3 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 3

EFEMÉRIDES – Dia 3 de Janeiro
1934 — Data da fundação da associação americana dos amigos de Sherlock Holmes (S.H.), a The Baker Street Irregulars, uma organização fundada por Christopher Morley. É uma sociedade restrita em que os membros, com provas dadas sobre o conhecimento de S.H., são admitidos apenas por convite. Dedica-se a estudos, conferências e à divulgação de S.H., também publicando livros e uma revista The Baker Street Journal. Anualmente reúne num jantar, excepcionalmente aberto a Sherlockianos de todo o mundo, que celebram o aniversário de S.H..
É a sociedade literária mais antiga dedicada a Sherlock Holmes.



Rufus King (1893-1966) — nasce em Nova Iorque o escritor americano criador do detective mais rico do mundo, Reginald De Puyster e de Lieutenant Valcour. Do primeiro romance, Mystery de Luxe (ou Murder de Luxe), em 1927, a The Faces of Danger (1964) publica 3 dezenas de narrativas, entre as quais Murder by Latitude (1931), um famoso caso de crime impossível em quarto fechado.
Existem várias adaptações ao cinema de livros e de contos deste autor. Em Portugal, a Costa do Castelo Filmes disponibiliza em DVD O Segredo da Porta Fechada, filme realizado e produzido por Fritz Lang, em 1948, baseado na obra de Rufus King Secret Beyond the Door.
Em português, um verdadeiro manancial de contos apresenta uma diversidade de interessantes personagens: Stuff Driscold, um criminologista de um gabinete de xerife, Ben Coll, Elye, uma mexeriqueira e o famoso Dr Collin.
A notável versatilidade de King é evidenciada por este personagem que aparece apenas nos contos curtos. O jovem Colin Starr herda o consultório do pai numa pequena cidade imaginária, Laurel Falls – Ohio. A sua simpatia, aliada a sólidos conhecimentos médicos e a uma capacidade de raciocínio dedutivo aguçada, tornam-no num médico bem sucedido e num notável detective/investigador a quem as mortes naturais não passam despercebidas.




UM TEMA — PORTUGAL E O CRIME
Conhecido e divulgado como país de brandos costumes, vai-se ultrapassando o fosso entre a imagem e a realidade… basta a leitura diária dos jornais, ainda que estes vivam de anormalidades.
No 1º quarto do passado séc. XX, segundo os estudos (1931) de Mendes Correia, eram as pequenas disputas pessoais, os ressentimentos e a embriaguez que degeneravam em agressões e crime. Arraiais, romarias e feiras eram o palco preferencial para lavar as afrontas reais ou presumíveis. Todavia, ao lado dos crimes desta natureza, praticava-se a delinquência fortuita num impulso de vingança, ciúme, avidez e mais raramente por causas políticas, pura malvadez ou instigação de outrem. Tradicionalmente eram caceteiros, jogadores de pau — crimes fruto da impulsividade portuguesa — que preocupavam (?) as autoridades.
De qualquer modo, para aquele período, as estatísticas registam 180 homicídios — o mais censurável para a mentalidade nacional, porquanto representavam uma extinção de vida. Para igual período, que representa o remanescente da 1ª metade do século (1926-50), o registo é de 132 homicídios dentro da mesma realidade. Confirmado por Silva Maldonado, no 3º período (25 anos seguintes), por influência da distribuição de águas de rega, limites de propriedade, que se juntam às causas já referidas, o crime aumentou consideravelmente e os seus instrumentos também: enxada, foice, forquilha e outros utensílios agrícolas emparelham com o varapau.
No último período do século a situação agravou-se com a transformação dos valores tradicionais. O modo de exercer e representar a violência modificou-se, a criminalidade deixa de ser um facto ocasional e impulsivo e passa a ser programado. Não deixa de ser pessoal, mas surgem os gangues de bairro e grupos organizados nacionais e estrangeiros. A arma de fogo marca presença, ameaça, fere e mata… vive-se um clima de insegurança.
Sem analisar de modo exclusivo este surto de violência, os factos parecem demonstrar que há um virtual desregramento na intervenção da segurança/justiça.

M. Constantino

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