15 de outubro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 289

Efemérides 15 de Outubro
Elizabeth Daly (1878 - 1967)
Nasce em Nova Iorque. Interessada em enigmas e em ficção policiária faz algumas tentativas de escrita nos anos 30, mas só aos 62 anos de idade alcança o sucesso com a publicação do seu primeiro livro Unexpected Night (1940), com que inicia a série
Henry Gamage, um gentleman nova-iorquino rico que investiga mistérios relacionados com com livros antigos e manuscritos. Entre 1940 e 1951 a autora escreve um total de 16 livros desta série e ainda o romance The Street Has Changed. Em 1960 recebe um Edgar Award dos Mystery Writers of America pelo conjunto da sua obra. Elizabeth Daly é apontada como a escritora de crime norte-americana preferida de Agatha Christie.


Arthur B. Reeve (1880 - 1936).
Arthur Benjamin Reeve nasce em Town of Brookhaven, New York, EUA. Editor, argumentista e autor policiário; durante a 1ª guerra mundial colabora na fundação do Laboratório de Detecção anti-espionagem para o governo federal antes do FBI ter sido criado. Na literatura policiária é conhecido pelo seu personagem principal, o Professor Craig Kennedy, também conhecido como o Sherlock Holmes americano, protagonista 18 romances e de mais de 80 contos, publicados em revistas, entre 1910 e 1918 e posteriormente reunidos em livro. Arthur B. Reeve escreve ainda 16 argumentos de mistério / detective e várias colectâneas de contos.

S. S. Van Dine (1888 - 1939).
Willard Huntington Wright nasce em Charlottesville, Virginia, EUA. Usa o pseudónimo literário S. S. Van Dine. Crítico literário e de arte em jornais e revistas, na sequência de uma doença em 1923, que o obriga a um período longo de imobilidade, dedica-se primeiro à leitura de policiários e posteriormente à escrita. O primeiro romance, The Benson Murder Case, é publicado em 1926 e torna-se de imediato um escritor extraordinariamente popular, tendo publicado 12 livros da série Philo Vance e uma dezena de short stories. Ver TEMA. Em Portugal estão editados vários livros do autor, a maioria na Colecção Vampiro da Editora Livros do Brasil (Clicar).


Mario Puzo (1920 - 1999).
Mario Gianluigi Puzo nasce em Manhattan, New York, EUA. Argumentista e romancista italo-americano, torna-se conhecido pelos livros que publica sobre a Mafia. Começa por escrever short stories e o seu primeiro livro The Dark Arena é publicado em 1955 e seguem-se mais 3 romances — um deles publicado sob o pseudónimo Mario Cleri — até à publicação do seu maior êxito editorial, The Godfather (1969). Adaptado ao cinema, com argumento do próprio autor e direcção de Francis Ford Coppola o filme recebe 3 Oscares, um deles para Mario Puzo pela melhor adaptação a cinema; a este filme seguem-se mais 2. Mario Puzo escreve outros argumentos cinematográficos, contos e um total de 11 romances, o último dos quais terminado, após a sua morte, pela mulher Carol Gino. Em Portugal estão editados:
1 – O Padrinho (1972), Colecção Autores Universais, Bertrand Editora. Título Original: The Godfather (1969). Também editado pela Quetzal em 1998, pela Editora Leya em 2009 na Colecção Mário Puzo e neste mesmo ano em formato de bolso pela Editora 11x17. É o 1º livro da série Godfather.
2 – Os Loucos Morrem (1980), Colecção Autores Universais, Bertrand Editora. Título Original: Fools Die (1978).
3 – O Siciliano (1980), Colecção Biblioteca de Bolso, Editora Dom Quixote. Título Original: The Sicilian (1984). Também editado pela Círculo de Leitores. É o 2º livro da série Godfather.
4 – O Quarto Kennedy (1992), Nº14 Colecção Ficções & Ca, Editora Dom Quixote. Título Original: The Fourth K (1991). Também editado pela Círculo de Leitores.
5 – O Último Dos Padrinhos (1996), Editora Quetzal. Título Original: The Last Don (1996). Também editado pela Círculo de Leitores em 1997.
6 – Omertà (2000), Editora Quetzal. Título Original: Omertà (2000). Também editado pela Círculo de Leitores. É o 3º livro da série Godfather.
7 – A Família : Uma saga de ambição e sede de poder (2002), nº297 Colecção Ficção Universal, Editora Dom Quixote. Título Original: The Family (2001).
8 – Sis Campas Até Munique (1980), Colecção Grandes Romances, Bertrand Editora. Título Original: Six Graves To Munich (1967). Este livro foi escrito sob o pseudónimo Mario Cleri.

Evan Hunter (1926 – 2005)
Salvatore Albert Lombino nasce em Nova Iorque. Em 1952 altera oficialmente o seu nome para Evan Hunter. Autor excepcionalmente prolífero tem perto de meia centena de livros editados em Portugal, a maioria policiários sob o pseudónimo Ed McBain. Ver TEMA.


TEMA — ESTUDOS DE LITERATURA POLICIÁRIA — DOIS AUTORES
Por M. Constantino
Cinco nomes da literatura policiária têm aniversário natalício neste dia. Escolhemos dois para comentar, sem menosprezo para os restantes, que nos merecem igual apreço, uma vez dispensados os seus esforços para nos surpreender e agradar na difícil arte de escrita na temática.



PHILO VANCE PERSONAGEM DE S. S. VAN DINE
O protagonista principal dos romances de Van Dine, Philo Vance, que personifica o primeiro dos detectives americanos do clássico grupo dos “cinco grandes detectives da classe enigma”. Era um homem de imensa fortuna, herdada das tias, que habita dois andares de um prédio na rua 35, em Nova Iorque. De resto, indiscutivelmente belo, apesar de duro, boca ascética e cruel qual quadro de Médicis; sobrancelhas arqueadas num desdém irónico, olhos azuis e frios, nariz recto e delgado. Quase seis pés de altura, amava o ar livre e sem necessidade de treinos praticava esgrima, jogava golfe e pólo, sendo avesso a grandes caminhadas, nas quais se empenhava só por ser de bom gosto. Elegante e sóbrio no vestir, assistia aos concertos, ópera e exposições de arte, de que era super entendido, jogava xadrez com desenvoltura, bridge, poker, etc. Era um aristocrata por nascimento ou por instinto, manifestando desprezo pela inferioridade. O seu snobismo era intelectual e social, detestava a estupidez e a vulgaridade. Claro, com estas expressivas características não poderia ser muito popular, em contrapartida era uma verdadeira enciclopédia de conhecimentos. Estudou direito em Havard e passou cinco anos na Europa, alternando as suas frequências em Oxford (cuja pronúncia adoptou afectadamente) com profundos estudos de psicologia técnica e experimental, história de religiões, clássicos, biologia, economia, política, filosofia, antropologia, idiomas antigos e modernos.
Pois este homem artificioso e antipático, pedante mete-se na pele de um detective amador, para resolver em colaboração com o comissário da Brigada Criminal, muitos casos criminais que o seu amigo e Promotor de Justiça do Estado de Nova Iorque, John F. X. - Markham lhe apresenta. E a verdade é que o transbordante cinismo e ironia de Philo Vance não são obstáculo para que ponha em jogo os seus notáveis dotes psicológicos e dedutivos e obter êxito onde os outros não conseguem.


EVAN HUNTER
Evan Hunter

É o autor de “Sementes de Violência”. Isto diz tudo, para quem leu o livro, para quem não leu apoie-se na última palavra do título: ele conhece a violência, viveu a violência e escreve a violência totalmente integrado no ambiente de autenticidade dos bairros pobres norte-americanos. Nesta vertente tem desenvolvido um considerável prestígio recheado de bestsellers com projecção no cinema e televisão.
Utilizando vários pseudínimos , o de Richard Marsten para a ficção científica, John Abbott, Curt Cannon, Hunt Collins, Ezra Hannon, mas o que lhe trouxe maior fama foi Ed McBain e a respeitada e larga série 87th Precinct, onde se movimentam profissionais humanos como Steve Carella e a sua esposa surda muda Theodora, série esta enquadrada no sub género policiário designado por Police Procedural.

Mas o que é o Police Procedural?
Narrativa policiária ligada ao protagonismo de personagens enquadrados nas forças policiais e em especial referenciam os seus procedimentos.

A primeira época da novela negra apoiou-se nos abundantes sectores fortemente corruptos da polícia, não sendo um modelo favorável, pelo menos nos Estados Unidos, ao processo narrativo de uma possível e saudável polícia, não só do ponto de vista da prática, igualmente da imparcialidade e da justiça. Com a 2ª guerra mundial, a evolução prática, psicológica e técnica ministrada à nova camada de agentes da Lei e a verdadeira revolução das mentalidades, as forças policiais começaram a ser respeitadas, porventura admiradas. Estavam, assim implantados os alicerces para o Police Procedural, baptizado desta forma pelos seus cultores, que se apoderaram, com a ficção, do realismo da polícia, individual e colectivamente, do solitário agente ao técnico laboratorial.

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