12 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 43

EFEMÉRIDES – Dia 12 de Fevereiro

Paul Winterton (1908 – 2001)

Nasce em Leicester, Inglaterra. Estuda na London School of Economics e trabalha como jornalista no The Economist e no News Chronicle. Na 2ª guerra mundial é correspondente estrangeiro em Moscovo, que será cenário de alguns dos seus livros. Usa os pseudónimos Andrew Garve, Roger Bax e Paul Somers. Entre 1950 e 1978 escreve 30 livros policiários como Andrew Garve. Como Roger Bax publica Death Beneath Jerusalem (1938), Red Escapade (1940), Disposing of Henry (1947), Blueprint for Murder também editado com o título The Trouble With Murder (1948), Came the Dawn também editado com o título Two If by Sea (1949) e A Grave Case of Murder (1951). Sob o pseudónimo de Paul Somers escreve os trillers Beginner's Luck (1958) Operation Piracy (1958) The Shivering Mountain (1959) e The Broken Jigsaw (1961) É membro fundador da Crime Writers' Association em 1953.

John Boland (1913 – 1976)

Bertram John Boland nasce em Birmingham. Serve no exército britânico como artilheiro é trabalhador agrícola, marinheiro, lenhador, trabalhador ferroviário, operário, vendedor de cartazes publicitários e escritor de ficção científica e policiários. Escreve contos para revista da especialidade, como Galaxy Science Fiction e New Worlds. Publica o primeiro livro White August em 1955, depois No Refuge (1956), seguem-se mais cerca de trinta livros em com destaque para as series The Gentlemen e Kim Smith. Publica três peças de teatro: Murder in Company (1973), Elementary My Dear (1975) e Who Says Murder? (1975); ainda dois livros sobre escrita de alguma forma ligados ao policiário Short-Story Writing (1960) e Short Story Technique (1973). John Boland utiliza também o pseudónimo James Trevor.


Janwillem van de Wetering (1931 – 2008)

Nasce em Roterdão, mas vive um pouco por todo o mundo, África do Sul, Austrália, Colômbia, Japão… É um escritor de literatura infantil e de literatura policiária. Escreve em inglês e holandês e muitas vezes as duas versões tem diferenças significativas. A sua criação mais conhecida é a dupla Grijpstra e de Gier: Henk Grijpstra e Rinus de Gier detectives da Brigada Criminal da Polícia Municipal de Amesterdão, cidade incluída na maior parte obra do autor. Outsider in Amsterdam 1975 é o primeiro livro de Wetering que publica cerca de vinte romances e ainda contos curtos no Alfred Hitchcock's Mystery Magazine e no Ellery Queen's Mystery Magazine. Em 1984 é galardoado com Grand Prix de Littérature Policière para o melhor romance policiário Internacional do ano.




TEMA — OS PRIMEIROS CÃES POLÍCIAS
De Carlos Estegano


É de 8 de Fevereiro de 1816 o primeiro exemplo, registado, do uso de um cão, treinado, ao serviço da lei.
Foi em Midmar Lodge, no Condado do Aberdeen, na Escócia, que um Terrier, propriedade de M. Gillespie, agente da polícia, participou na luta contra os contrabandistas do whisky.
A acção do cão, que tinha sido ensinado a usar o olfacto para a detecção dos cavalos usados no transporte da bebida, provocou de imediato uma diminuição no movimento dos carregamentos e levou as autoridades a apreenderem quatro depósitos de whisky e a destruírem outros quatro.
O Terrier — cujo nome os anais da época não registam — foi morto a tiro, numa outra investigação próxima de Kintyre, também na Escócia, a 30 de Julho do mesmo ano. Só sessenta anos mais tarde, em Abril de 1876, voltamos a ter noticia doutro facto criminal, tendo como protagonista um cão.
Em Bastwell, na zona de Blackburn e ao norte de Manchester, a polícia inglesa investiga a morte de E. Holland, uma criança de sete anos de idade, que fora atacada sexualmente e posteriormente degolada.
Procurando pistas, no local do crime, a polícia emprega um cão, mas as tentativas resultam infrutíferas.
A polícia tem, no entanto, dois suspeitos.
O cão, levado a casa do primeiro, não revela qualquer excitação, mas em casa do segundo, o barbeiro W. Fish, o animal encaminhou-se para o fogão da sala, onde a criança é encontrada, escondida na chaminé.
Fish é preso e confessa o crime.
Do herói deste caso nem o nome, ou a raça, ficou registado.
O uso regular de cães treinados para o trabalho policial é iniciado em 1899, pelas autoridades de Ghent, na Bélgica, em sequência do auxílio útil, dado anteriormente, pelos animais nas patrulhas nocturnas. Na Inglaterra, o emprego regular de cães polícias iniciou-se em 1908, por instigação de E. Geddes, director da North-Eastern Railway Police Force, preocupado com o grande número de roubos das mercadorias em trânsito nos comboios.
Foram comprados três cachorros Terrier à polícia de Ghent, para o primeiro canil, em Hull Docks, tendo os animais, posteriormente, contribuído sensacionalmente para a diminuição dos roubos. A primeira força de polícia inglesa a usar permanentemente cães foi a do condado de Wilt, a oeste de Londres, cujo chefe, coronel H. Lekellyn, começou a empregar cães de caça, em 1910, para seguir pistas. Em 1912, enquanto a North-Eastern Railway construía canis em Hartlepool, Tyne Dock e Middlesbrough, na costa leste, a polícia de Wilt adquiria alguns cães, da raça Labrador, para patrulhas nocturnas. Depois, e a partir de 1914, o uso de cães nas actividades policiais foi-se multiplicando, mas isso é outra historia.
A dos primeiros cães polícias, dos Precursores, termina aqui.



CONTO CURTO — AO FUNDO DA ESTRADA VELHA
De António Serra in Célula Cinzenta


… As botas produziam um ruído estranho ao pisarem o cascalho solto, do caminho que conduzia ao palheiro.
Tinha enfiado, à pressa, um casacão que usava em noites de temporal, bem como umas botas de carneira já gastas pelo correr dos anos. O frio misturado com a minha ânsia provocavam-me arrepios.
Acordara estremunhado com o ladrar dos cães. Olhara a janela e vira qualquer coisa como um grande clarão seguido dum som abafado, parecido como aquele que é produzido com o cair dum muro.
Seguia agora, quase que a trote, a caminho do barracão. A noite estava clara.
Uma lua bem cheia inundava de luminosidade todo o terreno de searas que me rodeava. A cerca de 20 metros estaquei. Estava ofegante e o suor corria-me por todo o corpo. A pouco e pouco recuperei o sangue frio. À medida que me ia aproximando via jorrar de dentro do palheiro uma luz intensa… e o cheiro que chegava até mim era um cheiro a queimado.
Não queria acreditar no que os meus olhos acabavam de presenciar.
— Mas porquê eu… meu Deus?!... — balbuciei.
Dei a volta e desatei a correr de volta a casa. Peguei no telefone e disquei, o mais rápido que os meus dedos podiam.
— Está?... Está lá por favor! — Sou eu novamente — disse afogueado — é para trazerem um reboque que desta vez foi… um camião TIR que me entrou pelo palheiro dentro!...

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