8 de março de 2015

UM CASO A RECORDAR - SOLUÇÃO

de Manuel Constantino


Os primeiros factos que chamaram a minha atenção foram:

1 -
a) O tiro no rosto como a disfarçar a identidade;
b) Os pingos de sangue nos dois sapatos;
c) Os dentes níveos;
d) A pele excessivamente pálida;
e) A chamada ao criado de “Ich”;
f) Ver-se “diante de um espelho”.
Decidira desde logo que o morto não era o alemão. Ninguém que masque tabaco tem os dentes níveos. A partir daqui deduzi que o morto era o Armando, um homem saído da prisão há poucos dias (razão da palidez), que para seu azar era tão parecido com o alemão que este lhe chamava “Ich” (eu) e se julgava perante um espelho.
Depois, ambos os sapatos tinham pingos de sangue - mas ninguém se descalça depois de morto e verificamos que um sapato foi atirado para junto da varanda, fora do alcance de qualquer salpico.
As impressões digitais deixadas na arma bem oleada e no cofre e não quaisquer outras, bem como o desaparecimento das folhas do passaporte onde eventualmente estaria uma impressão digital identificadora, dão-nos a certeza da premeditação do crime, quiçá para fugir a um chantagista incómodo (lembremos que o alemão era um oficial, muito possivelmente com culpas no cartório).

2 -A resposta à segunda questão é simples. Se a polícia tivesse desde o início tirado as impressões digitais do morto e procurasse identificá-las com os arquivos existentes, verificaria desde logo que o morto era o criado. O resto viria por arrastamento.
Creio que é o bastante, embora o problema dê “pano para mangas”.

1992 - 2º classificado no I Torneio de Divulgação organizado pela secção “Policiário”, orientada por Luís Pessoa, no jornal “Público”.


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