
(perto do extinto Quebra Bilhas)
Foto Onaírda






Sobre o Quebra Bilhas 2 (Clicar)

FIM

11 de junho de 2016

5º EPISÓDIO - O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO


Ainda no Lago do Campo Grande

O alferes Sesinando, a menina Milú e o canito Lanudo boiavam no Lago do Campo Grande com grande espalhafato. O barco voltara-se e os remos escaparam-se.
Os tripulantes dos outros barquinhos tentavam aproximar-se e salvar os náufragos.

Lago do Campo Grande. Fonte: Diário de Notícias


Milú gritava, o cão gania e o alferes tentava puxá-los para terra.
A queda na água não chegava para afogar ninguém, mas a roupa essa ficava completamente encharcada e a colar-se ao corpo. Um casal em terra sorria.
O encarregado dos barquinhos rapidamente foi buscar os três náufragos e levou-os para uma casinha ao lado da bilheteira onde lhes forneceu umas mantas.
O alferes Sesinando culpava-se e pedia desculpa pelo banho forçado mas nada podia modificar. O que estava feito, estava feito. Milú pediu ao encarregado para chamar um táxi e convidou o alferes para ir também.

Taxi Anos 60. Fonte: http://portalclassicos.com/

E lá foram os três embrulhados em finas mantas até à Av. De Roma.
 Chegados ao 1º andar, Milú indicou ao Alferes uma casa de banho. E desenvolta acrescentou: Depois do banho deite-se na cama enquanto eu vou arranjar no roupeiro uma roupa do meu marido que talvez lhe sirva, pelo menos enquanto a sua seca. Eu também vou na outra casa de banho. Esteja à vontade.
 O alferes até nem tinha alternativa. Estava encharcado até aos ossos e  os sapatinhos novos, de verniz, estavam uma desgraça. Pensou se o marido da Milú não teria também uns sapatinhos tamanho 41… já agora, se não incomodasse muito… pensou e sorriu!




Assim que se lavou e limpou correu para o quarto da Milú e meteu-se entre os lençóis, obviamente como viera ao mundo. Já estava quase a passar pelas brasas quando surgiu a Milú também sem roupa e correu metendo-se na cama ao lado do alferes.

Milú retirou um braço de dentro dos lençóis e apontou ao alferes:

Meu amigo, nada de intimidades. Somos só amigos. Ponto final.

O Alferes Sesinando sorriu e fechou os olhos. Que mais lhe haveria de acontecer?
Cinco longos minutos se passaram. Num silêncio profundo que pairava no ar alguém meteu a chave à porta.
Lanudo correu ladrando farejando algo.
O Sr. Costa surgiu no quarto, de mala de viagem na mão, chave na outra e um olhar basbaque. Abriu a boca estupefacto e balbuciou:

 Mas o que é que se está aqui a passar?

O cão veio abanar a cauda e ladrar ao dono, feliz.
O Sr. Costa é que não parecia muito agradado.  
                       
 (fim  do 5º episódio)

4 de junho de 2016

4º EPISÓDIO - O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO

Amores de Milú


Ainda não vos falei do passado da menina Milú. Sei do vosso interesse e por isso deixei os intérpretes a enxugarem-se no Lago do Campo Grande para vos pôr ao corrente da curta mas já exuberante vida da menina Milú.

Maria de Lurdes fez a escola no Maria Amália em Lisboa e aos 16 anos teve o primeiro desgosto de amor, dos muitos que vieram depois.


Liceu Maria Amália
Fonte: http://revelarlx.cm-lisboa.pt/


O seu namorado − veio a saber mais à frente −  utilizara-a como cortina de fumo pois fora apanhado no Parque Mayer com um colega aos beijos. Uma amiga viera piedosamente avisá-la.


Teatro Maria Vitória - Parque Mayer
Fonte: http://revelarlx.cm-lisboa.pt/


Depois foi um pegador de touros. Era um rabejador. Não dava a cara ao touro, pegava-o pelo rabo, o que evitava levar uma cornada. Salvador era um lindo moço. De cabelo louro escorrido e de risco ao meio. Ao longe na praça de touros parecia um pajem. Porém, o namoro durou pouco.
Salvador tornara-se aborrecido. Só gostava de a ter ao colo e quando ela acedia começava a imitar a corneta do inteligente como se fosse a hora da pega.
A primeira vez tivera piada, depois era uma maçada. Mandou-o rabejar para outro lado.   

Cartaz de Tourada
Fonte: Correio do Ribatejo


Milú tinha um dia prometido a Santa Engrácia de quem era devota, que levaria a virgindade até à noite do casamento. Como mandavam as regras da Santa Madre Igreja. Queria seguir a vida de Santa Engrácia a virgem mártir se fosse necessário. Milú ia à missa todos os domingos e até tinha feito a comunhão. Porém os anos foram passando e Milú já com 27 anos começava a ver que não lhe aparecia namorado de jeito.


Igreja de Santa Engrácia
Fonte: http://revelarlx.cm-lisboa.pt/


Um dia em que estava no Café Londres a tomar uma bica foi-lhe apresentado o Sr. Costa, um abastado construtor civil, homem já entrado na idade e que, soube depois, tivera já em adulto papeira que influenciou o normal funcionamento dos órgãos reprodutores. 

Esta última parte da infertilidade estaria para provar e a sua amiga Manuela que o apresentou acabou dizendo não ter lá muita certeza se a doença provocara mesmo algum distúrbio ao Sr. Costa.
Veio a saber depois que ele tinha mulher e filhos em Tomar coisa que o próprio não desmentiu quando foram ao cinema Império ver um filme de amor.

Costa abriu o jogo. Queria ter em Lisboa um aconchego. Um ombro amigo, uma amiga que lhe tratasse bem e que soubesse dirigir um apartamento mobilado à maneira. Em troca nada pedia senão a sua boa disposição e alegria de viver. Nada mais.
Milú topou o jogo e embarcou no negócio. Com uma condição. Ela queria continuar virgem até à consumação do casamento. Costa fechou o negócio.

Ele tinha um apartamento na  Avenida de Roma mas raramente estava em Lisboa. Tinha muitos negócios em Cabo Verde e estava a construir um hotel na cidade da Praia.
Avenida de Roma



                                                                              (fim do 4º episódio)


1 de junho de 2016

LIVROS - NOVIDADES


LANÇAMENTO PREVISTO PARA 21 DE JUNHO





O Domador de Leões
Camilla Läckberg — Editora Dom Quixote
Junho 2016

Título  Original  Lejontämjaren (2014)


Sinopse

É Janeiro e um manto de neve cobre Fjällbacka. Uma adolescente seminua sai do gélido bosque a cambalear, e atravessa a estrada. O carro aparece do nada e o condutor não consegue travar a tempo de evitar a tragédia.
Quando Patrik Hedström e a sua equipa são alertados para o acidente, já o corpo da rapariga tinha sido identificado. Era Victoria Hallberg, que desaparecera quatro meses antes, quando regressava a casa depois de uma aula na escola de equitação. A Polícia apercebe-se de que aquele terrível acidente foi o melhor que podia ter acontecido a Victoria. O seu corpo evidencia sinais de ter sofrido atrocidades inimagináveis e tudo leva a crer que não será a única vítima. Enquanto isso, Erica Falk investiga o trágico passado de uma família ligada ao circo, o que a leva por diversas vezes a um estabelecimento prisional para visitar Laila, uma mulher acusada de ter matado o marido. Mas não consegue desvendar o que realmente se passou naquele longínquo dia fatídico. O que estará Laila a esconder? Para onde foram os dois filhos depois da tragédia? Erica desconfia de que há em toda aquela história algo que não se encaixa. E que o passado estende os seus longos braços para vir ensombrar o presente.


Outros livros da autora:

1 – A Princesa de Gelo (2010)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote. Título Original: Isprinsessan (2002).

2 – Gritos do Passado (2010)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote. Título Original: Predikanten (2004).

3 – Teia de Cinzas (2011)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote.  Título Original: Stenhuggarenn (2005).

4 – Ave de Mau Agoiro (2011)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote. Título Original: Olycksfageln (2006).

5 – Diários Secretos (2012)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote. Título Original: Tyskungen (2007).


6 - A Sombra da Sereia (2013)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote. Título Original: Sjöjungfrun (2008).

7 - A Ilha dos Espíritos (2014)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote. Título Original: Fyrvaktaren (2009).

8 - O Olhar dos Inocentes (2015)
Colecção Literatura Policial, Editora Dom Quixote. Título Original:  Änglamakerskan (2011).


Camilla Läckberg nas Efemérides Policiario de Bolso (Clicar)

28 de maio de 2016

3º EPISÓDIO - O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO

Fado do Cacilheiro


Um banco de jardim pode ser o começo de uma bela relação. O Alferes Sesinando esparramado no banco de tiras de madeira olhava embevecido Milú e seu canito Lanudo.

Pelo canto do olho fazia-lhes o retrato. Media a cena e com voz melosa para boi dormir tentou uma aproximação já mais que vista, mas de resultados certos e garantidos.

− Desculpe o meu atrevimento mas a menina Milú por acaso não mora no Bairro de Alvalade? É que a sua cara não me é estranha…

− Não, enganou-se. Moro na Avenida de Roma, ali ao pé do Hospital dos Malucos, o Júlio de Matos. Conhece?
Hospital Júlio de Matos
 Fonte: Blogue Restos de Colecção 


− Mesmo agora passei por lá, vim a pé desde o Martim Moniz, para ver como Lisboa já mudou neste 3 anos que estive fora na guerra em Angola. É uma zona muito chique!

− Lá isso é verdade! Só mora ali gente boa e simpática. Eu vivo com um construtor civil, um homem já de uma certa idade e que anda sempre por fora. Agora está em Cabo Verde a construir um “resort” de luxo. Só cá vem de dois em dois meses. Eu tenho a companhia do Lanudo. Vivo muito só!

− Está como eu. Não se queixe. A vida é assim. Mas agora me lembrei…eu ainda não me apresentei. Sou o Alferes Sesinando. Cheguei ontem no navio Niassa. Ando a ver se localizo o Retiro do Quebra Bilhas. Disseram-me que fazem lá umas iscas como não há outro restaurante em Lisboa. A menina conhece?

− Se conheço o Quebra Bilhas? Conheço lá eu outra coisa! Até já lá cantei!...

Quebra Bilhas em 2016.  Foto de Onaírda


− Não me diga. Então está já convidada para lá irmos almoçar. Mas ainda é tão cedo, a menina já andou aqui no lago nos barquinhos? É aqui tão perto. Mesmo ao lado. Podíamos dar ali um passeio. Eu remava e a menina pegava no Lanudo   

− Nem pensar. Tenho um medo do mar e depois nem sei nadar…

− Lá por isso não seja obstáculo. Acontece que o lago tem água mas dá-lhe pelos joelhos, ninguém lá morreu afogada.

−Ah. Julgava que fosse mais fundo. Nunca lá fui. Barco para mim só o cacilheiro.
Lisboa – Cova do Vapor. Praia. Sol. Calor. Verão.

− Bem então vamos dar uma voltinha e eu canto-lhe o Fado do Cacilheiro enquanto remo. Era romântico não acha?

Milú pensou um pouco e depois cedeu. Estava danadinha para dar uma voltinha acompanhada do simpático Alferes. Depois, ele cheirava tão bem. Ou seriam as flores do jardim? Ali ao lado havia um roseiral.

O encarregado dos botes indicou um azul celeste e lá entrou o alferes que deu a mão à Milú que apertava assustada o Lanzudo contra o peito.

Com duas remadas fortes do alferes o bote seguiu o seu caminho e Milú sorriu encantada. Nunca fora no bote. Era a primeira vez! E estava a gostar.
Sesinando começou a trautear o velho fado do Cacilheiro. Um êxito revisteiro.

Video: Zé Cacilheiro (José Viana)

O céu estava azul e fazia calor. A primavera já ia longe e o mês de Junho começava a aquecer o ambiente.


Milú encantada deu folga à trela e o Lanzudo vendo o espelho de água enervou-se. Começou a rabiar e saltou para a água. Milú tentou apanhá-lo e desequilibrou o barco que perigosamente balançou. O Alferes Sesinando tentou agarrar a Milú e o barco balançou ainda mais bruscamente. Em dois segundos todos estavam a boiar no lago.
Era o fim da picada!


21 de maio de 2016

2º EPISÓDIO - O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO

Do Martim Moniz ao Campo Grande


Sesinando acordou com a boca a saber a papéis de música. Dormiu mal até às 3 da manhã.
Os quartos da pensão “Bons Sonhos” eram baratos – 15 escudos uma dormida, mas o quarto era minúsculo onde mal cabia o divã de molas e as paredes eram de tabique de madeira o que dava para se ouvir tudo o que se passava aos lados.
Estava convencido que a pensão mal dava tempo para sonhar pois as cabo-verdianas que faziam o Largo Martim Moniz entravam e saiam várias vezes e cabo-verdiano é assim, é expansivo na cama…
Sesinando não exigia mais pelos 15 paus. 
Lá pela madrugada adormeceu profundamente e agora já estava pronto para sair. Banho nem vê-lo. A pensão não tinha! Nem tampouco águas correntes  nem quentes nem frias. Era pegar ou largar. Pelo preço não se podia pedir mais. 
Divertiu-se fumar e a beber Sagres até às duas da manhã e a ouvir mornas e boleros tocados pelo ceguinhos-músicos do Bar “Bolero”. Não foi em engates.
Ainda era cedo. Havia muito tempo para a esbórnia. 
Vestiu-se e petiscou um copinho de leite na leitaria da esquina e seguiu o seu objetivo ir ver o lago dos barcos do Campo Grande e espreitar  e eventualmente almoçar no retiro do “Quebra Bilhas”.
Alguém lhe falara da casa. Com mesas de correr e um caramanchão a sombrear e refrescar o ambiente. Comida caseira e bom vinho da pipa.
Estava danadinho para comer umas iscas com elas, um prato do seu agrado e que não o via há mais de dois anos!
E lá foi o nosso alferes Sesinando a pé  agora já à civil, pela Almirante Reis acima até ao Areeiro e depois Avenida de Roma até ao Campo Grande.

Almirante Reis
Fonte: Urban Sketchers
A cidade mudara muito e a parte nova era de arquitetura moderna. O arranha-céus do Areeiro, com a sua dúzia de andares era o edifício mais alto da cidade. Matarruano que visitasse Lisboa tinha que ir espreitar o edifício e também ao Jardim Zoológico ver os animais exóticos.

Chegou ao Jardim do Campo Grande e foi ver o lago onde os pequenos botes a remos eram o prazer máximo dos namorados.


Campo Grande
Fonte: 
Urban Sketchers
Ali ficou sentado num banco de jardim a fumar e a gozar da boa vida quando de repente e sem dar por isso um cãozinho veio ladrar às suas botas. Era uma amostra de cão. Mal se via o focinho cheio de pelos bem como o corpo. Parecia um novelo de lá a ladrar-lhe aos pés. 
Afogueada atrás do canito vinha a dona. Chamando-o pelo nome e ele sem obedecer, pois embirrara com as botas do nosso alferes.
Sesinando, num golpe de rins, agarrou na trela solta e puxou-o. De seguida a dona a deitar os bofes fora chegou ao alferes e agradeceu.
− Ai, muito obrigado. Este malandro de repente foge-me e atravessa a rua. É um perigo. Não sei como lhe hei de lhe agradecer.
− Ora − disse Sesinando − não me custou nada apanhar o bichinho. Pode-me agradecer dizendo-me o seu nome?
− Milú. E o cãozinho chama-se Lanudo.
Sesinando pediu-lhe para ela descansar um bocadinho, ali no banco do jardim havia lugar para todos e sobrava espaço.
Estava-se a preparar um começo de uma bela amizade. Quase ia apostar.


(fim do 2º episódio)