18 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 49

EFEMÉRIDES – Dia 18 de Fevereiro
Auguste Le Breton
(1913 – 1999)
Auguste Montfort nasce em Lesevem, Bretanha, França. É considerado um dos maiores vultos do policiário no âmbito do romance negro, contribuindo decesivamente para demarcar a arrativa francesa do seu modelo e rival americano. É extenso o número de romances publicados em seu nome, muitos dos quais levados à tela. De entre todos cita-se Du Rififi Chez les Hommes (1953), publicado entre nós em 1983 pelas Edições 7 com o título Rififi, o nº2 da Colecção Alibi. Anteriormente, em 1978, as Editora A.M. Pereira publica Os Marginais, Les Pégrilots (1973) no título original.


Len Deighton (1929)
Leonard Cyril Deighton nasce em Marylebone, Londres. Ilustrador, fotógrafo, chefe de cozinha, professor, agente literário… começa a escrever policiários em 1962 com The IPCRESS File, mais tarde adaptado ao cinema. A maior parte da sua obra é na área da espionagem. Cria duas séries: Harry Palmer, com livros editados e a série Bernard Samson, com 9 títulos. Escreve mais 11 romances de espionagem e 2 livros de short stories. Em Portugal estão editados alguns livros deste autor.
1 - O Caso IPCRESS (1965) Portugália Editora livro da série Harry Palmer
2 - Funeral em Berlim (1966) Portugália Editora, Título Original: Funeral in Berlin (1964), livro da série Harry Palmer
3 - Um Cérebro de um Bilião de Dólares (1990) Gradiva, Colecção Não Incomode Título Original: The Billion Dollar Brain (1966), livro da série Harry Palmer
4 – Adeus, Mickey Mouse (1990) Gradiva, Colecção Não Incomode Título Original: Goodbye Mickey Mouse (1982)
5 - O Que Escondem as Águas (1994) Gradiva, Colecção Não Incomode Título Original: Horse Under Water (1963), livro da série Harry Palmer




TEMA — ENIGMA POLICIÁRIO – ELIMINATÓRIAS
Esta é a classe de problemas ou enigmas, designados por eliminatórias de muito fácil decifração, se bem que por vezes, bastante trabalhosas.
Trata-se de um trabalho de lógica através do qual por sucessivas exclusões contidas nas premissas ou indicadores, se vai delimitando o seu número, até que reste a única que preenche a hipótese procurada. Consiste em chegar à verdade pela negação de todas as hipóteses admissíveis, menos uma.
A apresentação desta espécie-tipo é regra geral por alíneas, numa segunda forma acompanhada de um desenho onde se movimentam algumas figuras do problema. Muitas vezes os dados são apresentados por uma conversa ocasional, onde se dispuseram os dados a eliminar.
Célebre como o seu autor, o querido amigo Artur Varatojo, um nome de sucesso na área do policiário, publicou em 1947, no Jornal de Sintra, um problema deste tipo que ficará para a história do Policiário, aqui reproduzido.
M. CONSTANTINO

ALGUÉM GUARDARA O VELHO REVÓLVER
Há precisamente vinte anos naquela mesma sala Jack Grosset matara um homem.
O revólver assassino escorregara para o chão e alguém o apanhara.
Agora a mira desse velho revólver traçava uma linha recta com o coração do assassino.
Soou um tiro e... Jack Grosset caiu morto.
Ricardo Diabo recordou o caso com um sorriso.
Michael Brown contara-lhe como tudo se passara, então.

Ele estava no bar quando Jack Grosset matara o pai. Grosset deixara cair o revólver e Michael guardara-o.
Tinha então dez anos e tomou conta dos irmãos mais novos. Três rapazes e duas raparigas: George, Peter, Buck, Dorothy e Jenny.
Jenny era bonita, esguia e atraente, enquanto Dorothy tinha ar másculo que lhe dava uma dureza de feições sem a fragilidade feminina da irmã.
Nenhum esquecera a morte do pai e Mick ditaria a vingança. Foi dado a todos o direito igual de vingar o pai.
Solenemente Mick meteu uma só bala no tambor vazio e rodou-o várias vezes até não saber onde ela se encontrava.
Então sortearam entre eles a ordem porque cada um tentaria a vingança.
Por capricho o mais velho ficou marcado para último, imediatamente precedido de George.
Qualquer um podia picar a única bala do tambor de seis tiros. O primeiro como o último, tinham iguais possibilidades.
Ninguém sabia em que altura ia detonar o velho revólver, e essa dúvida transmitia-lhes um frémito de nervosismo.
Combinaram entrar um de cada vez enquanto os outros do lado de fora com a respiração suspensa esperariam a detonação
O primeiro deles levantou o revólver e o coração dos outros cinco parou de bater. As raparigas apertaram as mãos.
Soou o estalido metálico da câmara vazia e o revólver dentro de momentos passava de mão.
George não perdoou nunca o destino de nunca ter chegado a atirar.
Buck quando recebeu a arma das mãos da irmã viu brilhar-lhe nos olhos uma lágrima rebelde de raiva incontida. Só quando o seu dedo pequeno e bem modelado premira o gatilho até ao fim, e o mesmo som metálico respondera negativamente é que a bonita rapariga compreendera a inutilidade da sua tentativa.
Buck, que foi o primeiro deles a irromper no salão após ter soado o tiro, nunca compreendeu como ninguém reparou nas tentativas dele e dos irmãos que o precederam.
Este foi o caso que Ricardo Diabo não quis resolver apesar de ter descoberto qual dos irmãos Brown vingara o pai.
E você, leitor, que também descobriu, diga-nos:
Quem matou Grosset? Porquê?

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