11 de outubro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 285

Efemérides 11 de Outubro
Elmore Leonard (1929 - 2013)
Elmore John Leonard Junior nasce em New Orleans, Louisiana, EUA. Escritor e argumentista, inicia-se na escrita com romances de aventura — western, mas são os policiários que lhe concedem o merecido reconhecimento da crítica e dos leitores. Autor de perto de 50 romances, marcados por realismo e diálogos fortes tem mais de 3 dezenas de obras — entre contos curtos e romances — adaptadas à televisão e cinema, com destaque para e Jackie Brown de 1997, baseado no romance Rum Punch (1992), dirigido por Quentin Tarantino e Out Of Shight de 1998, — Romance Perigoso em Portugal — dirigido por Steven Soderbergh. Classificado pela crítica como “o melhor autor de thrillers dos EUA” ou como “o maior escritor policial do nosso tempo”, recebe em 1992 o título de Grand Master, atribuído pelos Mystery Writers of America e tem vários romances nomeados/premiados com o Edgar Award Edgar. Em Portugal estão editados:
1 – Hombre, Um Homem (1967), Colecção W, Editorial Panorama. Título Original: Hombre (1961).
2 – Bandidos (1989), Nº16 Colecção Crime Perfeito, Publicações Europa-América. Título Original: Bandits (1986).
3 – La Brava (1989), Nº35 Colecção Novos Continentes, Editorial Presença. Título Original: La Brava (1983). Premiado com o Edgar Award para Best Novel em 1985.
4 – Justiça De Crocodilo (1992), Nº11 Colecção Bolso Negro, Editora Puma. Título Original: Maximum Bob (1991).
5 – Um Bom Argumento (1992), Colecção Casos, Difusão Cultural. Título Original: Get Shorty (1990). É o 1º livro da série Chili Palmer.
6 – Cuba Libre (1999), Colecção Serpente Emplumada, Editora Quetzal. Título Original: Cuba Libre (1998). (Clicar)
7 – Crianças Pagãs (2003), Colecção Outras Estórias, Editora Teorema. Título Original: Pagan Babies (2000). (Clicar)
8 – Hot Kid (2007), Colecção Outras Estórias, Editora Teorema. Título Original: Hot Kid (2005). É o 1º livro da série Carl Webster. (Clicar)
9 – Unha Com Carne (2010), Colecção Outras Estórias, Editora Teorema. Título Original: Road Dogs (2009). (Clicar)
10 – Na Casa De Honey (2011), Colecção Policial, Editora Teorema. Título Original: Up In Honey’s Room (2007). É o 2º livro da série Carl Webster. (Clicar)




TEMA — FICÇAO CIENTÍFICA — BIBLIOTECA ESSENCIAL DE FICÇÃO CIENTÍFICA E FANTASIA (47-50)

Volume 47 — Tumannost’ Andromedy (1957) de Iván Efrémov


Iván Antonovitch Efrémov (1908-1972) é um escritor russo, engenheiro geólogo e cientista especializado em paleontologia, investigador da Academia de Ciências da URSS, que se tornou conhecido pela sua dedicação à Ficção Científica, tendo neste campo sido laureado com o Prémio do Estado da URSS.

Tumannost’ Andromedy é a obra mais conhecida. Narra a conquista do espaço por uma Humanidade livre das suas contradições interiores e voltada por completo para o futuro. A novela é, de facto, uma excursão ao futuro apoiada na evolução do espírito humano criador, que pode trazer um inaudito florescimento da ciência e da técnica na Era do Grande Circuito da Vida do Universo.



Ficha Técnica
A Nebulosa de Andrómeda
Autor: Iván Efrémov
Tradução: Franco de Sousa
Ano da Edição: 1977
Editora: Caminho
Colecção: Caminho de Bolso, Ficção Científica Nº25
Páginas: 251



Volume 48 — The Black Cloud (1957) de Fred Hoyle


Fred Hoyle (1915-2001) é um astrónomo inglês que dedicou muito do seu tempo à Ficção Científica. Como cientista que é, Hoyle dá preferência aos temas que exigem conhecimentos da sua especialidade não afastando a acção trepidante e emoções fortes onde releva uma filosófica preocupação pelo Homem.
Citam-se Ossian's Ride (1961), Of Men and Galaxies (1964), Element 79 (1967), The Inferno (1973) e Ice: The Ultimate Human Catastrophe (1981), destacando-se algumas obras escritas em colaboração com seu irmão Geoffrey.

The Black Cloud é um óptimo exemplo da ficção científica “hard S”, rigorosamente plausível do ponto de vista astronómico, não faltando alguns gráficos que explicam o texto. É igualmente um exemplo da temática catastrófica, detendo-se nos problemas da comunicação da humanidade com outras inteligências da galáxia.
Extremamente complexo, de temáticas várias para além das referidas, é uma obra certa da Biblioteca do aficionado.

Fonte: http://coleccaoargonauta.blogspot.pt/




Ficha Técnica
A Nuvem Negra
Autor: Fred Hoyle
Tradução: Artur Portela Filho
Ano da Edição: 1964
Editora: Livros do Brasil
Colecção: Argonauta Nº84
Páginas: 241



Volume 49 — The Big Time (1958) de Fritz Leiber
(é o 2º livro do escritor incluído na Biblioteca, para ver o primeiro volume e informações sobre o autor clicar AQUI
Dois exércitos inimigos irreconciliáveis, Os Aranhas e Os Serpentes, travam uma guerra sem quartel, uma guerra diferente de mudança do tempo, cada um deles tentando alterar a História de modo que o futuro os apresente como ganhadores. Os próprios mortos combatentes de todas as guerras da História, ressuscitam para ajudar na guerra a favor de cada uma das partes. Positivamente, não há possibilidades de ficar indiferente perante a habilidade e jogo psicológico da narração.

Fonte: http://coleccaoargonauta.blogspot.pt/





Ficha Técnica
O Tempo, o Espaço e o Cérebro
Autor: Fritz Lieber
Tradução: António Porto
Ano da Edição: 1992
Editora: Livros do Brasil
Colecção: Argonauta Nº415



Volume 50 —Flowers for Algernon (1959) de Daniel Keyes


Daniel Keyes (1927) norte-americano professor de inglês na Universidade de Ohio de 1966 a 1972, apenas ocasionalmente escritor de Ficção Científica, figura na galeria de autores do género com um bom lote de obras, dignas de leitura, das quais e entre todas há que salientar a escolhida.

Flowers for Algernon, originalmente um conto do mesmo nome que recebeu o Prémio Hugo em 1960, foi ampliado para novela e consagrada com o Nebula de 1966.
O trama descreve a ascensão intelectual de um diminuído mental, estimulado por drogas psíquicas. Assiste-se à espectacular transformação de um idiota, que em poucas semanas absorve conhecimentos que uma pessoa comum leva uma vida inteira a adquirir, num génio, à consciencialização de que tal estado não é permanente, por fim a inevitável regressão.
Novela perfeita em todos os sentidos, adaptada ao cinema e que valeu a Cliff Robertson o Oscar pela melhor interpretação masculina.




TEMA — CONTO POLICIÁRIO — SENTENÇA PÓSTUMA
De Dan Ross
O rapaz bronzeado, de olhos duros, moveu-se silenciosamente.
— Desculpe interrompê-lo, Juiz Swanson — disse num tom sinistro.
O homem forte e careca voltou-se para encarar o intruso. E olhou o revólver na sua mão com uma expressão de incredulidade.
— Que significa isso, Lee? — indagou.
Lee deu mais um passo com a arma apontada directamente para o coração do juiz.
— Significa que o senhor cometeu um erro muito grave quando pensou que podia livrar-se de mim. Vou casar com Júlia apesar do senhor e de todas as mentiras que contou a meu respeito.
O rosto do homem mais velho avermelhou-se.
— Não menti a seu respeito, Lee. Apenas tentei proteger minha sobrinha. Sei que você quase foi preso por fraude e está cheio de dívidas, sem nenhuma perspectiva futura. É claro que achou muito conveniente conquistar Júlia e pedi-la em casamento. Mas ela nunca se casara consigo, enquanto eu viver. Pode estar certo disso!
— Por isso é que o senhor vai morrer agora mesmo — replicou o rapaz vestido com um casaco desportivo castanho. — Tive o cuidado de escolher uma hora em que Júlia estivesse na cidade. E este lugar é bastante isolado. Além do mais, tomei o cuidado de usar um silenciador. Será tudo muito simples: assassinado por pessoa ou pessoas desconhecidas.
O velho juiz encarou-o.
— Vejo que planeou tudo, Lee. Houve uma pausa antes que o outro perguntasse:
— Algum último desejo, Juiz?
— Está mesmo decidido a fazer isso? — perguntou tranquilamente.
— Claro — respondeu Lee, com firmeza. — E não pretendo perder mais tempo.
O Juiz levantou a mão em protesto mas, depois, deixou-a cair e pediu:
— Conceda-me um momento. Apenas o tempo suficiente para dar uma última olhada no meu jardim antes de deixá-lo para sempre.
O seu olhar encontrou os sacos de sementes a seus pés e ele voltou-se de novo para Lee:
— Deixe-me espalhar pelo chão o último punhado de sementes…
— Ande depressa! — disse Lee, impaciente.
Uma expressão de escárnio contraiu as feições enquanto observava o velho juiz inclinar-se, apanhar as sementes com mão em concha e atirá-las no centro do jardim, trémulo de medo, uma expressão indefinida no rosto redondo. Claro que o juiz estava completamente à sua mercê.
Mas não havia piedade no gesto de Lee ao apertar o gatilho da arma. Não se ouviu o menor rumor quando o velho tombou de lado bruscamente sobre os sacos de sementes.
Lee nem mesmo verificou se tinha conseguido o que pretendia. Sabia que o juiz estava morto. Era um bom atirador e, àquela distância, não podia haver dúvida. Silenciosamente, como tinha chegado, foi-se embora.
Alguns meses depois procurou Júlia na sua casa na cidade. A jovem loura e atraente parecia apreensiva quando abriu a porta.
— Oh, Roger, ainda bem que veio cedo! — disse.
Ele inclinou-se e beijou-a. Com o braço ainda na sua cintura, conduziu-a à sala.
— Sabe que eu nem poderia sonhar em casar-me logo depois do Juiz…, depois da coisa terrível que lhe aconteceu…
Lee acariciou-lhe a mão e murmurou, compreensivo:
— Você é linda e muito sensível, Júlia. Acho que devo tentar compreender…
— Nem mesmo sei o que fazer com o chalé. A casa está abandonada, o jardim arruinado…
 Lee assentiu:
— É verdade, é esse jardim era o maior interesse do juiz.
Júlia concordou solenemente:
— Jamais poderei esquecer, Roger! Da maneira como o encontraram ali! Quem poderia ter feito uma coisa tão horrível?
— É difícil dizer. Acho que na profissão de juiz, o seu tio deve ter feito muitos inimigos.
— Num tribunal de interior? Certamente ninguém que o odiasse tanto a ponto de matá-lo. — Júlia balançou a cabeça.
Júlia suspirou:
— Mas não era sobre isso que eu pretendia discutir. Queria lhe pedir para ir lá comigo esta tarde e ver o estado da propriedade.
Lee sentiu um súbito constrangimento.
— Se quiser, querida, irei, mas não acho que seja bom para voltar àquele lugar.
— Não se preocupe — sorriu a moça. — Durante a viagem, podemos fazer planos para o casamento.
Quando chegaram ao escritório do advogado e procurador, num velho edifício de tijolos vermelhos na rua principal do vilarejo, encontraram um estranho comité de recepção. Era um homem alto, robusto, vestindo um fato cinzento, o ar polido de um velho polícia.
O homem levantou-se sorrindo:
— Sou o inspector Evans, da polícia estadual. E acho que foi uma boa decisão viajar até aqui, minha senhora… — voltou-se para Lee: — e sua também.
— Algum problema com o chalé? — perguntou Lee — Temos pressa em voltar à cidade.
O inspector confirmou, balançando a cabeça:
— É verdade. O senhor Robertson, o procurador, foi chamado há alguns minutos e pediu-me que os esperasse. Ele sugeriu que os levasse para dar uma olhada no local. — Isso é mesmo necessário, inspector? — perguntou Lee, em tom frio.
— Parece que ele acha isso importante— respondeu o inspector, em tom de desculpa. — Aquilo está a arruinar-se depressa. É uma pena, o juiz tinha tanto orgulho do seu jardim! O senhor conheceu o velho juiz, Sr. Lee?
— Encontramo-nos uma ou duas vezes — respondeu Lee, prevenido. — Acho que não lhe causei uma impressão muito boa.
Finalmente chegaram ao velho e pitoresco chalé de pedra com suas paredes cobertas de parreiras.
O inspector abriu a porta e conduziu-os à sala, que estava empoeirada, mostrando sinais de abandono.
Melhor que irmos até o jardim — disse, o Inspector, — é darmos uma olhada pela janela. A vista é maravilhosa da janela do segundo andar. Já esteve aqui antes, Sr. Lee?
— Não — respondeu secamente.
— Então precisa vê-lo — insistiu o inspector, conduzindo-os pela escada acima. — Naturalmente, o jardim não tem sido cuidado e não é a maravilha que foi quando o juiz estava vivo, mas ainda vai achá-lo interessante.
Júlia segurou o braço de Lee ao subir a escada seguindo atrás do inspector.
— Alguma coisa tem de ser feita. Não me agrada ver tudo isso abandonado como está — disse ela.
— O melhor a fazer será instruir seu procurador para vender a propriedade imediatamente — aconselhou Lee.
Sentia-se nervoso e preocupado. Era um assassino que não sofria o impulso de voltar ao local do crime. Nem sequer tinha interesse em apreciar a vista para o jardim da janela do segundo andar. Mas agora era tarde demais para evitar essa desagradável perspectiva.
O inspector colocou-se em toda a sua imponência ao lado da janela, afastando a cortina com uma das mãos. Olhava para o jardim em baixo:
— Sim, isto é tudo que restou do trabalho do juiz. Mas, como já disse, ainda poderá achá-lo interessante
 Lee deu um passo à frente com Júlia a seu lado, e, relanceando o olhar pelo jardim abaixo, subitamente transfigurou-se com o que viu.
De Júlia ouviu-se um débil murmúrio:
— Não entendo.
Lee continuou olhando fixamente sem se voltar para ela. As três grandes letras formando a palavra L-E-E estavam delineadas sobre as sementes escuras, irregularmente esboçadas num quadro de vivos matizes de flores roxas,
A voz do inspector ressoou áspera nos ouvidos de Lee.
— Creio que se enganou quanto à impressão que causou sobre o juiz, senhor Lee. Deve ter sido marcante, para que ele tenha deixado esta recordação do seu nome com as últimas flores que conseguiu plantar, enquanto o seu assassino se mantinha perto e esperava, a sentença póstuma.

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