12 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 43

EFEMÉRIDES – Dia 12 de Fevereiro

Paul Winterton (1908 – 2001)

Nasce em Leicester, Inglaterra. Estuda na London School of Economics e trabalha como jornalista no The Economist e no News Chronicle. Na 2ª guerra mundial é correspondente estrangeiro em Moscovo, que será cenário de alguns dos seus livros. Usa os pseudónimos Andrew Garve, Roger Bax e Paul Somers. Entre 1950 e 1978 escreve 30 livros policiários como Andrew Garve. Como Roger Bax publica Death Beneath Jerusalem (1938), Red Escapade (1940), Disposing of Henry (1947), Blueprint for Murder também editado com o título The Trouble With Murder (1948), Came the Dawn também editado com o título Two If by Sea (1949) e A Grave Case of Murder (1951). Sob o pseudónimo de Paul Somers escreve os trillers Beginner's Luck (1958) Operation Piracy (1958) The Shivering Mountain (1959) e The Broken Jigsaw (1961) É membro fundador da Crime Writers' Association em 1953.

John Boland (1913 – 1976)

Bertram John Boland nasce em Birmingham. Serve no exército britânico como artilheiro é trabalhador agrícola, marinheiro, lenhador, trabalhador ferroviário, operário, vendedor de cartazes publicitários e escritor de ficção científica e policiários. Escreve contos para revista da especialidade, como Galaxy Science Fiction e New Worlds. Publica o primeiro livro White August em 1955, depois No Refuge (1956), seguem-se mais cerca de trinta livros em com destaque para as series The Gentlemen e Kim Smith. Publica três peças de teatro: Murder in Company (1973), Elementary My Dear (1975) e Who Says Murder? (1975); ainda dois livros sobre escrita de alguma forma ligados ao policiário Short-Story Writing (1960) e Short Story Technique (1973). John Boland utiliza também o pseudónimo James Trevor.


Janwillem van de Wetering (1931 – 2008)

Nasce em Roterdão, mas vive um pouco por todo o mundo, África do Sul, Austrália, Colômbia, Japão… É um escritor de literatura infantil e de literatura policiária. Escreve em inglês e holandês e muitas vezes as duas versões tem diferenças significativas. A sua criação mais conhecida é a dupla Grijpstra e de Gier: Henk Grijpstra e Rinus de Gier detectives da Brigada Criminal da Polícia Municipal de Amesterdão, cidade incluída na maior parte obra do autor. Outsider in Amsterdam 1975 é o primeiro livro de Wetering que publica cerca de vinte romances e ainda contos curtos no Alfred Hitchcock's Mystery Magazine e no Ellery Queen's Mystery Magazine. Em 1984 é galardoado com Grand Prix de Littérature Policière para o melhor romance policiário Internacional do ano.




TEMA — OS PRIMEIROS CÃES POLÍCIAS
De Carlos Estegano


É de 8 de Fevereiro de 1816 o primeiro exemplo, registado, do uso de um cão, treinado, ao serviço da lei.
Foi em Midmar Lodge, no Condado do Aberdeen, na Escócia, que um Terrier, propriedade de M. Gillespie, agente da polícia, participou na luta contra os contrabandistas do whisky.
A acção do cão, que tinha sido ensinado a usar o olfacto para a detecção dos cavalos usados no transporte da bebida, provocou de imediato uma diminuição no movimento dos carregamentos e levou as autoridades a apreenderem quatro depósitos de whisky e a destruírem outros quatro.
O Terrier — cujo nome os anais da época não registam — foi morto a tiro, numa outra investigação próxima de Kintyre, também na Escócia, a 30 de Julho do mesmo ano. Só sessenta anos mais tarde, em Abril de 1876, voltamos a ter noticia doutro facto criminal, tendo como protagonista um cão.
Em Bastwell, na zona de Blackburn e ao norte de Manchester, a polícia inglesa investiga a morte de E. Holland, uma criança de sete anos de idade, que fora atacada sexualmente e posteriormente degolada.
Procurando pistas, no local do crime, a polícia emprega um cão, mas as tentativas resultam infrutíferas.
A polícia tem, no entanto, dois suspeitos.
O cão, levado a casa do primeiro, não revela qualquer excitação, mas em casa do segundo, o barbeiro W. Fish, o animal encaminhou-se para o fogão da sala, onde a criança é encontrada, escondida na chaminé.
Fish é preso e confessa o crime.
Do herói deste caso nem o nome, ou a raça, ficou registado.
O uso regular de cães treinados para o trabalho policial é iniciado em 1899, pelas autoridades de Ghent, na Bélgica, em sequência do auxílio útil, dado anteriormente, pelos animais nas patrulhas nocturnas. Na Inglaterra, o emprego regular de cães polícias iniciou-se em 1908, por instigação de E. Geddes, director da North-Eastern Railway Police Force, preocupado com o grande número de roubos das mercadorias em trânsito nos comboios.
Foram comprados três cachorros Terrier à polícia de Ghent, para o primeiro canil, em Hull Docks, tendo os animais, posteriormente, contribuído sensacionalmente para a diminuição dos roubos. A primeira força de polícia inglesa a usar permanentemente cães foi a do condado de Wilt, a oeste de Londres, cujo chefe, coronel H. Lekellyn, começou a empregar cães de caça, em 1910, para seguir pistas. Em 1912, enquanto a North-Eastern Railway construía canis em Hartlepool, Tyne Dock e Middlesbrough, na costa leste, a polícia de Wilt adquiria alguns cães, da raça Labrador, para patrulhas nocturnas. Depois, e a partir de 1914, o uso de cães nas actividades policiais foi-se multiplicando, mas isso é outra historia.
A dos primeiros cães polícias, dos Precursores, termina aqui.



CONTO CURTO — AO FUNDO DA ESTRADA VELHA
De António Serra in Célula Cinzenta


… As botas produziam um ruído estranho ao pisarem o cascalho solto, do caminho que conduzia ao palheiro.
Tinha enfiado, à pressa, um casacão que usava em noites de temporal, bem como umas botas de carneira já gastas pelo correr dos anos. O frio misturado com a minha ânsia provocavam-me arrepios.
Acordara estremunhado com o ladrar dos cães. Olhara a janela e vira qualquer coisa como um grande clarão seguido dum som abafado, parecido como aquele que é produzido com o cair dum muro.
Seguia agora, quase que a trote, a caminho do barracão. A noite estava clara.
Uma lua bem cheia inundava de luminosidade todo o terreno de searas que me rodeava. A cerca de 20 metros estaquei. Estava ofegante e o suor corria-me por todo o corpo. A pouco e pouco recuperei o sangue frio. À medida que me ia aproximando via jorrar de dentro do palheiro uma luz intensa… e o cheiro que chegava até mim era um cheiro a queimado.
Não queria acreditar no que os meus olhos acabavam de presenciar.
— Mas porquê eu… meu Deus?!... — balbuciei.
Dei a volta e desatei a correr de volta a casa. Peguei no telefone e disquei, o mais rápido que os meus dedos podiam.
— Está?... Está lá por favor! — Sou eu novamente — disse afogueado — é para trazerem um reboque que desta vez foi… um camião TIR que me entrou pelo palheiro dentro!...

11 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 42

EFEMÉRIDES – Dia 11 de Fevereiro
Elliot Paul (1891 - 1958)
Elliot Harold Paul nasce em Linden, Massachusetts, EUA. Graduado pela Malden High School, participa na 1ª guerra mundial em França. Trabalha como jornalista e dedica-se à escrita inspirado na sua experiência militar. Escreve 10 romances policiários protagonizados por Homer Evans, onde a detecção pura e a sátira se misturam. Além destes, publica mais vinte de romances policiários.


Roy Fuller (1912 – 1991)
Roy Broadbent Fuller nasce em Failsworth, Lancashire, Inglaterra. Educado na Blackpool High School trabalha como solicitador, serve na Royal Navy e, mais tarde, lecciona na Oxford University. Este escritor britânico é reconhecido pela sua obra poética. Escreve Savage Gold (1946) um livro de aventuras e lança-se na área do romance policiário em 1948 com With My Little Eye que é descrito como um exemplo perfeito de uma historia de crime. Segue-se The Second Curtain (1953) e Fantasy and Fugue (1954), também editado com o título Murder in Mind. Em 1988 foi publicado Crime Omnibus, que reúne estas três obras do escritor.



Sidney Sheldon (1917 – 2007)

Sidney Schechtel nasce em Chicago, Illinois - EUA. É escritor, guionista e director em Hollywood nos anos 40. Está no sexto lugar na lista dos escritores de ficção que mais livros vendem em todo o mundo, com mais de 300 milhões exemplares, traduzidos em 51 idiomas. Tem vários livros adaptados ao cinema e televisão e recebe mais de trinta prémio ou galardões, com destaque no policiário para o Edgar Allan Poe Award em 1969 com The Naked Face.Os livros de Sidney Sheldon têm sido editados em Portugal pelo Círculo de Leitores; Publicações Europa América (na colecção Obras de Sidney Sheldon) e pela Livros do Brasil na Colecção Vida e Aventura.O primeiro livro deste autor publicado em Portugal foi The Naked Face com o título A Face Nua, o nº 160 da Colecção Enigma na Edições Dêaga em 1972. Este livro é reeditado pela Círculo de Leitores com o título A Outra Face em 1985 e pela Europa- América em 1992 - Rosto Nu.


TEMA — ENIGMA POLICIÁRIO
(Teoria)
Referimos anteriormente que os enigmas ou problemas policiários, segundo os pormenores nele inseridos, são de diversos tipos, classes ou espécies-tipos, conceito este mais adequado. O que se segue é do tipo CONTRADIÇÃO — certamente o mais usado em problemística — e consiste em encontrar no texto de enredo uma contradição dos factos materiais, ou imateriais, como por exemplo nas declarações dos intervenientes que se contradizem ou contradizem os factos observados pela narração. Não é incomum o declarante, na ânsia de se livrar do imbróglio, ter lembranças tardias que não passam de mentiras. Tenha-se em atenção os falsos álibis, as recordações exageradas que não correspondem à realidade.


ENIGMA PRÁTICO — UM TELEFONEMA ANÓNIMO
De Austin Ripley
O relógio batia suavemente as oito badaladas, quando o médico legista, Dr. Bryerson, disse:
— Este ferimento no coração produziu morte instantânea, Fordney. Ela morreu entre as duas e as quatro horas.
­— Isto faz-nos lembrar um suicídio — observou o Sargento Merry. Mas será mesmo? — Acrescentou abrindo casualmente uma caixa de bombons que estava em cima de uma mesa, ao lado do cadáver.
— Repare, professor. Mostrou uma fotografia de jornal de um empresário de um cabaret, Frank Malddon, um dos admiradores da jovem morta.Fora rasgada do jornal da tarde e colocada em cima dos bombons. Estava manchada de sangue.
— Talvez ela tenha sido assassinada e colocou isto aqui para denunciar quem a matou — comentou Merry
Fordney ficou em silêncio diante da cadeira onde se sentava Bebea Beluscu, a vítima, com um pijama vermelho e um jornal manchado de sangue no regaço. No chão estava uma automática de calibre 25. O ângulo do ferimento dirigia-se para baixo. Bebea era excepcionalmente alta. Faltava uma quarta parte dos bombons de camada superior da caixa…
Aquele telefonema anónimo informara-os da morte de Bebea… a porta aberta do apartamento… perfeito…
As investigações revelaram que os dois únicos visitantes foram Jim Dalton e Frank Malddon.
Estes indicaram:
Danton — Hoje era o aniversário de Bebea. Mandei-lhe aquela caixa de bombons de manhã vim vê-la cerca das 2.30h, saí às 2.45h. Estava satisfeita e viva a essa hora.
Malddon — Fui ao apartamento de Bebea às 8.30h, a porta estava aberta… encontrei-a morta. Nada podia fazer, por isso parti imediatamente. Não fui eu que informei a polícia, estou a responder num processo de homicídio.
O Professor Fordney pensou um pouco e ordenou ao sargento uma prisão.
Quem foi preso?
Pense um pouco, ponha-se no lugar do célebre Professor Fordney e arranque a solução.
policiariodebolso@gmail.com

10 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 41

EFEMÉRIDES – Dia 10 de Fevereiro

HOMENAGEM EDGAR WALLACE


O nascimento é uma débil estrela que crescerá de forma opaca ou cheia de luz. A estrela de Wallace só na morte do escritor em 10 de Fevereiro de 1932 revelará todo o brilho que foi seu apanágio. De facto, filho ilegítimo de um casal de actores miseráveis, Wallace nasce no dia 1 de Abril de 1875 e foi adoptado por um vendedor de peixe. Vendeu jornais e leite, foi soldado na África do Sul, poeta e jornalista; regressa a Inglaterra cheio de querer e desde logo, começou a escrever. De improviso e fácil diálogo, tremendamente produtivo, chegando a escrever seis livros em simultâneo. O êxito levou-o para a área do cinema e, quando morreu cheio de dívidas, deixou milhares de dólares de direitos de autor para os herdeiros. Nada menos que 173 livros, traduzidos em 28 línguas, 23 peças de teatro, 655 sketches, 957 novelas e contos, 165 filmes extraídos das suas obras, incontáveis artigos espalhados por revistas e jornais.
Richard Horatio Edgar Wallace nasceu uma estrela opaca para morrer cheio luz de luz.

Frederick Van Rensselaer Dey (1861 – 1922)
Nasce em Watkins Glen, no estado de New York, EUA. Advogado de profissão inicia-se na escrita durante o processo de recuperação de uma doença. Escreve para edições populares americanas (Dime Novel e Pulp Fiction). Em 1891 é contratado para continuar a série de aventuras de Nick Carter, série de mistério/detective iniciada por John R. Coryell. Dey escreve para este personagem 185 romances e 437 contos. Sob o pseudónimo Marmaduke Dey publica 5 romances e 2 peças de teatro. Utiliza ainda outros pseudónimos: Varick Vanardy com que escreve 8 romances; para outros editores assina como Ross Beckman, Dirck Van Doren e Frederic Ormund; em colaboração com mais escritores escolhem os pseudónimos Bertha M. Clay e Marian Gilmore. Autor muito produtivo e popular, destacam-se na sua obra literária The Magic Word e The Magic Story com mais de vinte edições cada e Night Wind, contos sob o pseudónimo Varick Venardy, publicados entre 1913 e 1920.



E. L. Konigsburg (1930)
Elaine Lobl Konigsburg nasce em Nova Iorque. É escritora e ilustradora de livros para crianças e jovens. Galardoada com vários prémios é uma autora reconhecida pelo seu contributo para literatura infantil e juvenil. No campo policiário destaque para:
The View from Saturday (1996)
Silent to the Bone (2000)
The Outcasts of 19 Schuyler Place (2004)
The Mysterious Edge of the Heroic World (2007)
Uma colecção de livros para jovens (10-14 anos) que juntam enigmas, mistério e história de detectives.



TEMA — ESPIONAGEM – Alguém que foi ESPIÃO e HERÓI
Sidney Reilly (1873 – 1925)
Agentes do Secret Intelligence Service (SIS), o mais proficiente, melhor equipado e talvez o mais implacável serviço de espionagem ao longo dos tempos, tem somado êxitos indiscutíveis, alguns dos quais nunca serão revelados. Não Reilly, o capitão Sidney Reilly manifestou-se como um super-espião. Filho de um irlandês e de uma bela russa, herdara o sangue romântico e temperamental, o bastante para se ligar activamente, sem fins lucrativos, ao serviço de espionagem britânico. Correu o mundo antes de ser enviado para a pátria doa czares, com missão de enfraquecer o colosso russo a favor do Japão. Instalou-se na Manchúria sob o disfarce de negociante de madeiras, período em que teve contacto com o famoso capitão Tanama e descobriu que um dos seus compatriotas era agente russo. Prestes a ser apanhado antecipou-se, tomou a decisão — jornada difícil e longa — de chegar ao Japão. Daí acompanhou os eventos então ocorridos — a vitória militar nipónica — para a qual teria contribuído conforme interesses britânicos. Só em 1910 a presença do capitão voltou a ser assinalada, mudara de nome e de condição — na Rússia, cuja língua dominava perfeitamente. Regressou à Pátria com um relatório imenso e apreciado. Alistou-se na Royal Flying Corps (RFC) no início da 1ª guerra mundial, cobrindo-se de glória pelo seu arrojo. É ferido e condecorado. O Departamento de espionagem precisa dele, acode para desaparecer deliberadamente, algures na Rússia. Na missão de que fora encarregado caminha entre a Alemanha e a Rússia onde se insinuou entre os revolucionários de Março, que destruíram o domínio czarista, sem que a sua identidade fosse posta em causa. Apoderou-se de valiosos documentos secretos de natureza política mundial, o que lhe permitiu à Inglaterra proceder às suas escolhas. Teve de enfrentar a acusação de ser um espião ao serviço do estrangeiro, mas Reilly, como bom elemento de Intelligence, forjou documentos, arranjou provas tão brilhantes que confundiu o inimigo, acabando por condenar o denunciante. Mas nada seria como antes, a dúvida ficou e passou a ser vigiado primeiro e depois procurado. Prevenido, escapa-se. No seu alcance o governo põe o retrato na imprensa e oferece uma quantia elevada pela sua localização, no entanto Reilly está a caminho da pátria. Em 1925 vigia de nova para a Rússia. Foi a derradeira façanha, foi morto perto da aldeia de Allakul na Rússia, abatido a tiro pelos agentes da polícia secreta da URSS em luta emocionante, tenaz e desigual para o heróico britânico.
M. Constantino

9 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 40

EFEMÉRIDES – Dia 9 de Fevereiro
Le Livre de Poche (1953)
Data do lançamento em França de Le Livre de Poche, uma colecção literária fundada e impulsionada por Henri Filipacchi que reúne vários amigos editores em torno deste projecto. O formato de livro de bolso existia desde 1905 com romances populares a baixo preço, mas a aposta de Le Livre de Poche é na literatura de qualidade a um preço seis vezes menor do que o formato habitual. A colecção é um sucesso empresarial e depressa a edição de policiais e de thrillers se junta à dos clássicos. A autora mais vendida é Agatha Christie, com mais de 40 milhões de livros vendidos, seguida de Émile Zola com 22 milhões.

O Le Livre de Poche continua activo após quase 60 anos de actividade editorial.



Michel Vianey (1939 – 2008)
Nasce em Paris. Jornalista, escritor, argumentista e realizado é mais conhecido pelos filmes policiais que escreve para cinema e televisão, Salientam-se Un Assassin Qui Passe (1981), Un Dimanche de Flic (1983) e Spécial Police (1985).


TEMA — ESTATÍSTICA: LONGEVIDADE DAS DAMAS DO CRIME

As escritoras e os escritores são seres humanos. Nem sempre inteligentes, por vezes imaginativos, ociosos ou trabalhadores, estudiosos ou mandriões. Ricos ou pobres têm alegrias e tristezas, êxitos e fracassos, são cobardes ou valentes, sujeitos à abastança, à fome, ao amor e ao ódio, ambíguos, nascem, vivem ou vegetam e morrem. Idênticos atributos para as escritoras. Eis uma pequena estatística da longevidade das Damas do Crime.
Shirley Jackson (1916 – 1965) 48 anos
Holly Roth (1916 – 1964) 48 anos
Craig Rice 1908 - 1957) 49 anos
Frances Noyes Hart (1890 - 1943) 53 anos
Josephine Tey (1896 – 1952) 55 anos
Ethel Lina White (1876 – 1944) 57 anos
Margery Allingham (1904 – 1966) 62 anos
Mary Fitt (1897 - 1959) 62 anos
Joanna Cannan (1898 – 1961) 63 anos
Charlotte Armstrong (1905 – 1969)
Dorothy L. Sayers (1893 – 1957)
Elisabeth Sanxay Holding (1889 – 1955) 66 anos
Frances Lockridge (1896-1963) 67 anos
Phoebe Atwood Taylor (1909 - 1976) 67 anos
Doris Miles Disney (1907 – 1976) 69 anos
Helen Reilly (1891 - 1962) 71 anos
Georgette Heyer (1902 – 1974) 72 anos
Carolyn Wells (1862 – 1942) 73 anos
Anthony Gilbert (1899 – 1973) 74 anos
Evelyn Berckman (1900 - 1978) 78 anos
Rae Foley (1900 – 1978) 78 anos
Elizabeth Daly (1878 - 1967) 79 anos
Baronesa Orczy (1865 – 1947) 82 anos
Mary Roberts Rinehart (1876 - 1958) 82 anos
Patricia Wentworth November (1878 - 1961) 83 anos
Ngaio Marsh (1895 – 1982) 83 anos
Agatha Christie (1890 – 1976) 86 anos
Miriam Allen DeFord (1888 – 1975) 87 anos
Anna Katharine Green (1846 – 1935) 89 anos
Vida média de 69,3 anos.


TEMA — FICÇÃO CIENTÍFICA EM PORTUGAL

(actualizado em Dezembro 2014)
Como sucede com quase todas as classes de Literatura, e Portugal não é excepção, a Ficção Científica foi aflorada ao longo dos tempos por um ou outro autor sem que conscientemente pretendesse escrever obra da temática, como é o caso, das utopias, a que muitos estudiosos, mais ou menos fundamentados, negam enquadramento na ficção científica. Estão nesta consideração o Canto VIII de Os Lusíadas, de Luís de Camões, no qual se descreve a fabulosa Ilha dos Amores, e um ou dois episódios de A Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. É o caso, igualmente, de alguns escritores sob pseudónimos anglo-saxónicos, cujos temas de cientista louco, Frankenstein, guerras futuras entre continentes, etc.,são postos em evidência, conquanto emoldurados na Literatura de emoção.
Conscientemente, Ficção Científica propriamente dita, quer no que respeita a autores nacionais, quer traduções estrangeiras, mais estas do que aquelas na proporção de 100 (cem) para um (1), só após a segunda Guerra Mundial se desenvolveram em Portugal. E, por outro lado, bastante difícil, tal a falta de dados existentes, indicar qual o texto que mereceria a honra de encetar o género Fernando Saldanha, um estudioso da matéria, ele próprio escritor da classe, situa o primeiro original em 1955 com a publicação das novelas de A. Maldonado Rodrigues (Domingues) Vieram do Infinito e Os Mágicos, seguidas de vários contos de Carlos Macedo, Maria Judite de Carvalho e Francisco Reich de Almeida, etc. Por sua vez, Hugo Rocha, autor de Outros Mundos, outras Humanidades, revela no prefácio de A Ameaça Cósmica, de Luís Mesquita ser A Mensagem no Espaço (Mensageiro do Espaço), deste último autor, o primeiro trabalho de ficção científica de autor nacional. Consideramos porém o romance Através do Espaço, de Frederico Cruz (1903-1972), escrito em 1937 mas só publicado em 1942 um sério candidato ao título da primazia. Seja como for, as obras publicaram-se, leram-se e são hoje extraordinariamente difíceis de encontrar no mercado. E isto embora, como explica o editor da Colecção Satélite que se quedou pelo primeiro número, mau grado o nosso natural cepticismo dada a relativamente pouca audiência que este número inexplicavelmente tem continuado a encontrar entre nós e ainda o facto, tristemente comprovado, de autoria portuguesa não ser ainda acarinhada pelo público em certos ramos de literatura.

M. Constantino

8 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 39

EFEMÉRIDES – Dia 8 de Fevereiro
Júlio Verne
(1829 – 1905)
Jules Verne nasce em Nantes, França. Tal como aconteceu com William Morris, Samuel Butler, Bulwer-Lytton, Albert Robida e o próprio Edgar Poe, entre outros, não foi incluído como autor de ficção científica, pela quase totalidade dos especialistas. No entanto, Verne escreve num género e viveu permanentemente com ele. Na sua época não havia, de facto, a chamada ficção científica e quanto muito, Verne era o autor por excelência da literatura de antecipação.
Começou por estudar lei, mas estava mais interessado em escrever. Abandona os estudos e trabalha como corrector na bolsa para se sustentar sem deixar de escrever. Em 1863 aparece Cinco Semanas em Balão das suas Viagens Extraordinárias. Curiosamente este balão era muito mais perfeito do que os então existentes. Dá conta que o público gosta e surgem mais viagens extraordinárias e aventuras, não só pelo ar, como à lua e ao centro da terra. Em 1870 publica Vinte Mil Léguas Submarinas com um submarino que nunca ninguém ainda construíra, ainda que existisse um modelo holandês de 1620 e outro de 1776 de um estudante de Yale, sem forma prática de navegação. O submarino de Verne tem aparelho de direcção e inovações que foram utilizadas para um submarino operacional conseguido em 1880
Não se fica por aqui e, ainda que por vezes seja apelidada de literatura infantil, ressalta da mesma uma sabedoria tal, que vale a pena ler e reler.
Em breve resenha, destacamos:
Cinco Semanas em Balão (1863)
Viagem ao Centro da Terra (1864)
Da Terra à Lua (1865)
À Volta da Lua (1869)
Vinte Mil Léguas Submarinas (1869/70)
Uma Cidade Flutuante (1871)
Volta ao Mundo em 80 Dias (1874)
O Raio Verde (1882)
A Ilha da Hélice (1895)
Robur, o Conquistador (1886)
A Aldeia Aérea (1901)
O Senhor do Mundo (1904)
A Caça ao Meteoro (1907) obra póstuma publicado em versão revista




André Gillois (1902-2004)
Maurice Diamantberger nasce em Paris. É um dos pioneiros da rádio em França, Escritor, argumentista e realizador (com o pseudónimo D. B. Maurice. Tem uma longa carreira e uma vasta obra literária com destaque para 125, Rue Montmartre (1958), vencedor do Prix du Quai des Orfèvres do mesmo ano. O último livro de André Gillois foi publicado em 2000.


TEMA — CRIMINOLOGIA – Local do Acidente
Encontrado um corpo, se ferido, a polícia deve chamar a equipa de paramédicos para prestar assistência; se morto deve permanecer como foi encontrado. Na dúvida de ter havido acidente, suicídio ou crime, o local deve ser isolado para certificar a não destruição de indícios probatórios. Compete ao médico, regra legista, confirmar a morte, a causa, a provável hora da mesma, aproximadamente, pela temperatura, lividez ou rigor mortis, que pode fornecer pistas cruciais para uma investigação, antes da autópsia. Os agentes fazem observações preliminares, interrogam testemunhas (se as houver), o que constará do relatório de ocorrência. A posição do cadáver pode contribuir para estabelecer o diagnóstico diferencial entre homicídio, suicídio ou acidente, quer considerado individualmente, quer conjugado com outros elementos, pelo que antes do levantamento do corpo, este deve ser fotografado de vários pontos associados ao local onde foi encontrado. Este local deve ser registado pela fotografia e desenho esquemático. Também imprescindível, por ser de grande utilidade, a fotografia métrica judiciária, pois permite fixar as distâncias entre os diferentes objectos e as suas rigorosas dimensões. A justiça, através dos seu colaboradores especializados não deixará de assimilar e recolher tudo o que constituir pistas ou indícios, tal como impressões digitais, manchas de sangue, urina, sémen, pelos, cabelos etc. e porventura, armas, cartuchos, detonadores. A busca estende-se à roupa do morto, calçado, unhas, vestígios de pegadas, de arrastamentos, rastos de veículos ou exame destes, se presentes no local. Tudo. Nada é demais, o exame no local é um auxiliar precioso.
M Constantino

7 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 38

EFEMÉRIDES – Dia 7 de Fevereiro
Charles Dickens (1812 – 1870)
Charles John Huffam Dickens nasce em Landport, na ilha de Portsea na costa sul de Inglaterra. É considerado o escritor mais popular do período vitoriano e nos seus romances a critica social tem uma presença forte . Apesar de não ser encarado como um escritor de ficção policiária, é óbvia a ligação da sua obra ao crime e ao mundo dos criminosos. Por exemplo, em The Adventures of Oliver Twist (1838) o famoso carteirista Fagin é um verdadeiro professor do crime ao treinar os miúdos da rua na arte do roubo, em The Life and Adventures of Martin Chuzzlewit (1844) o detective particular Nadgett, é encarregado de resolver um assassinato, e em Bleak House (1853) há o detective Inspector Bucket e um mistério para esclarecer. Dickens interessa-se pelas actividades da Polícia e não nega o seu fascínio pelos detectives profissionais, o que é bem patente em vários textos curtos, como The Detective Police e On Duty with Inspector Field, publicados na revista semanal Household Words (1850 - 1859). Charles Dickens more inesperadamente e deixa por terminar The Mystery of Edwin Drood, um romance publicado em folhetins mensais.


J. S. Fletcher 1863-1935
Joseph Smith Fletcher nasce em Halifax, West Yorkshire, Inglaterra. É jornalista e escritor. Escreve o primeiro romance, Andrewlina, em 1889, ao qual se seguem quase duas centenas de romances e contos do género clássico popular. Cria o investigador privado Ronald Camberwell, protagonista de livros cuja acção decorre em Londres. The Middle Temple Murder de 1919 é considerado o seu melhor trabalho.

Data do histórico duelo entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, dois intelectuais da época. Antero considerado um temperamental ilhéu, bélico e atrevido na linguagem, mas de débil compleição física e que ousava com presunção, desafiar um tripeiro ágil e destemido, de características atléticas, apanágio de Ramalho, o qual era já de antemão tido como vencedor, havendo quem temesse pela sorte do açoriano. O evento teve lugar em Arca de Água, no Porto, e Ramalho sai ferido sai ferido aos primeiros passos. O acontecimento foi fortemente comentado e os portuenses não calavam o pasmo.
Nota: Existem diferentes datas atribuídas a este duelo: 4, 6 e 7 de Fevereiro de 1966. Sem hipótese, de momento, de poder confirmar a data exacta a opção foi de manter o dia 7 , referenciado por Eça de Queirós nos seus registos.

TEMA — JUSTIÇA – Os Duelos e a Lei
Data do histórico duelo entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, dois intelectuais da época. Antero considerado um temperamental ilhéu, bélico e atrevido na linguagem, mas de débil compleição física e que ousava com presunção, desafiar um tripeiro ágil e destemido, de características atléticas, apanágio de Ramalho, o qual era já de antemão tido como vencedor, havendo quem temesse pela sorte do açoriano. O evento teve lugar em Arca de Água, no Porto, e Ramalho sai ferido sai ferido aos primeiros passos. O acontecimento foi fortemente comentado e os portuenses não calavam o pasmo.
Nota: Existem diferentes datas atribuídas a este duelo: 4, 6 e 7 de Fevereiro de 1966. Sem hipótese, de momento, de poder confirmar a data exacta a opção foi de manter o dia 7 , referenciado por Eça de Queirós nos seus registos.

TEMA FICHA CRIMINAL — O PRAZER DE MATAR
Cada dia, em algum lugar, uma pessoa chega ao último dia da sua existência. O caso Grace Buddle dez anos de idade parecia ter pouquíssimas possibilidades de ocorrer no domingo, 3 de Junho de 1925. Ainda que para os pais e o filho Edward, de dezoito anos, e a pequena Grace estivessem muito longe da abundância, formavam uma família feliz. Edward publicara um anúncio a pedir um emprego e tudo melhoraria. O optimismo deste foi confirmado, um homem de avançada idade e aspecto respeitável, Frank Howard dava uma oportunidade a Ed para viver ao ar livre, ajudando-o numa quinta em Farmingdale. Por gratidão, confiando no homem baixo e de cabelos brancos, o casal permitiu que ele levasse a filha, Grace, a uma festa infantil que a irmã de Frank Howard ia dar naquela tarde.
Não voltaram a vê-la com vida.
Não havia qualquer festa. A pequenita foi levada a uma casa desabitada em Greenburgh, onde Albert Fish — o verdadeiro nome de Howard — a estrangulou.
Passaram-se seis anos antes que alguém tivesse notícias de Grace Budd. Todavia, em 11 de Novembro de 1934, os Budd receberam uma carta enviada pelo assassino, informando que se acostumara a comer carne humana com um amigo, o capitão John Davis, e não resistiu em levar Grace, e depois de a estrangular, comê-la. Não a tomara, morrera virgem, afirmava.
A carta causou um efeito terrível. Contrataram o detective Smith que descobrira a pista de Fish, de 66 anos, até Nova Iorque, onde foi preso a 13 de Dezembro. Tinha em seu poder uma série de recortes narrando os crimes que cometera Fritz Haarmann , o vampiro de Hanover. Fish confessou o assassinato e até ao julgamento no Tribunal de White Planes foi submetido a variadíssimos exames psiquiátricos pelo Dr. Fredric Wertham, que considerou Fish um dos casos de perversão mais desenvolvidos da literatura de psicologia. Fish confessou que sentia prazer em matar crianças e que actuava segundo as ordens de deus. Admitiu cometer actos obscenos com quase uma centena de crianças e ter assassinado quinze, em vinte e três estados, desde New Jersey a Montana.
Parecia óbvio que a defesa de Fish se basearia em loucura. Mas em 12 de Março de 1935 os jurados opinaram pela culpa deliberada de assassinato em 1º grau. A única esperança de Fish estava nas apelações, enquanto aguardava a execução em Sing Sing. Não sabemos o prazer que teve na sua própria execução na cadeira eléctrica, numa manhã gélida de 1936.
M. Constantino

6 de fevereiro de 2012

LIVROS - NOVIDADES

O Homem que Era Quinta Feira (Janeiro de 2012) de G. K. Chesterton foi editado pela Alêtheia Editores
Sinopse (Wook)
Poderemos confiar em nós próprios quando não sabemos quem nós somos? Syme utiliza o seu novo conhecimento para entrar infiltrado no Conselho Anarquista da Europa Central e ficar a conhecer a sua mortífera missão, sob o nome de Quinta-feira. Num parque londrino, o agente secreto Gabriel Syme mete conversa com um anarquista. Quando descobre que no Conselho está outro agente infiltrado, Syme começa a colocar em questão o seu papel na missão. À medida que uma desesperada perseguição pela Europa começa, a sua confusão cresce assim como a sua confiança na sua capacidade de derrotar os inimigos. Ainda assim, terá que enfrentar o maior terror do Conselho: o seu líder: um homem conhecido por Domingo, cuja natureza humana é muito pior do que alguma vez Syme imaginou.


Publicado pelas Edições Asa na Colecção: 1001 Mundos e em fase pré lançamento está a Antologia de Ficção Científica Fantasporto, de vários autores.
Sinopse (Wook)
O Fantástico nasce da mente e imaginação humanas e encontra campo fértil de expressão nas mais diversas formas artísticas. Tem sido esse o espírito do Fantasporto, e foi aqui objectivo da 1001 Mundos trazê-lo para a literatura.Esta antologia nasce fruto dessa colaboração, e do trabalho do organizador, Rogério Ribeiro.Esperamos que apreciem estes momentos de um tempo que ainda não é - ou que nunca foi - e que saíram da imaginação de autores de três continentes, mas com um forte elo que os une - a Língua Portuguesa.


Editado pela Quinta Essência , Obsessão (Fevereiro 2012) de Sandra Brown vai estar nas livrarias no próximo dia 13. Esta editora publicou os seguintes livros da escritora: Uma Voz na Noite, Vidas Trocadas, Ricochete e Calafrio.
Sinopse (Editora)
Todos morrem na mesma data… será ela a próxima?
Um milagre da medicina proporciona à estrela de televisão Cat Delaney mais do que um novo coração. Com a sua segunda oportunidade de vida, Cat troca Hollywood por San Antonio, onde apresenta um programa de televisão em prol de crianças com necessidades especiais. É nesta cidade que conhece Alex Pierce, um antigo polícia que optou por escrever romances policiais – o primeiro homem a vê-la como uma mulher depois da sua cirurgia. Mas o novo mundo de Cat torna-se assustador quando «acidentes» fatais começam a ceifar a vida de outras pessoas que receberam transplantes do coração e alguém começa a seguir todos os seus movimentos. Cat não tarda a aperceber-se de que Alex talvez – ou talvez não – seja o seu aliado mais importante e que o seu novo coração lhe custa um preço terrível: uma teia de segredos e alguém determinado a acabar com a sua vida. Com o seu novo mundo a tornar-se cada vez mais assustador e um perseguidor misterioso a seguir cada um dos seus movimentos, Cat é apanhada num labirinto sombrio de traição e segredos... e talvez veja demasiado tarde a máscara que esconde o rosto de um assassino.


CALEIDOSCÓPIO 37

EFEMÉRIDES – Dia 6 de Fevereiro
Louis Nizer
(1902-1994)
Nasce em Londres, mas vive a maior parte da sua vida nos EUA. Advogado e escritor é o fundador de uma firma de advogados em Nova Iorque. Ao longo da sua longa carreira defende muitas celebridades, como Charlie Chaplin, Mae West e Johnny Carson. Em 1962 escreve My Life in Court, um dos seus livros mais conhecidos, um bestseller com a descrição de alguns dos seus próprios casos. Em 1973 publica The Implosion Conspiracy, que analisa o julgamento e a execução do casal Rosenberg; o livro baseia-se principalmente na transcrição do julgamento, mas também inclui muitas histórias comoventes de vida dos Rosenberg.
TEMA — O CRIME NA LITERATURA – Não Especializada
A extensão do crime e a variedade dos grupos nele envolvidos refutou teses de que este pode ser explicado por generalizações causais ou que o problema pode ser resolvido como parte de um problema socioeconómico.
A literatura é a expressão da vida humana no que se refere ao belo e ao feio, ao virtuoso e ao maligno, a alma e o espírito do povo eleito ou obscuro captado pela lente fotográfica das letras. As reacções da literatura não especializada — não ligada ao policiário — não ligada ao facto criminológico, pormenorizada por autores dos mais diversos quadrantes.
Escolhemos Portugal e Brasil, língua comum para fixar estes clichés inseridos na rubrica
ANATOMIA DO CRIME
1 – REPARTIÇÃO DE ÁGUAS

Um pouco além do sítio onde a vereda se bifurcava, lá estava patente a prova do delito: o rego de repartido em dois, um fio correndo para a belga do Pimpim, o outro, não mais farto que o primeiro, continuando de rota batida para \as batatas do Francisco.
— É uma vergonha, seu Pimpim. Um homem que faz a barba não pratica destas safadezas.
O outro saltara para o caminho e desculpava-se apaziguador:
— Escuta, Milheirinha, tenho tudo a morrer à sede. Hoje vim ver esta desgraça, com ideias de para aí me pôr a chorar. E vai senão quando os meus olhos deram com o rego de água a correr por aí fora. Não sabia para quem ia a água. E que soubesse, era o mesmo. Pensei em dar um nadinha de água às cebolas.
— E não tem vergonha…
— Homem, compreende…
— Compreendo que é um larápio.
— Milheirinha, criatura de Deus, já todos fizemos coisas destas pelo menos uma vez na vida. Ver os frutos definharem-se sem lhes podermos acudir, retalha o coração, bem sabes. Não faças tanto banzé por nada, homem.
Perdi a paciência. Mas Milheirinha não notara.
— Já lhe disse: vossemecê é um larápio.
João Pimpim chegou para ele.
— Larápio és tu, barbeiro de trampa seca.
— Seu Pimpim, que eu perco a cabeça!
E ergueu o sacho. O outro porém foi mais rápido, jogou-lhe a lâmina da sachola à tola. E ele caiu, como uma massa banhado em sangue. Caiu para o lado sem um ai. A água, que corria cantando, tingiu-se de vermelho.
M.Constantino

5 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 36

EFEMÉRIDES – Dia 5 de Fevereiro
Margaret Millar (1915-1994)
Margaret Ellis Millar nasce em Kitchener, Ontário, Canadá. O seu primeiro romance, The Invisible Worm, em 1941 torna-a alvo de fama. Trabalha também como argumentista a para Warner Brothers. Margaret Millar é casada com Kenneth Millar, mais conhecido pelo pseudónimo, Ross Macdonald, o casal forma uma parceria na escrita e no crime. Em1982 é agraciada com o Grand Master of the Mystery Writers of America e em 1986 recebe o Derrick Murdoch Award.
Nas suas obras cria vários personagens: Paul Prye, um psiquiatra detective amador, Tom Aragon, advogado hispânico e o Inspector Sands. Publica os seguintes livros:
Série Paul Prye
The Invisible Worm (1941)
The Weak-Eyed Bat (1942)
The Devil Loves Me (1942)
Série Inspector Sands
Wall of Eyes (1943)
Taste of Fears , também com o título The Iron Gates (1945)
Série Tom Aragon
Ask for Me Tomorrow (1976)
The Murder of Miranda (1979)


Mermaid (1982)
Margaret Millar escreve ainda cerca de vinte romances policiários, com destaque para Beast In View (1955), vencedor do Edgar Allan Poe Award em 1956 e incluido na lista dos 100 melhores livros de crime e mistério do crítico e novelista H.R.F Keating; A Strange in My Grave (1960) e In Banshee (1983), que são considerados respectivamente um dos seus melhores trabalhos e o enredo mais emocionante.
Em Portugal
1 - Vida por Vida, Minerva, nº76 da Colecção Xis (1958), Vanish In An Instante (1952)
2 – A Bola de Cristal, Minerva, nº83 da Colecção Xis (1958), Beast In View (1955).
3 – A Caixa de Prata, Minerva, nº99 da Colecção Xis (1960), The Listening Walls (1959)
4 - Um Estranho no Meu Túmulo, Averno (2011), A Stranger in My Grave (1960)


TEMA — EGNIMÍSTICA POLICIÁRIA – O Enigma Policiário e a Sua Apresentação
Semente do fruto da literatura policiária e, para além das virtudes do romance e do conto, nasceu o problema policiário ou enigma, tão do agrado de alguns milhares de adeptos ou cultores que ao longo da vida se recrearam ou recreiam com este actuante estímulo cerebral.
Mas o que é o Enigma Policiário?
Fundamentalmente é uma questão exposta para se lhe encontrar solução. De harmonia com o conceito é a descrição de uma coisa que por particularidades ou pelas qualidades que lhe são próprias, ou deliberadamente nela inseridas, de modo a tornar difícil a identificação do que se trata. O mistério que advém destes problemas ou enigmas é um desafio ao espírito observador, dedutivo ou indutivo, estimulante do intelecto ante o labirinto ardiloso da questão. Nada mais do que o desafio contido num conto ou romance policial clássico.
No início dos anos 40 a apresentação de tais enigmas ou problemas que as revistas ofereciam eram exclusivamente apresentados em fotografias, o chamado foto-crime, cuja solução resultava da observação dos pormenores das fotos, com contradições das declarações dos personagens. Trabalho dispendioso para os apresentadores que começaram a usar o desenho manual, o que não resultou, optando-se pela prosa — verso ou peça teatral, por curiosidade.
Hoje muitos anos decorridos, é o relato do crime com enredo integrado, constituindo uma espécie de conto, do qual se requer a finalização (solução) que é usada totalmente ou preferencialmente. E com boas razões, tanto se pode escrever um enigma do tipo clássico, isto é, apresentando o crime, detalhes e suspeitos, pedindo-se a solução, ou apresentar o enigma, descrevendo-o e ao respectivo criminoso e intervenientes, desafiando o solucionista a apontar o erro ou erros que incriminam o delinquente. De qualquer modo são vastas as alternativas e sem dispêndio (fotos), tão só com a imaginação e arte do produtor do enigma ou problema.

Apresentamos um enigma escrito pelo inesquecível Roussado Pinto e desafiamos o leitor a tentar encontrar a solução.

Sam Sixkiller e Paul Justice entraram no escritório onde tinham sido chamados e olharam para o corpo do homem caído sobre a secretária. Ferber, o sargento, estava presente, e em voz breve, disse:
— O médico legista também vem aí, e a brigada de homicídios chega um pouco mais tarde.
— Pormenores?
Ferber informou: Suicídio. É dono da firma, e pelo que parece tudo está complicado em questão económica. Tem dívidas e poucas possibilidades de pagá-las.
Paul rodeou a secretária, e do lado onde pendia a mão da vítima, em pleno solo, estava uma garrafa.
Ele baixou-se, apanhou-a, tirou-lhe a rolha e cheirou-a. Caminhou para o inspector e disse:
— Conheço o cheiro. Veneno demasiado violento. Morte instantânea. Basta uma gota misturada em qualquer líquido para…
Calou-se. Sam não lhe ligava importância. Caminhara para a porta, a receber uma senhora que acabara de entrar.
— É a mulher do morto. Sam, cumprimentou a senhora e na intenção de evitar cenas violentas, disse:
— Desculpe, mas é melhor esperar lá fora. Por agora, tem que nos deixar trabalhar.
— Mas que aconteceu, meu Deus?
— O seu marido suicidou-se.
Perdão — interveio Paul. — O marido desta senhora não se suicidou. Foi assassinado.
O que levou Paul Justice a optar pelo assassínio?
Envie a sua resposta para
policiariodebolso@gmail.com na volta do correio receberá a solução do autor.


M. Constantino

4 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 35

EFEMÉRIDES – Dia 4 de Fevereiro
Maurice Procter (1906 – 1976)
Nasce Maurice Procter em Nelson, Lancashire, Inglaterra. Ingressa na polícia em 1927, publica o primeiro livro em 1947, No Proud Chivalry e, ao constatar que pode viver apenas da escrita, dedica-se a esta em exclusivo. A experiência na polícia confere realismo à sua obra literária. Procter, entre 1947 e 1969, publica um total de 26 livros. É conhecido pela série Martineau, um total de 14 títulos, em que o protagonista é Harry Martineau, um Inspector Chefe da polícia de Granchester City. Seis dos seus romances foram adaptados ao cinema, incluindo Rich Is The Treasure (1952) e Hell Is a City (1954).
Em Portugal, Maurice Procter estão editados os seguintes livros:
1 - E o Diabo os Juntou, Portugália Editora, nº2 da Colecção Olho de Lince
2 - Dinheiro do Diabo, Portugália Editora, nº5 da Colecção Olho de Lince, 1963
3 - A Emboscada, Portugália Editora, nº8 da Colecção Olho de Lince
4 - Mudança ao Luar Agência Portuguesa de Revistas, nº 5 Colecção Dossier Crime, 1965, (Devil in Moonlight, 1962)
5 - Dois Homens em Vinte, Empresa Nacional de Publicidade, nº 19 Colecção Policial Esfinge, 1967 (Two Men In Twenty, 1964)


Harry Whittington (1915-1990)
Harry Benjamin Whittington nasce em Ocala, Florida EUA. É um escritor policiário de um género violento e novela negra. Entre 1950 e 1970 publica cerca de 200 romances, alguns dos quais adaptados ao cinema e televisão. Reparte o título de rei da ficção Pulp com H. Bedford-Jones. Na sua vastíssima produção literária utiliza 15 pseudónimos diferentes: Ashley Carter, Blaine Stevens, Clay Stuart, Curt Colman, Hallam Whitney, Harriet Kathryn Myers, Harry White, Henri Whittier, Hondo Wells, J. X. Williams, John Dexter, Kel Holland, Suzanne Stephens, Tabor Evans e Whit Harrison.


Jean-Pierre Bastid (1937)
Nasce em Montreuil, França. É escritor e realizador. Tem vários livros publicados em nome próprio e é co-autor em outras obras com Jean-Patrick Manchette, Michel Martens, Jean-Pierre Lajournade e Charles Villeneuve. O romance mais conhecido é Laissez Bronzer Les Cadavres! (1971), que segundo a crítica representa uma renovação do polar e do policial negro francês.



Peter Driscoll (1942-2005)
Nasce em Londres. Escritor, repórter e editor é um autor de bestsellers. Escreve vários romances, a maioria thrillers internacionais e uma peça de teatro.
Bibliografia:
1 - The White Lie Assignment (1971), com acção na Albânia
2 - The Wilby Conspiracy (1972), com acção na África do Sul
3 - In Connection With Kilshaw (1974), com acção na Irlanda
4 - The Barboza Credentials (1976), com acção em Moçambique
5 - Pangolin (1979), com acção em Hong Kong

6 - Heritage (1982), com acção na Algéria
7 - Spearhead (1987), com acção em na África do Sul
8 - Secrets of State (1992), com acção nos EUA
9 - Spoils of War (1994), com acção no Iraque




TEMA — HISTÓRIA DA NARRATIVA POLICIÁRIA (1)
Antes de Poe
É actualmente inquestionável que a verdadeira narrativa policiária nasceu com Edgar Allan Poe ao publicar no número de Abril de 1841 no Graham's Lady's and Gentleman's Magazine, de Filadélfia, o conto The Murders in the Rue Morgue. E é bem possível que o autor não tivesse consciência do seu notável feito, porquanto ao fazer a crítica dos seus contos, o citado, A Carta Roubada e O Mistério de Marie Roget (os três personalizados pelo primeiro investigador amador da História) referia-se a estes contos analíticos devem em grande parte a sua popularidade ao facto de apresentarem uma nova chave. Todavia, ninguém poderá afirmar se a ideia analítica será ou não resultado do conhecimento de anteriores escritos, já que a análise dedutiva é remota. Veja-se a fábula do Leão e da Raposa, de Esopo, a História de Daniel no Tempo do deus Baal (Bíblia), um e outro reportando-se à interpretação analítica dos rastros.
De Salomão, rei de Israel, juiz célebre, sábio, decifradores de charadas, conhecem-se alguns episódios interessantes e sinais de notável inteligência. Citam-se entre outros, o desvio da pedra de xadrez e o

CASO DA ROSA ARTIFICIAL
Tendo chegado a soberana de Sabá dos remotos países da Ásia à corte do sábio Salomão a fim de lhe prestar homenagem, quis a soberana avaliar a subtileza do espírito de Rei Hebreu, pedindo a solução de alguns enigmas.
Apresentou-lhe a rainha, para que as diferenciasse, uma rosa natural e outra artificial, tão iguais entre si, que seria impossível ao olho humano distingui-las.
Ordenou o rei que as colocasse no jardim.
Breve veio uma abelha, mirou com desdém a rosa artificial e foi segredar misteriosamente no cálice da flor natural.
Por um estratagema habilidoso, Salomão consegui decifrar o enigma.
O poder de observação são dinos de um moderno e treinado detective.
Nas obras dramáticas, As Coéforas de Ésquilo e Rei Édipo de Sófocles, perduram desafios de interesse.
Arquimedes, no notável Vitrúvio Tratado de Arquitectura, nos dá em A Coroa do Rei uma extraordinária lição de dedução-indução. Também Virgílio em Eneida (Livro VIII) nos apresenta uma achega com a lenda do monstro Caco.

3 de fevereiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 34

EFEMÉRIDES – Dia 3 de Fevereiro
Modesto Navarro
– (1947)
António Modesto Navarro nasce em Vila Flor. Serve nas forças armadas como fuzileiro naval em Moçambique. Regressa à vida civil e trabalha em publicidade e associações culturais. Desenvolve intensa actividade política e é fundador da Associação Portuguesa de Escritores. Publica contos, ensaios e romances, num total de cerca de 40 obras. Na modalidade policiário, sob o pseudónimo de Artur Cortez, escreve três livros. Posteriormente na mesma linha, mas sob Modesto Navarro escreve outros romances entre os quais Condenada à Morte a que foi atribuído em 1991 o Prémio Caminho de Literatura Policial É o autor de histórias da série policial Crime à Portuguesa, da RTP.
Bibliografia Policiária:
A Morte no Tejo (Artur Cortez ), A Regra do Jogo Edições, 1982
A Morte dos Anjos (Artur Cortez ), Livros Horizonte, 1983
A Morte do Artista (Artur Cortez ), Ulmeiro, 1984
A Morte no Douro, Ulmeiro, 1984
O Pântano, Ulmeiro, 1986
Condenada à Morte, Caminho, nº138 Policial de Bolso (1991)
Fina Flor, Caminho, nº158 Policial de Bolso (1993)

Henning Mankell (1948)
Nasce em Estocolmo, Suécia. Trabalha como dramaturgo durante vários e publica o seu primeiro em 1973. Escreve peças de teatro, ficção e livros infantis. Actualmente divide a sua vida entre a Suécia e Moçambique onde desenvolve a sua actividade teatral como director do Teatro Avenida de Maputo. Na literatura policiária é o criador do Kurt Wallander, um oficial da Polícia de Ystad. É um dos autores suecos mais conhecidos e os seus livros são bestsellers internacionais.
Em Portugal os seus livros têm sido editados pela
Editorial Presença na colecção Fio da Navalha.
1 - Assassino Sem Rosto, nº 30 Colecção Fio da Navalha, (Faceless Killers,1991)
2 - A Quinta Mulher, nº 37 Colecção Fio da Navalha, (The Fifth Woman, 1996)
3 - A Falsa Pista, nº 42 Colecção Fio da Navalha, (Sidetracked, 1995)
4 - Os Cães de Riga, nº 48 Colecção Fio da Navalha, (The Dogs of Riga, 1992)
5 - A Leoa Branca, nº 57 Colecção Fio da Navalha, (The White Lioness, 1993)
6 - O Homem que Sorria, nº 66 Colecção Fio da Navalha, (The Man Who Smiled, 2005)
7 - Um Passo Atrás, nº 92 Colecção Fio da Navalha, (One Step Behind, 1997)
8 - A Muralha Invisível, nº 101 Colecção Fio da Navalha, (Firewall, 1998)
9 - O Homem de Pequim, nº 106 Colecção Fio da Navalha, (The Man from Beijing, 2010)
Apenas este último não pertence à série Kurt Wallander.

Site oficial do autor
http://www.henningmankell.com/

2 de fevereiro de 2012

NOVIDADES - LIVROS

Anatomia de um Desaparecimento

A Livraria Civilização Editora lançou Anatomia de um Desaparecimento de Hisham Matar, escritor de origem líbia que nasceu em Nova Iorque e vive actualmente em Londres.

Sinopse (Wook)

Nuri é ainda um rapaz quando a mãe morre. Parece que nada poderá preencher o vazio que a sua estranha morte deixa no apartamento do Cairo que Nuri partilha com o pai. Até aparecer Mona. Quando Nuri vê Mona pela primeira vez, com o seu fato de banho amarelo, sentada na borda da piscina da estância de férias do Magda Marina, o mundo à sua volta deixa de existir. Mas é pelo pai de Nuri que Mona se apaixona e com quem acaba por casar – e a sua felicidade consome Nuri ao ponto de ele desejar tirar o pai do caminho. Contudo, Nuri depressa se arrepende de o ter desejado. Quando o seu mundo e o da sua madrasta são abalados por acontecimentos que não conseguem controlar, ambos se apercebem do pouco que realmente sabiam sobre o homem que amavam.

CALEIDOSCÓPIO 33

EFEMÉRIDES – Dia 2 de Fevereiro

Frank L. Packard (1887-1942)
Frank Lucius Packard nasce em Montreal, Canadá. Engenheiro civil de profissão, trabalha no Canadian Pacific Railway. A partir de 1911 dedica-se à escrita, em 1914 escreve e publica The Miracle Man e em 1917 inicia a série protagonizada por Jimmie Dale com The Adventures of Jimmie Dale (1917). Jimmie é um aventureiro, um malfeitor para a polícia e um justiceiro para os delinquentes. Este personagem, nascido fabulosamente rico e graduado em Oxford, é sócio do sigiloso St. James Club, solteiro, rodeado de servidores é um conquistador entre as mulheres de alta sociedade, onde conhece tudo e todos. Aborrecido, disfarçado de vagabundo, converte-se em Larry o Morcego, para se permitir os roubos convenientes, divertindo-se a desarticular os grandes bandos violentos, deixando a marca pela qual é conhecido Gray Seal — o selo cinzento.


Frank Gruber (1904-1969)
Nasce em Elmer, Minnesota, EUA. É também conhecido pelos pseudónimos Charles K. Boston, John K. Vedder e Stephen Acre. Fixa-se em Iorque onde passa momentos difíceis enquanto escreve para revistas. Publica o primeiro romance, um western, em 1934, mas só em 1940 alcança a fama com o primeiro livro policiário, The French Key, seguido de The Laughing Fox, do mesmo ano, protagonizado pela dupla Johnny Fletcher e Sam Cragg, dando início a uma série de bons romances policiários. Johnny e Sam são uma parelha de vendedores de um único livro, oportunistas, mas inteligentes. O primeiro é um cérebro, mas um bom cérebro que assombra a própria polícia com as deduções e descobertas sobre os crimes que se lhe deparam, é uma espécie de detective amador, Sam designado por jovem Sansão, é a forma em que se apoia o primeiro. Johnny Fletcher e Sam Cragg, sem família e sem emprego fixo tentam viver e divertir-se, o que nem sempre é fácil… ressalvando o humor e o optimismo que dão mostras.
Frank Gruber escreve mais de 60 livros policiários, mais de 2 centenas argumentos para cinema e televisão e cerca de 300 contos para revistas, reproduzidos em várias colecções e antologias.
Em Portugal diferentes editoras têm vindo a publicar os livros de Frank Gruber. O primeiro a ser editado, em 1951, pela Livros do Brasil , o nº51 da Colecção Vampiro é O Enigma do Quarto Fechado (The French Key). A
Livros do Brasil-Vampiro editou já mais 30 títulos diferentes de Frank Gruber. A Publicações Europa – América também publicou uma dezena de livros de Frank Gruber na Colecção Livros de Bolso, Clube do Crime.


Georges Pierquim (1922)
Nasce em Aix-en-Provence, França. Escritor, jornalista, fotógrafo, produtor de televisão. Dedica-se ao rádio com Claude Duvel, tem um programa de enigmas policiais. Escreve o primeiro romance com o pseudónimo Georges E. Perkins em 1955 L’Assassin Frappe Deux Fois. Com um intervalo de cinco anos, volta a escrever com a colaboração de Jimmy Guieu; adoptam o pseudónimo Jimmy G. Quint e escrevem romances de espionagem Destination Cataclysme (1960), Vengez Ma Trahison (1961) e Pouvoirs Spéciaux (1961) etc. etc. Só ou em colaboração escreve três ou quarto livros por ano.

1 de fevereiro de 2012

AINDA SETE DE ESPADAS

Como já se disse, Sete de Espadas iniciou-se no enigma policiário no princípio da década de 40, talvez mais propriamente no ano de 1944 ou 1945. De qualquer modo desde logo se destacou, com vivacidade invulgar, na defesa da literatura de mistério e emoção. Daí que ao aparecer no mercado nacional a publicação brasileira Policial em Revista, fizesse chegar a sua escrita de letra garrafal ao Brasil.
Em 1946 o redactor da referida revista, assinala a publicação de uma das suas críticas, que publica do seguinte modo:


Veio-nos de Portugal, há algum tempo, uma colaboração de Manuel José Lattas, residente em Agualva-Cacém. Se tem boa memória devem lembrar daquele bem feito trabalho intitulado Chesterton ou Wallace? Que deu início em nossas colunas a uma polémica do nosso colaborador A.B.. Hoje inserimos novo trabalho do Amigo Português.


VANTAGENS DA LITERATURA DE FICÇÃO
De Manuel José Lattas
Procurando bons autores, cujas traduções são bem cuidadas, eu posso encontrar entre as suas personagens todos tipos do dia a dia da vida, verdadeiramente retratados, absolutamente reais e ligados por aquele fio que assenta em bases de pura dedução lógica e me encaminham para a resolução final de um problema que me atai e seduz.
Lendo-os eu encarno um a um, todas as suas personagens e posso sentir amor, paixão, desilusão ódio, ciúme cinismo abnegação, justiça e toda a gama de sentimentos que nós mortais temos cá dentro, calcados bem no fundo do nosso íntimo, mais ou menos em estado latente.
Além do magnífico e salutar exercício cerebral, eu vou encontrar sempre nas páginas da literatura policial, uma figura que me domina e que me prende, quer esteja incarnada num inspector de polícia, num advogado ou num detective particular, mas que é, acima de tudo, um magnífico paladino da justiça e da moral, cumpridor da lei, que a lei é muitas vezes sofisma e um lutador enérgico contra o Universo cheio de mentiras idealista e onde o mal impera.
Confesso que leio livros policiais e isso não me assusta nem me diminui. A crescente expansão do romance policial trouxe as suas obrigações e deveres; um vastíssimo público, composto de homens das leis e de ciência, de médicos, de engenheiros e de toda a espécie de especialistas não podia deixar de ser observante e exigente; e para satisfazer este Argos de olhos inexoráveis tornou-se necessário um extremo cuidado na construção e apresentação da história. Um erro ou deslize podia deitar abaixo ou invalidar a solução. Cada nova conquista da ciência criou responsabilidades novas. A história policial manobra hoje todos os lados da ciência, da arte e da lei.
E por tudo isto e pelo muito que fica por dizer, eu não tenho medo de me confessar um defensor da literatura policial, que já não faz encolher desdenhosamente os ombros senão a uma meia dúzia de senhores muito sérios e superiores a estas coisas, tudo o que seja realmente vivo e do nosso tempo.
Entre os mestres do género, sem margem para discussão, está colocada a criadora da figura extraordinária do detective amador Sir Edward Palliser morador no nº 9 de Queen Anne’s Close, um beco sem saída — Agatha Christie!
Prefiro, porém, Oppenheim!
Mais romancista! Os seus livros são sempre histórias bem delineadas e bem dosadas. Ele não tem necessidade de forçar; não procura as histórias de rabo torcido e também não tem necessidade de puxar muitos cordelinhos para a movimentação das suas personagens. Ali tudo é natural e lógico. Nada de aventuras rocambolescas, nem plataformas especiais.
Simples! Humano! Leal!

SETE DE ESPADAS

Sete de Espadas (1921-2008)

1 de Fevereiro de 1921, data de nascimento de Sete de Espadas ou Tharuga, pseudónimos usados respectivamente para o policiário e para o charadismo de Manuel José Lattas, natural da Chamusca, Ribatejo. Iniciou-se no policiário no princípio da década de 40, na secção dirigida por Repórter Mistério (Gentil Marques). Foi amor à primeira vista, amor para ficar e se desenvolver. Não só abraçou a modalidade de solucionista como a de Produção. Nesta última modalidade é de relevar, a par de outros, o título de Campeão Nacional, no II Torneio Nacional de Problemística Policiaria, disputado em 1958, com Lúcifer Interveio na História. Com vocação especial para o relacionamento com a juventude, vê, com satisfação, os mais jovens de ontem tomarem-se os Homens de hoje! Pode orgulhar-se de, até hoje, ser o homem que mais Secções Policiárias dirigiu e mais convívios entre policiaristas organizou, desde as Tertúlias dos cafés às visitas a vários locais do país, em plena e franca confraternização.
Dirigiu a primeira Secção no Jornal de Sintra (1947), com o título, predilecto, de Mistério e Aventura; em 1948, aparece no Camarada, com nova Secção; em 1953, são as Secções do Guião, Em fim de Livro... na Colecção Xis, a da Lente (propósito editorial próprio!); em 1954, no Cavaleiro Andante, com a Página Dezassete e o pseudónimo de Misterioso C. A.; em 1956, no Jornal do Sporting. Uma pausa para ganhar fôlego, surgindo, em 1975, na revista Crime (editada pelo Inspector Varatojo), no Mundo de Aventuras Especial, na Secção Mistério Policiário do Mundo de Aventuras (de 1975 a 1986), no Jornal O Crime (1989 a 1994) — e no mesmo com a Secção Édipo e a Esfinge, de 1995 até ao falecimento em 9 de Dezembro de 2008. Dias antes, já muito doente, ainda prometia um torneio policial para aquela secção a iniciar em 2009.
Lutador incansável, não esquecemos que criou e manteve com muita dedicação, durante 32 números, debaixo de canseiras e dificuldades monetárias que se adivinhavam, uma revista própria — o seu maior sonho — a XYZ.
O Sete de Espadas está referenciado como um dos três grandes do policiário português: Repórter Mistério, o introdutor do enigma em Portugal; Artur Varatojo, o divulgador nos jornais, rádio e televisão; e Sete de Espadas que expandiu o policiário português e lhe deu expressão, o homem que mais adeptos conseguiu captar — iniciou, manteve e reconduziu muitos dos afastados para a modalidade.O SETE marca três gerações de aplicação do poder do raciocínio e profunda amizade.

M. Constantino

CALEIDOSCÓPIO 32

EFEMÉRIDES – Dia 1 de Fevereiro
Ribeiro de Carvalho (1952)
Data do nascimento em Torres Novas do policiarista Eduardo Filipe Ferreira Bento. Solucionista e produtor, que conquistaria um amplo horizonte. Contista de enormes qualidades é lembrado pelo seu anonimato voluntário. Em sede própria voltaremos a lembrar o autor.



H. C. Bailey (1878 – 1961)
Data do nascimento de Henry Christopher Bailey em Londres. É repórter do Daily Telegraph entre 1901 e 1946 e começa a escrever literatura histórica. Publica o primeiro romance policiário em 1930, Garstons (ou The Garston Murder Case), onde cria o personagem Joshua Clunk, também herói de The Red Castle (1931), um malandro e hipócrita, uma espécie de detective que chega a disfarçar-se de beata para atingir os seus fins. No entanto Reggie Fortune é o primeiro personagem que aparece no conto Call Mr Fortune (1920) e que dá origem a uma série e entra no romance Shadow on the Wall (1934) e continua em outros, alternando com Clunk. Reginald Fortune ou Reggie é baixo, gorducho louro e de olhos azuis, parece uma criança, mas é astuto e é o favorito do público, chegando a aparecer em dois volumes de contos por ano durante duas décadas.


Matthew Head(1907-1985)
Nasce John Edwin Canaday em Fort Scott, Kansas-EUA. Frequenta a universidade do Texas e serve no Marine Corps durante a 2ª Guerra. É professor universitário de História de Arte e publica vários livros sobre temas de arte sob o nome de John Canaday. Escreve o seu primeiro romance policiário The Smell of Money em 1943. Em 1945 com apresenta um personagem fixo, a Drª Mary Finney, que volta a aparecer numa série de romances. A acção de muitos dos livros de Matthew Head decorre em África em Brazaville, no Congo.
Bibliografia: The Smell of Money (1943), The Accomplice (1947) e Another Man's Life (1953); na série Drª. Mary Finney
: The Devil in the Bush (1945) The Cabinda Affair (1949), The Congo Venus (1950) e Murder at the Flea Club (1955).




Leonard Gribble (1908-1985)
Leonard Reginald Gribble nasce em Londres. Usa os pseudónimos de Bruce Sanders, Dexter Muir, James Gannett, Landon Grant, Lee Denver, Leo Grex, Louis Grey, Piers Marlowe e Sterry Browning. Pertence ao Press and Censorship Division do Ministério da Informação em Londres entre 1940 e 1945. Escritor imaginativo e prolífero escreve muitos policiários, mais de uma centena de romances e múltiplos contos curtos, espalhados pelas revistas da especialidade. Inicia-se em 1929 com The Case of the Marsden Rubies, o primeiro da série Anthony Slade e Departmento X2. Com o pseudónimo Leo Grex começa uma nova série com os protagonistas Paul Irving and Phil Sanderson: The Tragedy at Draythorpe Hutchinson (1931) e The Nightborn (1931).
Leonard Gribble é um dos membros fundadores da Crime Writers Association em 1953.



Colin Watson (1920 - 1983)
Nasce em Croydon, Surrey – Inglaterra. Escritor e jornalista, publica o primeiro romance em 1958. Cria vários personagens: Inspector Walter Purbright and Lucilla Teatime. É famoso pela série Flaxborough, um total de 13 títulos, alguns dos quais adaptados pela BBC, na série televisiva Murder Most English.
Bibliografia: Coffin, Scarcely Used (1958), Bump in the Night (1960), Hopjoy Was Here (1962), Lonelyheart 4122 (1967), Charity Ends at Home (1968), Flaxborough Chronicle (1969), The Flaxborough Crab (1969) também editado com o título Just What the Doctor Ordered, Broomsticks over Flaxborough (1972) também editado com o título Kissing Covens, The Naked Nuns (1975) também editado com o título Six Nuns and a Shotgun, One Man's Meat (1977) também editado com o título It Shouldn't Happen to a Dog, Blue Murder (1979), Plaster Sinners (1980), Whatever's Been Going on at Mumblesby? (1982).


CONTO — O MUNDO É UMA ESPERANÇA
Dissemos no início que Ribeiro de Carvalho era um contista de enormes qualidades, agora podemos acrescentar que nas várias categorias, porque o conto que transcrevemos, da sua autoria, é um conto de ficção científica de 1993 publicado na revista Célula Cinzenta, ainda que extenso é um bem a não perder.

Pese embora todos os esforços e verbas que governos e instituições privadas dedicaram à investigação, é certo que o vírus continuava a fazer vítimas a um ritmo alarmante. Dos laboratórios saíam regularmente vacinas, remédios, xaropes e outros tratamentos para combater o mal. Mas o vírus ia resistindo, modificava-se, criava novas formas e quando os cientistas esgotaram o alfabeto a baptizar as suas várias manifestações, passaram a utilizar nomes latinos tão do agrado da comunidade.
Bruxos, gurus, mães-santas, ervanários, hipnotizadores, iam fazendo fortunas com a cura do mal, mas o vírus continuava a alastrar. Alguns hospitais sentiam-se já impotentes para dar guarida e tratamento a todos os doentes que lhes apareciam e um sentimento de medo ia-se apossando progressivamente de todos os povos. Os governos apelavam à calma, aconselhavam o uso de preservativos, faziam grandes campanhas nos meios de comunicação. Mas nada resultava.
A primeira tentativa séria de pôr ordem na Sociedade, veio da Igreja Católica. O Papa publicou uma encíclica em que excomungava todos aqueles que tivessem relações sexuais extra-conjugais ou com pessoas do mesmo sexo. Era contra as leis de Deus e da natureza, dizia, e quem não cumprisse estas directivas arderia eternamente no Inferno. Do alto dos púlpitos, os padres ameaçavam os indignos com as penas mais pesadas que se pudessem imaginar e apelavam para que os verdadeiros católicos se lançassem numa nova Cruzada contra todos os seguidores de Satã. Começaram a surgir distúrbios nas casas nocturnas, incêndios, destruições, apedrejamentos. As prostitutas e homossexuais eram ferozmente perseguidos e a mais antiga profissão do mundo estava em vias de extinção.
Seitas político-religiosas, ultra-conservadoras, formaram-se rapidamente e espalharam-se por todo o mundo. Em Itália, os Filhos da Virtude, que preconizavam a abolição de todo o tipo de relações sexuais e a supressão dos toxicodependentes, ganharam as eleições nacionais com 53% dos votos. Na Índia, os Guerreiros da Inocência sofreram 60.000 baixas durante uma manifestação reprimida pelo governo. Durante os dois primeiros anos após o aparecimento da Encíclica, 27 partidos de cariz nitidamente racista assumiram o governo dos seus países, em eleições livres e democráticas.
O principal objectivo destes partidos tornou-se a eliminação de todas as formas de exploração e desejo sexual. Grandes estádios passaram a servir de campos de concentração onde prostitutas, homossexuais, artistas pomo, livreiros pouco escrupulosos, pintores de nus, se amontoavam até as autoridades definirem o seu destino que, normalmente, acabava em valas pouco fundas. Bibliotecas foram obrigadas a fechar. Estações de televisão proibidas de passarem qualquer programa que contivesse, explícita ou implicitamente, referência a sexo ou drogas. A maioria acabou por encerrar. Foi generalizado o uso obrigatório de véus e saias para as mulheres e túnicas para os homens. Naturalmente, a investigação sobre o vírus, sofreu fortes retrocessos até que estabilizou num nível mínimo.
Movimentos de resistência apareciam e desapareciam mas, embora com grandes perdas, iam consolidando e profissionalizando as suas acções. Os principais alvos que, no princípio, tinham sido os Santuários da Moral, depressa passaram a ser as figuras político-religiosas. De entre todos, sobressaiu o movimento conhecido da Esperança que, nascendo em França, se espalharam rapidamente por toda a Europa e depois pelo resto do mundo, tornando-se um verdadeiro exército internacional.
As medidas tomadas pelos vários governos, porém, eram ainda insuficientes. O vírus continuava a espalhar-se e a aterrorizar as populações. As percas sofridas pelo C.P.S., Confederação dos Povos do Senhor, formada por todos os países Defensores da Virtude, corresponderam a 10% do total da população, nos primeiros quinze anos da Confederação; esta percentagem era nitidamente inferior às dos restantes países onde, durante o mesmo período, a percentagem de mortos em virtude do vírus foi de 27%. A apresentação destes números, acompanhada por uma campanha de propaganda devidamente elaborada, levou à tomada de poder pelos partidos irmãos da C.P.S. com o apoio de parte significativa da população.
As várias agências e organizações humanitárias que tiveram a sua missão dificultadas, foram dissolvidas. Os membros da Organização Mundial de Saúde, da Cruz Vermelha, do Crescente Vermelho e de todas as outras, foram perseguidos e presos, considerando-se que todos se tinham mostrado incapazes e Inimigos da Fé. O edifício da ONU, em Nova Iorque, foi implodido dando assim origem ao fim do Mundo Velho e ao nascimento da Nova Ordem.
Mas ninguém conseguia eliminar o vírus e embora os Guerrilheiros da Esperança sofressem baixas altíssimas, as suas forças eram, ainda que lentamente ao princípio, rapidamente substituídas por elementos da população. Calcula-se que em 25 anos as suas baixas, motivadas pelo vírus, foram da ordem dos 47%.
Apesar disso, as suas acções tornavam-se cada vez mais significativas. Assaltos a depósitos de armamento, destruições de templos, libertação de crianças dos Orfanatos de Deus, libertação de áreas geográficas e organização das populações. Nesta altura, a estratégia definida pelo Alto Comando dos GEs passava pela consolidação do movimento em áreas significativas. Lembre-se, no entanto, que um dos feitos mais espectaculares durante esse período, foi o assalto ao estádio do Maracanã, de onde libertaram 40.000 prisioneiros.
O aparecimento dos Territórios Livres agravou os problemas internos dentro da CPS. Com uma população a reduzir-se significativamente, em virtude das mortes causadas pelo vírus e, principalmente, por deserção, a CPS viu-se subitamente com grandes cidades abandonadas, vias de comunicação destruídas, fábricas fechadas, insurreições armadas. Culpando os Adoradores do Vírus pelo estado caótico da economia, o Comando Militar dos Anjos decidiu bombardear os territórios livres com armas químicas, de neutrões, de protões, com tudo o que ainda havia nos seus arsenais e estava operacional.
Quando ELES chegaram, verificaram que tinha havido um pequeno erro de cálculo. O computador da nave informava ainda 27.324 humanos em todo o planeta.
Não se importaram. Tinham passado duzentos anos desde que inocularam o vírus nos duzentos humanos. Podiam esperar outro tanto.

FEVEREIRO

Os romanos chamavam-lhe FEBRUARIUS, de Februus deus dos mortos, também de februare – purificar, porque era o mês em que se celebravam as festas expiatórias dos Lupercais.
Já que é o mais pequeno dos meses do ano, 28 dias ou 29 nos anos bissextos, deixamos ao exemplo de uma pequena fábula moderna de um dos grandes pensadores do século passado, Anthony de Mello (in The Song of a Bird).



COME A TUA PRÓPRIA FRUTA
Queixava-se um discípulo ao mestre:
O senhor conta-nos histórias, mas nunca nos revela o seu sentido.
E respondeu o Mestre:
Que dirias se alguém te oferecesse uma fruta já mastigada?


Resposta acertada. O sentido das coisas é um bem que ninguém dá, é uma descoberta pessoal.
Com demasiada frequência o ser humano tem tentado ignorar ou banir a verdade fundamental, de que tem de semear antes de colher, de ganhar antes de poder gastar, de APRENDER ANTES DE COMPREENDER. A vida não é governada por actos ou circunstâncias extrínsecas, vindos de fora. Cada um de nós cria a sua própria vida pelos pensamentos que tem.
É a faculdade de pensar, de raciocinar, de melhorar a sua condição, o sentido das coisas que torna os humanos diferentes de outras espécies animais, só está nas nossas mãos pelo menos tentar apoiar o nosso pensamento em bases adequadas… ninguém pode fazê-lo por nós!

M. Constantino