5 de maio de 2012

CALEIDOSCÓPIO 126

EFEMÉRIDES – Dia 5 de Maio
Charles Exbrayat (1906 – 1989)
Charles Exbrayat-Durivaux nasce em Planfoy, Loire, Rhône-Alpes, França. Jornalista a partir de 1945, argumentista para cinema publica o primeiro policiário em 1957, Elle Avait Trop De Mémoire, segue-se Vous Souvenez-Vous de Paco?, que é premiado com o Grand Prix Du Roman d'Aventures em 1958. Escreve 109 romances policiários no formato livro de bolso, a maioria enquadrada no romance policiário humorístico, obtendo grande sucesso. Charles Exbrayat que escreve em colaboração com Jacques Dubessy sob o pseudónimo comum Michael Loggan, tem várias obras adaptadas à televisão e ao cinema. Existe, desde 1197 um prémio com o nome do escritor. Em Portugal estão editados:
1 – Lembra-se do Paco? (1970) Nº24 Colecção Policial Esfinge Editorial Notícias. Título Original: Vous Souvenez-Vous de Paco? (1958)
2 – Touros de Morte (1971) Nº27 Colecção Policial Esfinge Editorial Notícias. Título Original: Olé!... Torero! (1963)
3 – Dorme Em Paz, Catarina (1971) Nº28 Colecção Policial Esfinge, Editorial Notícias. Título Original: Dors Tranquile Katherine (1962)
4 – O Crime de Ludovic (1984) Nº12 Colecção Álibi, Edições 70. Título Original: Cet Imbécil De Ludovic (1960)

Miles Tripp (1923 - 2000)
Miles Barton Trip nasce em Ganwick Corner, Barnet, Hertfordshire, Inglaterra. O escritor durante a 2ªguerra mundial pertence à RAF e publica uma autobiografia, The Eighth Passenger, onde descreve com detalhe as operações. Mas foi na literatura policiária que Miles Tripp se distingue. Publica o primeiro romance em 1952, Faith Is A Windsock. Escreve 20 livros na série John Samson e publica ainda mais 3 romances policiários e uma peça para televisão. O autor escreve3 livros sob o pseudónimo Michael Brett ou John Michael Brett onde o herói é Hugo Baron um agente que trabalha para uma organização britânica chamada Diecast. Estão publicados nesta série: Diecast (1964), A Plague Of Dragons (1965) e A Cargo Of Spent Evil (1966).
Miles Tripp por causa do pseudónimo que usa, é muitas vezes confundido com o escritor policiário norte-americano Michael Brett que nasceu em 1928 e assina os seus livros também como Mike Brett. O escritor norte-americano é o criador do detective privado Sam Dekkers e tem o livro The Flight of the Stiff (1967) editado em 1968 em Portugal com o título O Telefone Tocou às 3.30 o Nº113 da Colecção Enigma da Editora Dêagá.



TEMA — ENIGMÍSTICA POLICIÁRIA — ENIGMA ESPÉCIE – TIPO OBSERVAÇÃO
Joel Lima, advogado, escritor especialista em Sherlock Holmes e investigador da obra de Reinaldo Ferreira (Repórter X), descobriu aquilo que se pode considerar dos primeiros problemas policiários portugueses designados por Contos Misteriosos — pequenos contos policiários publicados sem solução, para o leitor solucionar — da autoria do Repórter X, o primeiro dos quais datado de 1 de Fevereiro de 1927. Refiro que são problemas ou enigmas, designação que ao tempo não existia, pois constavam de um concurso de contos misteriosos, com respostas a prémios em número de 50, tendo-se publicado 51 — aguardamos ansiosamente a edição, presentemente nas mãos hábeis de Inspector Aranha.
Também Jartur Mamede, entusiasta e prestigioso pesquisador em matéria do policiário, desvendou a existência de um outro concurso, desta vez intitulado Problemas Policiais – O Leitor é Sherlock Holmes? Nas páginas do Diário Ilustrado suplemento semanal do Diário de Notícias, composto por 10 problemas com início em Agosto de 1929 com direito a prémio assinados por um desconhecido L. Figueiredo.
Assim registamos com respeito e pleno aplauso o esforço de dois confrades amigos para formação de uma história da problemística policiária em Portugal já que o nosso conhecimento da matéria exposta se reporta aos anos 40 (do século XX, quem diria?) aos conhecidos foto-crime de raiz norte-americana nas páginas da Vida Mundial Ilustrada (1945) apresentados por Repórter Mistério (o jornalista e escritor Gentil Marques) e que originou os problemas policiais portugueses criados por ele e por outros autores. É o princípio do movimento problemístico que ainda hoje prevalece.

Referenciámos observação no título, porquanto, está na realidade, no exame do conteúdo de uma ou conjunto de fotografias, a solução do mistério que nos é posto. As variantes reportam-se à observação, igualmente, de desenhos (género história aos quadradinhos), foto-montagens ou transcrição de documentos e outras peças de um processo jurídico incluídos no texto.
Como se sabe, é condição essencial da observação, a existência de alguma coisa material ou implícita que solicite a curiosidade, provoque a atenção, o conhecimento, para aceitar ou invalidar o observado.
Muito acertadamente refere Baldwin, ao conceituar observação, como o acto de experiência levado a cabo com voluntária a atenção, ordinariamente com algum esforço, para apreensão de um facto.
Em termos comuns, este predicado consiste em concentrar a atenção num fenómeno, num objecto, com o fim de perceber ou compreender com precisão.
Nesta última e vulgar definição se comporta a de Brinkmann, ao referi-la como percepção determinada com fins e objectivos, cuja forma mais elevada provoca, pela sua atitude consciente de observar, uma compreensão sensitiva do mundo das percepções.
Observar é obter, pois, representações ou ideias claras sobre um quadro geral a fim de extrair dele um conhecimento perfeito ou julgar o seu conteúdo.
A capacidade observadora, exige tempo, paciência, intuição, crítica do observado, distinção entre o essencial e o secundário.
As disposições para a observação, são inatas ou adquiridas, exigem, por vezes, educabilidade, aumento com o conhecimento, aprofundam-se com a investigação, multiplicam-se pela prática, firmam-se pela virtude.
Aplicável a razão psicológica que distinguem a observação extrospectiva ou objectiva e a introspectiva ou subjectiva.
Na primeira que atende a objectos, pode distinguir-se num problema em que a relação material da exposição está em contradição com os factos conhecidos e apresentados na segunda a ausência de matéria exposta contradiz os elementos notórios.


TEMA — ENIGMA PRÁTICO DE OBSERVAÇÃO — ALGUÉM! MAS QUEM?
De Tufão II (Viana do Castelo)
No seu gabinete de trabalho o inspector Ramos dava voltas ao caso, como o dava às fotos… Tantas hipóteses com facilidades aparentes desnorteavam-no. E, uma a uma, foi, de novo, passando-as… Lentamente… Observando tudo... Até que…
Guardou a que lhe interessava na carteira, arranjou o nó da gravata, passou a mão pelo fato como a tirar-lhe algo de poeira, pôs o chapéu, saiu do seu gabinete de trabalho e fechou a porta.
Dez minutos depois o inspector Ramos tinha à sua frente os dois suspeitos.
— Vou tornar a interrogá-los — disse, desnecessariamente...
O primeiro a ser interrogado foi Joaquim Lopes, primo da vítima, Laura Lopes, que declarou:
— A minha prima tinha-me convidado a visitá-la, assim como ao marido e, ontem, decidi fazê-lo. Fui lá por volta das três da tarde e bati ao portãozinho quintal-jardim repetidas vezes, sem obter resposta. Calculando que não estivesse ninguém em casa, fui-me embora. E nada mais se passou, senhor inspector.
E foi a vez do outro suspeito, Jorge de Matos, marido da vítima, que ao inspector disse o seguinte:
— Ontem, aí pelas duas horas da tarde, eu e a minha mulher saímos para dar um curto passeio, o que sempre fazemos depois do almoço. Pouco tempo depois regressámos e ao entrarmos no nosso quintal-jardim, minha mulher, que já vinha um tanto abespinhada, começou a andar para trás e para diante, a resmungar e a ralhar-me por causa de uns novos bolbos de begónias para o jardim e dos quais eu não estou muito certo de se darem bem por ali. Aborrecido com o disparate, ali a deixei e fui para casa. E foi da janela da sala que vi um tipo qualquer aproximar-se sorrateiramente da minha mulher, que estava de costas para o portãozito. De repente, um punhal brilhou no ar, ao mesmo tempo que eu soltava um grito de alarme. Escusado por atrasado, O crime tinha sido consumado. O homem vendo que alguém tinha presenciado a sua violência criminosa, para a qual eu não encontro justificação, fugiu a sete pés, deixando bem marcadas no terreno as pegadas que o senhor inspector fotografou hoje de manhã. E praticamente foi tudo isto, senhor inspector. O resto, fui eu correr e verificar que nada mais podia fazer. Chamei o médico para confirmar a morte e telefonei-lhe, senhor inspector.
— E por que reparou no pormenor das pegadas? — perguntou o inspector Ramos.
— Porque o solo do meu quintal é muito duro (quintal ou jardim, como lhe queiram chamar) e só quando uma pessoa carrega muito os pés, é que nele ficam marcadas as pegadas. Ora, o homem ao fugir a toda a pressa, carregou forte com os pés no terreno e deixou as ditas pegadas.
— Pronto! Creio que não é preciso mais nada. Mas, no entanto, veja esta fotografia do desenho que fizemos. Que me diz?
— É isso mesmo, senhor inspector; apenas não se vê a minha casa, situada para a frente do local assinalado por B, e de uma janela da qual eu vi tudo aquilo que contei. A é o pequeno e estreito passeio da rua; depois o portãozinho, que não está assinalado, entre os dois baixos muros e o quintal-jardim.
O inspector guardou a fotografia e comentou baixo, com os seus botões: — Bem podia ter arranjado uma melhor história…

Pergunta-se: A quem se referia o inspector? Observe e responda.

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