27 de novembro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 332

Efemérides 27 de Novembro
Noah Charney (1979)
Nasce em New Haven, Connecticut, EUA. Enquanto estudante vive, por períodos, em Paris, Londres e de regresso aos EUA, em Waterville, Maine funda a Colby Film Society e escreve várias peças para teatro, tendo recebido inclusivamente um prémio Horizons New Young Playwrights em 2002. Muda-se para Inglaterra e faz um doutoramento em História do Roubo de Obras de Arte. Mais tarde funda a ARCA — Association For Research Into Crime Against Art, a primeira organização internacional a promover a protecção do património cultural e fomenta o estudo e a investigação dos crimes relacionados com arte. Noah Charney é o autor de The Art Tief (2007), também editado em Portugal:
1 - O Ladrão De Arte: três obras de arte, uma mente genial (2008), Editotra Civilização. Título Original: The Art Tief (2007),



Vídeo: O Ladrão de Arte - Noah Charney (Civilização Editora)



TEMA — PSICOLOGIA CRIMINAL — HOMICIDAS INSTITIVOS
Nem sempre o homicida É o instrumento cego de uma obsessão ou delírio. Há também os homicidas instintivos ou constitucionais; mas muitas vezes os criminosos de sangue, como os que actuam contra a propriedade, são o produto do meio em que viveram, da miséria e do abandono. Tal é, por exemplo, o Antônio Balduíno, do romance “Jubiabá” de Jorge Amado.
Antônio- Balduíno é o tipo do malandro criado ao Deus dará, rixento e rufião, hostil à disciplina social. “A coisa que ele mais ama é a briga”. A briga com todas as suas, consequências. E da briga ou das provocações de “bamba”, à maneira dos que descem dos morros cariocas, o malandro baiano não demora em tornar-se assassino.

No cinto, por baixo do paletó, Antônio Balduíno traz dois punhais.
Zequinha correu para cima dele com a foice na mão. Se atracaram e rolaram no barro duro da estrada. Zequinha caiu e a foice voou longe. Quando ele se levantou e correu novamente para Antônio Balduíno viu o punhal na mão do negro. Parou irresoluto. Ficou calculando o golpe. Depois deu um pulo. António Balduíno deu um passo para trás, a sua mão se abriu e o punhal caiu. Zequinha riu com os olhos e rápido como um gato se abaixou. Antônio Balduíno tira do cinto o outro punhal que finca nas costas de Zequinha.
Antônio Balduíno trás sempre dois punhais no cinto… E a sua gargalhada assusta os homens mais que a Juta, que a punhalada e o sangue. Era de noite e o negro ganhou o mato.

Esse homicida pode servir de padrão para os criminosos que se fizeram na via pública, sem os freios da família, da religião ou da escola, de “cambulhada” com a ralé social, a ouvirem as lições dos viciosos e inadaptados, emulados pelas acções dos que se tornaram famosos por sua corrupção ou ferocidade, em permanente desafio à ordem e à moral públicas.

Escreve Jorge Amado, referindo-se ao terreiro do morro onde o pai de santo imperava e se reuniam os vadios e brigões da capital baiana:
Aquela era sua aula proveitosa. Única escola que ele e as outras crianças do morro possuíam. Assim se educavam e escolhiam a carreira. Carreiras estranhas aquelas dos filhos dos morros. E carreiras que não exigiam muita lição: malandragem, desordeiro, ladrão.
Nota Policiário de Bolso: Cambulhada — confusão, desordem.



TEMA — CONTO DE FICÇÃO CIENTÍFICA — O SORRISO DO QUADRO
De Ray Bradbury
Às cinco da manhã, no momento em que os galos começam a cantar nos campos vizinhos e que as fogueiras ainda não foram acesas, já havia uma fila na praça da cidade. Lufadas de neblina tinham encoberto a princípio os prédios em ruínas, mas agora, com a primeira claridade das sete da manhã, começavam a dispersar-se. Em toda a extensão da rua, em grupos de dois e de três, o povo acorria para o grande dia, o dia da feira, o dia da festa.
O menino estava bem atrás de dois homens que conversavam em voz alta no ar cristalino, e suas vozes, na manhã fria, pareciam duas vezes mais fortes. O menino saltava de um pé para o outro e soprava sobre as mãos vermelhas em forma de concha. Levantou os olhos para os dois homens vestidos de pano de saco sujo e acompanhou com o olhar a fala interminável de homens e mulheres.
— Ei, rapaz! O que estás a fazer acordado tão cedo? Perguntou o homem atrás dele
— Estou a guardar o meu lugar na fila.
— Por que não voltas para a cama e dás o teu lugar a quem realmente aprecia essas coisas?
— Deixa o miúdo em paz, disse o homem da frente, voltando-se bruscamente.
— Falei na brincadeira…
O homem que estava atrás colocou a mão sobre a cabeça do menino que, com um movimento dos ombros, a afastou.
— Estranhei ver um menino fora da cama tão cedo. Só isso…
— Pois fique sabendo que o menino aqui é um apreciador de quadros, disse o defensor do garoto, um homem chamado Crigsby. Como te chamas, rapazinho?
— Tom.
— Pois bem, Tom! — Vais cuspir bem longe daqui a pouco, não é mesmo?
— Claro que vou!
Toda a fila riu com a resposta.
Um homem vendia café quente em chávenas lascadas, na frente da fila. Tom ergueu os olhos e avistou o pequeno fogareiro e a bebida que fervia na panela enferrujada. Não era café verdadeiro. Era feito com grãos que cresciam no mato fora da cidade, e as pessoas pagavam um tostão a chávena para aquecer a barriga. Poucos porém tomavam aquele café, porque poucos tinham aquela fortuna.
Tom olhou em frente para o lugar onde a fila começava, junto a um muro de pedras destruído por bombas.
— Contam que ela sorri, — disse o menino.
— Pois é, confirmou Crigsby.
— Contam que é pintada sobre uma tela.
— Verdade. E é por isso que não me parece ser o original. A pintura original, pelo que sei, foi feita em madeira há muito tempo atrás.
— Dizem que ela tem quatrocentos anos.
— Talvez mais. Ninguém sabe exatamente em que ano nós estamos, para falar a verdade.
— Estamos em 2061!
— Isso é o que eles dizem, menino. Um bando de mentirosos. Pode ser 3000 ou 5000, quem vai saber. Durante um bom tempo as coisas andaram numa confusão tremenda. Só sobraram alguns restos e pedaços.
A fila caminhava devagar pelas pedras frias da rua.
— Falta muito ainda? perguntou Tom.
— Mais alguns minutos. Ela está cercada com uma corda de veludo, presa em qua-tro estacas, para impedir as pessoas de se aproximarem. Agora, presta atenção ao que eu te vou dizer. Nada de pedras! Eles não deixam atirar pedras.
— Entendi.
À medida que o Sol subia no céu, os homens despiam os seus casacos rotos e tiravam os chapéus ensebados.
— Por que estamos na fila? perguntou finalmente Tom. Por que vamos cuspir nela?
Crigsby não olhou para o menino; parecia em vez disso observar a altura do Sol.
— Olha, Tom, há muitas razões! Procurou distraidamente um cigarro que já não existia num bolso que havia desaparecido há muito tempo. Tom tinha visto este gesto um milhão de vezes.
 — É uma espécie de ódio, Tom. Ódio por tudo que é do passado. Sabes como foi que viemos parar neste estado? As cidades em ruínas, as estradas destruídas pelas bombas, metade das plantações de trigo brilhando de radioactividade. Não, concordas comigo que tudo virou de pernas para o ar?
— É verdade.
— Pois essa é a razão. A gente acaba odiando tudo o que nos arruinou e destruiu. Assim é a natureza humana. Talvez seja irracional, mas é assim.
— No fundo não sobrou quase nada que a gente não odeie, disse Tom.
— Exacto! Especialmente todos aqueles malditos políticos que governavam o mundo antigamente! É por causa deles que hoje morremos de frio, moramos em cavernas, que não temos nada para fumar, para beber, que não temos nada, a não ser as nossas festas, percebes, Tom, as nossas festas…
Tom lembrou-se das festas dos últimos anos. No ano em que tinham rasgado e queimado todos os livros na praça, quando o povo bebeu até se fartar. Depois a festa da ciência, há um mês atrás, quando levaram para a praça o último automóvel que sobrou. Sortearam uma rifa e o ganhador pode martelar à vontade a lataria do carro. Passava do meio-dia. O mau cheiro da cidade destruída aumentava com o calor. Criaturas assexuadas engatinhavam pelo meio dos prédios demolidos.
— Será que ela nunca mais vai voltar, rapaz?
— O quê? A civilização? Ninguém mais quer saber disso. Eu pelo menos não quero!
— Pois olha, não era tudo tão ruim assim, comentou alguém na fila. Havia algumas coisas boas.
— Não adianta lamentar-se agora! — exclamou Crigsby. Nem isso dá!
— Ah, — insistiu o outro — acabará por aparecer alguém, um dia, que vai corrigir tudo. Alguém com imaginação, lembrem-se das minhas palavras, alguém com coração…
— Não. Não vai ­ cortou Crigsby.
— Pois eu digo que sim. Alguém que gostará de coisas bonitas! E que nos dará novamente uma civilização simplificada onde viveremos em paz!
— A primeira coisa que acontecerá vai ser a guerra!
— Talvez não, desta vez.
— Finalmente, chegaram à praça da cidade. Um homem a cavalo, vindo aparentemente de muito longe, entrou a correr. Segurava um papel na mão. No meio da praça, exposto a todos os olhares, havia o espaço cercado pela corda. Tom, Crigsby e os outros faziam provisões de saliva, enquanto avançavam lentamente, empurrados pelos que vinham atrás.
— É nossa vez, Tom! Vamos correr!
Quatro polícias tomavam conta dos quatro cantos do quadrado delimitado pela corda, quatro homens que tinham no pulso uma cordinha amarela, símbolo da autoridade. Estavam ali para impedir que o povo atirasse pedras.
Tom parou diante do quadro e contemplou-o longamente.
— O que estás à espera, Tom? Cospe em cima!
A boca do menino estava seca.
— Vamos, Tom! Despacha-te!
— Mas… — disse Tom lentamente — ela é tão bonita!
— Olha! Eu cuspo por ti!
Crigsby cuspiu e o jacto de saliva voou na luz dourada do dia. A jovem do quadro sorria para Tom e seu sorriso era sereno, misterioso.
— Ela é tão bonita, repetiu Tom.
— Anda lá, vamos, senão a polícia…
De repente houve um grande silêncio. Há um instante atrás eles gritavam com o menino porque ele não se, mexia, e agora todos olhavam atentamente para o homem a cavalo.
— Como ela se chama? — perguntou Tom sem afastar os olhos do quadro.
— A mulher? Acho que é Mona Lisa. Isso mesmo, Mona Lisa.
— Atenção! — gritou o homem montado no cavalo. — Por ordem do governador, hoje, ao meio-dia em ponto, o quadro exposto nesta praça será entregue ao povo, para que todos possam participar de sua destruição.
Tom não teve tempo para gritar. Imediatamente a multidão, com berros e empurrões, abriu caminho em direção ao quadro. Ouviu-se o ruído de pano rasgado. A polícia fugiu. A multidão arrancava os pedaços do quadro como os abutres famintos a atacar as carcaças. Empurrado por um movimento mais brutal, Tom foi atirado para junto do quadro destruído. Imitando cegamente a atitude dos outros, estendeu a mão, agarrou um pedaço de tela e puxou. Sentiu a tela ceder, caiu ao chão, foi pisado e atirado como uma bola para fora da confusão. Coberto de sangue, com a roupa rasgada, observou as velhas que mastigavam os pedaços da tela, os homens que quebravam a moldura, pisavam, e reduziam tudo a pedaços. Somente Tom se mantinha afastado e silencioso no meio do tumulto. Olhou para sua mão, a mão que apertava contra o peito o pedacinho de tela cuidadosamente escondido.
— Olá, Tom! — gritou Crigsby.
Sem responder, Tom fugiu dali a soluçar. Seguiu o caminho esburacado pelas bombas, atravessou um pequeno ribeiro e continuou o caminho pelos campos desertos, sem olhar para trás, com o punho cerrado por baixo do casaco.
Ao entardecer, chegou ao lugarejo e continuou a andar. Às nove horas da noite entrou na fazenda em ruínas. Atrás da metade do paiol que tinha ficado em pé, ouviu a respiração regular da família adormecida: a mãe, o pai e o irmão. Entrou furtivamente pela pequena abertura e deitou-se ao comprido no chão, com a respiração ofegante.
— És tu, Tom? — perguntou a sua mãe no escuro.
— Sim, sou eu.
— Onde é que tu estavas? — berrou o pai.
— Dorme! — disse a mãe com a voz de sono.
Tom voltou a respirar normalmente. Tudo estava calmo agora. Sua mão continuava apertada contra o peito. Permaneceu nessa posição durante uma meia hora, com os olhos fechados.
Foi então que sentiu o luar frio entrando pelo telhado. O pequeno quadrado de luz movia-se no interior do paiol e passava lentamente sobre seu corpo. Só então a mão se descontraiu. Bem devagar, com todo cuidado, prestando atenção aos que dormiam ao seu lado, afastou o braço do peito. Hesitou, respirou profundamente e depois, prendendo a respiração, abriu a mão e desdobrou o minúsculo fragmento da tela pintada.
Ele tinha na mão o sorriso.
Admirou-o demoradamente sob a luz branca do céu da meia-noite, enquanto repetia consigo, lentamente, calmamente: é o sorriso, o adorável sorriso.
Uma hora depois podia vê-lo ainda, embora já tivesse dobrado cuidadosamente e escondido o fragmento da tela. Fechou os olhos e o sorriso continuou na escuridão. E continuava ali, reconfortante, quente e delicado quando ele adormeceu finalmente, e o mundo descansou — enquanto a Lua subiu e tornou a descer no céu frio da manhã.


26 de novembro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 331

Efemérides 26 de Novembro
Jay Robert Nash (1937)
Nasce em Indianapolis. Indiana, EUA. Escritor de temas relacionados com criminologia, crime real, história do crime, criminosos, procedimento criminal. Tem mais de 70 livros publicados, mas o destaque vai para os vários dicionários e enciclopédias que escreve: World Encyclopedia Of 20th Century Murder (1992), World Encyclopedia Of Organized Crime (1992), Dictionary Of Crime (1994). O autor recebe em 1991 um Edgar Award Especial pela sua obra em 6 volumes The Encyclopedia Of World Crime, Criminal Justice, Criminology, And Law Enforcement.


TEMA — ALGO SOBRENATURAL — INVESTIGAÇÃO EM CHAMAS
O lusco-fusco da noite de Verão assumia de repente um aspecto sinistro e os terrenos em redor da aldeia inglesa do Cotswolds foram engolidos pelas chamas.
Um carro de incêndios subia penosamente a encosta. Os bombeiros corriam com extintores. Mas era demasiado tarde. O carro que se encontrava virado na valeta não era mais do que uma amálgama de ferros retorcidos e de aço ainda em brasa e… por entre os destroços via-se o corpo de um homem.
Bem que ele tinha lutado para escapar ao inferno quando o calor e o fumo o envolveram. Na mão, tinha ainda uma caixa com a bobina de um filme, Pouco depois, a caixa abriu-se em duas partes e as chamas começaram de imediato a devorar o celulóide.
Parecia, de facto, que o mundo do sobrenatural acorrera a reclamar os seus segredos e a castigar o mortal que ousara apoderar-se deles. E isto porque no filme que o Dr., Edward Morton levava para Londres, para ser montado, estava gravada a cena de um assassínio em que o criminoso era um fantasma.
O filme, feito através de lentes de infravermelhos, na noite de 4 de Julho de 1947, teria virado do avesso o mundo da investigação psíquica. Mas o homem que o fizera estava agora morto e o filme não passava de uma amálgama contorcida de cinzas, 
Quando Edward Morton, cientista famoso, decidiu organizar uma caca aos fantasmas, tudo foi organizado com a precisão de uma operação militar.
Levava consigo uma equipa de -dez homens, cameramen, técnicos engenheiros de gravação de som… peritos em fenómenos psíquicos.
Um grupo de anotadores registaria em duplicado tudo o que acontecesse. A utilização de lentes de infravermelhos descortinaria os mais sombrios recantos, fazendo finalmente luz sobre as conjecturas e mistérios da ciência ao longo de séculos
Na verdade, o Dr. Morton era um realista. Acreditava que tudo podia ser submetido a exame científico com resultados satisfatórios. Tratava-se apenas de uma questão de investigação esmerada. Se andasse com o cuidado suficiente, se fosse suficientemente longe, conseguiria certamente obter uma resposta para o fenómeno de assombração.
Na Primavera de 1947, Morton montou a mais impressionante investigação científica do sobrenatural jamais efectuada.
Para os seus testes escolheu Potterdene Hall, uma casa quase arruinada nos pitorescos Cotswolds britânicos. Era uma casa que vinha mesmo a calhar e que ele nem sequer imaginara conseguir arranjar
Potterdene Hall era propriedade de um velho industrial que passava a maior parte do tempo no estrangeiro. Ele queria vender a casa e os terrenos anexos, e concordou que desde que ninguém estragasse nada, Morton poderia utilizar a residência para as suas experiências até ser, entretanto, tomada uma decisão quanto ao seu futuro.
Não havia dúvidas de que a casa estava assombrada. Dizia-se que entre os fantasmas, seus ocupantes, contava-se o “Cavaleiro Selvagem” que, ao cabo de uma noite de azar ao jogo, voltara a Potterdene Hall assassinando a sua própria mulher.
Na sua agonia, respirando já ofegantemente, a mulher lançara-lhe então uma maldição, declarando que a alma do marido haveria de assombrar aquela casa até que fosse deitada abaixo a última pedra. Aliás, a repetição da cena do crime fora já testemunhada inúmeras vezes.
Aquela casa parecia, de facto, o local ideal pare as experiências do Dr. Morton No princípio de Junho, mudou-se finalmente para a sua nova “residência”. Dizia-se que as aparições dos fantasmas tinham lugar numa grande sala do rés-do-chão, cujas janelas abriam sobre um terraço.
Foi aí que o Dr. Morton montou o seu equipamento. Uma máquina de filmar, gravadores e uma serie de câmaras fixas foram montadas em carrinhos com rodas de borracha de fácil manobra.
A equipa dividiu-se em três e organizou vigílias de oito horas. O Dr. Morton não faria por sistema qualquer vigília mas deu ordens para que o chamassem sempre que acontecesse alguma coisa.
Uma série de câmaras, em que haviam sido colocados fios eléctricos, daria conta de eventuais embusteiros. Não tardou que a equipa entrasse numa rotina habitual. Duas das pessoas que estivessem de vigília montariam guarda na sala assombrada e as restantes caberia patrulhar a casa. O Dr. Morton, entretanto, montara o seu escritório de trabalho numa sala contígua à “assombrada”.
Durante um mês nada aconteceu. Só na primeira semana de Julho é que Frederick Redfern, investigador psíquico de larga experiência e que decidira participar nos testes, afirmou ter sentido uma alteração no ambiente. Alguma coisa estava para acontecer.
O fenómeno havia de ocorrer na noite seguinte.
De facto, às 11 horas da noite, os microfones que haviam sido pendurados por toda a casa começaram a enviar sons para os altifalantes colocados no escritório do Dr. Morton. Alertado este ligou os gravadores.
Ouviam-se distintamente vozes, risadas, o bater constante de saltos altos, mas os ruídos pareciam possuídos de uma estranha realidade. Um membro da equipa que, por acaso, não estava do vigia e que andava a vaguear pelo lago, entrou precipitadamente em casa para informar que tinha visto luzes acesas nos andares de cima.
Outros cinco homens, incluindo Redfern, alertados e despertados do sono, reuniram-se à volta do seu equipamento. À meia-noite, a temperatura descera, impressionantemente para cinco graus.
Do repente, a figura de um homem foi assinalada num dos cantos da sala. Imediatamente as bobinas da máquina de filmar começaram a rodar, e uma máquina fotográfica automática bateu, em poucos segundos, uma serie de fotos.
O homem era jovem, de pele escura, estava vestido com trajes de meados do século XVII. Movia-se, normalmente, passou por entre os investigadores e através de uma porta aberta em direcção à sala contígua. A toda a pressa, os investigadores puxaram o equipamento para a entrada. Morton e Redfern aproximaram-se do óculo da máquina de filmar — e depararam então com uma cena incrível.
No chão da sala, uma rapariga loura soluçava convulsivamente. De pé, junto dela, com um punhal ensanguentado na mão, estava o jovem. A rapariga tentou levantar-se, agarrar-se aos fatos do homem, mas estes romperam-se.
A cena passava-se a uns escassos seis metros dos observadores. Apesar de estar escuro, podiam ver distintamente o que se passava. Aliás, as lentes infravermelhas máquina de filmar haviam registado todos os pormenores.
No dia seguinte, profundamente emocionado com os resultados obtidos, o Dr. Morton partiu com o filme para Londres. A avaliar pelos bocados do filme que entretanto haviam sido revelados, o Dr. Morton tinha boas razões para se sentir emocionado, pois nele estavam contidas provas decisivas do fenómeno.
Todavia, o cientista não chegaria vivo aos laboratórios de revelação em Londres. Ao princípio da noite, chamas “vingativas” destruíram-no a ele e às suas provas. As fotografias que tinham ficado na casa assombrada chegaram a ser reveladas mas não eram de modo nenhum conclusivas. $ó o filme interessava.
Ao que parece, o mundo do oculto é cioso dos seus segredos. E se o destino do Dr. Morton puder servir de exemplo, é caso para dizer que esse mundo é capaz de proteger os seus segredos recorrendo, se for necessário, à morte dos que ousarem violá-los.


DICIONÁRIO DE AUTORES CONTEMPORÂNEOS DA NARRATIVA DE ESPIONAGEM (13) EM ACTUALIZAÇÃO

20 – CAILLOU (ALAN)
1914 — 2006





21 – CANNING (VICTOR)
1911 — 1986



A carreira literária de Victor Canning modifica-se depois de deixar o exército, no final da 2ª guerra mundial, porque é só nesta altura que o autor envereda pelo tema da espionagem. O seu mote principal está muito longe do heroísmo geralmente associado o agente secreto, que cumpre imperturbavelmente uma missão, pelo contrário, compreende o homem vulgar, que por acaso se vê envolvido no mundo secreto de espiões — cujas regras desconhece por completo — do qual tenta sair.
O escritor participa na adaptação cinematográfica de pelo menos dois dos seus romances: The Golden Salamander e Venetian Bird

25 de novembro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 330

Efemérides 25 de Novembro
Charles Francis Coe (1890 – 1956)
Nasce em Buffalo, Erie County, EUA. Autor prolífico de short stories e romances frequentemente em ambientes de gangsters e bandidos (Ver TEMA). A primeira história de Coe, Me — Gangster é publicada entre Agosto e Setembro de 1927 em 7 episódios no Saturday Evening Post, sendo posteriormente editada em livro e adaptada a um filme que marcou a diferença. Tem editado uma centena de livros.

W. R. Burnett (1899 – 1982)
William Riley Burnett nasce em Springfield, Ohio, EUA. Argumentista e escritor de Black Mask — Crook Story (ver TEMA) é famoso pelo seu livro Little Caesar cuja adaptação ao cinema é considerado o primeiro clássico dos filmes americanos de gangsters. Escreve 18 romances do referido género, mais 19 romances policiários, 35 argumentos (sozinho ou como co-autor) e uma centena de short stories. Em Portugal estão editados:
1 – Terra Maldita (1968), Editora Panorama. Título Original: Bitter Ground (1958).
2 – O Império Do Crime (1969), Nº129 Colecção Enigma, Editora Dêagá. Título Original: Conant (1961).
3 – A Vida Por Um Fio (1969), Nº104 Colecção Rififi, Editora Íbis. Título Original: The Cool Man (1968).
4 – O Meu Amigo Sargento (1984), Nº16 Colecção Livros de Bolso, Western, Publicações Europa-América. Título Original: The Goldseekers (1962).
5 – O Pequeno César (1985), Nº54 Colecção Livros de Bolso, Série Clube do Crime, Publicações Europa-América. Título Original: Litlle Caesar (1929).
6 – A Febre Do Ouro (1987), Nº47 Colecção Livros de Bolso, Western, Publicações Europa-América. Título Original: The Goldseekers (1962).
7 – A Selva Do Asfalto (1991), Nº32 Colecção Álibi, Os Clássicos do Policial, Edições 70. Título Original: The Asphalt Jungle (1949).

Francis Durbridge (1912 – 1998)
Francis Henry Durbridge nasce em Hull, Yorkshire, Inglaterra. Em 1938, cria a série Paul Temple, um escritor de crime e detective; por vezes os livros desta série são escritos em parceria com John Thewes, ou Charles Hatten, ou com Douglas Rutherford sob o pseudónimo literário Paul Temple, confundindo o personagem com o seu autor e tornando o escritor ficcionado “real”. Cria também o personagem Tim Frazer. Francis Durbridge escreve ainda dezenas de argumentos para peças de teatro, radio, televisão e ainda adapta para filme alguns dos seus livros. Em Portugal estão editados:
1 – O Caso Salinger (1967), Colecção Xis, Editora Minerva. Título Original: Tim Frazer Again (1964). É o 2º livro da série Tim Frazer.
2 – A Leste De Argel (1968), Nº176 Colecção Xis, Editora Minerva. Título Original: East Of Algiers (1959). Um livro da série Paul Temple.
3 – O Grande Assalto (1972), Nº198 Colecção Xis, Editora Minerva. Título Original: Paul Temple And The Harkdale Robbery (1970). Um livro da série Paul Temple escrito sob o pseudónimo Paul Temple.
4 – Diário Desaparecido (1972), Nº200 Colecção Xis, Editora Minerva. Título Original: Paul Temple And The Kelby Affair (1970). Um livro da série Paul Temple.
(25 Nov 1912-) British (Yorkshire) author,

Clive Egleton (1927 - 2006) British
Clive Frederick William Egleton nasce em Middlesex, Inglaterra. Considerado como um dos principais escritores de thrillers do Reino Unido marca nos seus livros os anos de experiência prifissonal no campo da Intelligence e Counter-Intelligence. Escritor de romances de espionagem, alguns considerados tecnicamente como de ficção científica, pelo cenário futurista da ocupação da Inglaterra pelos russos. Cria a série David Garnett, com 3 títulos publicados; a série Peter Ashton, com 12 livros; e ainda mais 18 romances. Publica 4 livros sob o pseudónimo John Tarrant e 2 sob o pseudónimo Patrick Blake. O escritor está traduzido em 15 línguas. O seu romance
Seven Days To A Killing (1973) está adaptado ao cinema — The Black Windmill, em Portugal, Por Um Punhado De Diamantes com direcção de Don Siegel e Michael Caine no protagonista.

William McIlvanney (1936)
Nasce em Kilmarnock, Ayrshire, Escócia. Poeta, romancista premiado é também autor de policiários. Cria o personagem Jack Laidlaw, um polícia de Glasgow, forte mas sensível que protagoniza: Laidlaw (1977) — vencedor do Silver Dagger da British Crime Writers Association — The Papers Of Tony Veitch ) (1983) — Silver Dagger e nomead para o Edgar Award Best Novel —  e Strange Loyalties (1991). Em Portugal esta publicado:
1 – O Homem De Glasgow (1986), Nº38 Colecção Caminho de Bolso Polícial, Editorial Caminho. Título Original: Laidlaw (1977).



TEMA — CROOK STORY
Integrado no género policiário Black Mask (novela negra ou máscara negra) o sub género Crook Story surge em 1927, com “Me Gangster” de Charles Francis Coe (1890 – 1956), para se implantar com obras como “Little Caesar” (1929) e “The Asphalt Jungle” (1949) de William Riley Burnett (1899 – 1982), e “Louis Beretti” de Donald Henderson Clarke (1887 – 1958) e “Scarface” (1930) de Armitage Trail (1902 – 1930), pseudónimo de Maurice Coons.
Esta corrente policiária despreza o protagonismo clássico do detective como figura principal, para fazer sobressair o delinquente principal. Seja tido co realismo crítico ou potencialmente realidade testemunhal, ou pala sátira social, a crook story contribuiu definitivamente para desviar o percurso da novela negra, para uma outra possível trajectória — a da violência física para violência moral — que exclui a supremacia do detective-privado-força, opondo-lhe a outra face da moeda de um mundo sujeito à inevitabilidade do fenómeno crime.
Com as versões cinematográficas de Howard Hawks, em 1932 de “Scarface” e Brian de Palma em 1983 com o “A Força do Poder”, estava confirmada a narrativa da crook story.
Citando autores que lhe dedicaram os seus escritos, permanente ou esporadicamente, lembramos Pete Rabe (1921 – 1990) com “Dig My Grave Deep” (1956), protagonizado por um marginal, Daniel Port, a meio caminho entre aparecimento de criações literárias como Tom Ripley, personagem de Patricia Highsmith (CLICAR) em 1957, repetido em 1970 e 1980.
Na mesma linha os personagens Earl Drake de Dan J. Marlowe (1914 – 1987), Bernie Rhodenbarr de Lawrence Block (1938) (CLICAR), Parker de Richard Strak (1933 – 2008) — pseudónimo de Donald E. Westlake, etc.


TEMA — ENIGMA CRIMINAL COM 111 ANOS — MASSACRE DE CHARTRES
Na noite de domingo, 21, para segunda-feira, 22 de Abril de 1901, descobriu-se em Corancez lugarejo de algumas centenas de habitantes, a dez quilómetros de Chartres, um crime que superava em horror as piores tragédias registadas nos anais judiciários.
A alguns passos da sua modesta fazenda, fora socorrido pelos vizinhos, um lavrador de cerca de quarenta anos. Édouard Brierre, ferido com várias facadas. Dentro da casa jaziam mortos os seus cinco filhos. Flora, a mais velha, tinha quinze anos. O menor era um garotinho de três anos apenas. Todos haviam sido feridos da mesma maneira: uma ponta do mesmo instrumento perfurante parecia ter-lhes afundado a caixa craniana. Além disso, Flora fora apunhalada provavelmente com a mesma faca que ferira o pai.
Este não fora atingido senão muito superficialmente. Isso contribuiu para que os investigadores logo desconfiassem dele e, desde o dia seguinte, aquele camponês viúvo, conhecido por seus medos estranhos e por seu aspecto pesadão, foi autuado, acusado do homicídio de seus filhos.
Depois de oito meses de inquérito, Brierre tomava lugar no banco dos réus do tribunal do júri de Chartres. Os debates tempestuosos duraram uma semana. A 23 de dezembro de 1901, era condenado à morte. Entretanto; não cessara jamais de protestar inocência, como, de resto, continuaria a fazê-lo, durante todo a vida.

Que provas havia de sua culpabilidade? Nenhuma! Apenas indícios veementes Haviam-se encontrado as armas do crime. As cinco infelizes crianças tinham sido mortas a golpes de relha de arado. Esse ferro sangrento, descoberto, era o mesmo com o qual Brierre trabalhava no campo. A sua roupa de trabalho estava também manchada de sangue, assim como a faca que havia apunhalado Flora, uma faca de bolso que Brierre costumava amolar na pedra.
O acusado alegava que agressores desconhecidos o haviam roubado, levando, depois de o agredirem, uma caixa de folha onde se encontravam as suas economias. Mas os gendarmes encontraram essa caixa entre os restos de um brinquedo de criança, escondida num canto da parede. Continha uma nota de cinquenta francos, quarenta francos em moedas de oure e alguns trocos.
— Deve ter sido Flora quem a guardou lá — sustentava Brierre. — Era ela a dona da casa desde a morte da mãe e eu lhe confiava todo o dinheiro das despesas…
Mas esse argumento não valeu. Cada novo detalhe apresentado pela acusação confundia um pouco mais o acusado. Brierre já não podia explicar-se. Renunciou a isso, afinal, contentando-se com negar, negar, negar sempre.
Depois vieram os depoimentos dos aldeões, ferozes, odientos, esmagadores. Quando deixara Corancez, algemado, Brierre havia sido apupado, ameaçado, apedrejado. Os seus conterrâneos, convencidos de que estavam em presença de um monstro, queriam vê-lo severamente punido.
“Durante todo o inverno que precedeu o drama, ele passava dias inteiros sem trabalhar, perdido em estranhas divagações” — vieram afirmar as testemunhas. — “Não se cansava de devorar histórias de crimes e exclamava sempre no fim: “Só sendo muito tolo esse assassino, para se deixar apanhar!”
Não foi preciso mais para estabelecer a premeditação.
Não se dissera, além disso, que Brierre nutria o sinistro desígnio de ir eliminar a sua sexta filha, Germaine, de dezanove anos, que estava em Paris? Entretanto, durante os anos que se seguiram, essa quase vítima fazia tudo para inocentá-lo.
E o móbil do crime? Brierre pretendia — disse a acusação — casar-se com a filha de um vizinho rico, o lavrador Lubin. Para isso, era necessário que fosse livre. Para isso, desembaraçou-se dos seus filhos pequenos. Ora, apurou-se depois que esse Lubin longe de ser rico, era um miserável rendeiro, crivado de dívidas.
Não obstante, apesar de tais dúvidas, Brierre foi condenado à morte.
Se ele fosse absolvido, jamais poderia voltar ao departamento de Eure et Loire, a tal ponto todos o consideravam um ignóbil filicida. Mas o veredicto que o condenou à pena capital suscitou, em toda a França uma onda profunda de indignação.
“Brierre foi condenado sem provas” — escreveu Urbain Gohier. Fizeram-se campanhas de imprensa em favor dele. Ia-se guilhotinar um homem depois de tal processo? Afirmava-se que ele fora mal defendido pelo seu advogado M. Comby, porque este, alguns minutos antes de tomar a palavra no tribunal, fora informado do seu afastamento do Conselho da Ordem.
O presidente do -tribunal do júri, Belat, foi, por sua vez, descrito como um magistrado “pavorosamente parcial”. Enfim, a “Liga para a Defesa da Liberdade” interveio no caso e exigiu, por meio de boletins inflamados e de febris reuniões, o perdão do condenado. Diante dessa onda de opinião, o Presidente da República julgou aconselhável comutar a pena de Brierre pela de trabalhos forçados por toda a vida.
O forçado, trajando o clássico uniforme listrado, não tardou a ser embarcado para Saint Martin de Rá e depois para a Guiana. Os jornais da época descreveram com lirismo essa partida, narrando em estilo vibrante os últimos esforços de sua filha Germaine, em prantos, tentando beijar, pela última vez o pai e depois escrevendo cartas de súplica a todos os organismos públicas e privados.
Poder-se-ia pensar que o caso estivesse encerrado naquela primavera de 1902. Assim não foi, porém.
Logo depois da partida, foram publicadas comoventes reportagens dos enviados especiais da grande imprensa, a bordo do transporte “La Loire”, a caminho de Caiena. Brierre proclamava sempre encarniçadamente a sua inocência e não cessava de exigir a revisão do seu processo. Alguns meses depois, o esquecimento começou a envolver o caso quando um coletor de impostos inconscientemente ironico, lembrou-se de ameaçar o degredado com um processo judicial por falta de pagamento de impostos! Essa falha de um funcionário ignorante provocou uma gritara geral, tanto mais quanto a fazenda e os bens móveis de Brierre acabavam de ser vendidos em haste pública pela soma de 2.400 francos.
Germaine Brierre, que acabara de casar-se, aproveitou-se do incidente para desfechar nova ofensiva que deveria prosseguir anos a fio. Em dado momento, ela pretendeu mesmo ter arruinado um dos principais chefes da acusação. Mas o melhor argumento da inocência do forçado partiu de um jornalista que, em 1909, se lembrou de ir entrevistar o professor Bertillon, especialista em impressões digitais e pai da antropometria judiciária, conhecida pelo nome de “bertillonagem”.
“Somente em 1902 o meu método foi aplicado em Paris”, declarou o famoso criminalista. “Na época, aliás, meus trabalhos não eram tomados muito a sério…” Nasceu uma grande esperança para os partidários da inocência de Brierre.
Mas era demasiado tarde. Em oito anos, as impressões deixadas sobre as provas materiais do crime guardadas nos arquivos do Palácio da Justiça em Chartres, não permaneceram suficientemente frescas para permitir um exame decisivo. Se Bertillon se tivesse feito em 1901…
No fim do ano de 1910, Brierre falecia em Caiena, depois de ter, mais uma vez, afirmado que era vítima de um erro atroz, em carta dirigida à filha fiel. O falecimento do pai não iria impedir esta última de perseverar, tentando reabilitar a memória do pai.
Dois meses depois houve um golpe de teatro!
Um trapaceiro chamado Bourreau acabara de entregar-se à prisão aos gendarmes de Tours, afirmando que era o verdadeiro autor do massacre de Corancez”.
Este homem, aliás bem conhecido na região, fez uma descrição muito detalhada do crime.
Seria quase impossível descrever a emoção que dominou a opinião pública naquele momento. Alcide Delmont, que jamais cessara de batalhar ao lado de Germaine Brierre, anunciou a eminência de um sensacional processo de reabilitação. Entretanto, em Corancez, os aldeões persistiam em acreditar inflexivelmente na culpabilidade de Brierre.
Mas as confissões completas de Bourreau não se mantiveram por mais de quatro dias. Apesar de bem montada, a sua história comportava lacunas e contradições. Ele foi rapidamente obrigado a confessar que não era o assassino. Aborrecido da vida, aquele ser bizarro julgara ter encontrado um meio original de terminá-la. Queria morrer de maneira espectacular no cadafalso!
Também ele lia muitos policiais!
O caso Brierre, que mantivera a França em suspenso por mais de nove anos , foi arquivado definitivamente.

FONTE:guillotine.cultureforum.net