21 de janeiro de 2012

MISTÉRIO QUARTO FECHADO

REALIDADE VIVIDA

19 de Novembro de 1799, numa manhã como as outras, Emma Chavesse — na intimidade Mannette — desceu para a cozinha, preparou o pequeno almoço e dirigiu-se para o quarto da patroa, Louise Dauvinier. Bateu à porta do quarto e sem esperar resposta como de costume prepara-se para entrar. A porta não se abriu. Insistiu virando a maçaneta e encontrou a mesma resistência. Estaria trancada? Sentiu a maçaneta húmida e pegajosa. Maquinalmente limpou a mão são avental e aproximou o candeeiro de luz pálida. Viu que estava suja de sangue, também no avental, onde se limpara se notavam vestígios de sangue. Apavorada, deixou a bandeja e correu para a entrada gritando que haviam assassinado a patroa.
Um homem sexagenário, antigo polícia, agora jardineiro, pegou num pequeno machado e seguiu a criada tentando abrir a porta sem sucesso. Viu as manchas de sangue, acenou com a cabeça com entendimento e passou diante uma chorosa Mannette, dirigiu-se para o jardim tentando abrir as janelas hermeticamente fechadas. Voltou para dentro e tentou entrar pela porta do toucador ligado ao quarto, mas foi avisado pela criada que a patroa tinha a porta sempre bloqueada pela mesa de um pesado penteador. Estranho, pensou o homem, um crime em quarto fechado.
Era necessário forçar a porta. Dois vizinhos que entretanto acudiram, com a ajuda de uma viga que foram buscar fora, arrombaram a porta, não sem dano. No escuro tactearam até abrir a janela. Deparou-se-lhes um quadro horrendo: a Senhora Dauvinier estava pendurada com um lenço em volta do pescoço, estrangulada. Cortado o laço e deitada sobre a cama, viam-se longos fios de sangue por toda a parte e duas feridas terríveis de faca ou punhal. Marcas de sangue bordejavam o leito, como se Dauvinier tivesse ficado sentada. Os golpes de punhal tinham sido dados com violência, excluído a possibilidade de a própria se apunhalar, dada a localização. Demais não se encontrou a arma. A vítima tinha saúde robusta, mostrava-se alegre e nada propícia ao suicídio. Crime! Porém como poderia ter fugido o criminoso de um quarto completamente fechado?
As averiguações levadas a cabo descobriram que a vítima era uma antiga prostitua de luxo, pela qual uma condessa se apaixonara. Todavia, a prostituta abandonara bruscamente, retirando-se para alguns quilómetros de Paris, fazendo uma vida recatada. Vivia com Mannette, há muito tempo aposentada, que lhe servia de empregada e parecia ser-lhe devotada. Esta dormia no primeiro andar de um quarto que dava para os campos, não se apercebera da ocorrência, para mais era um pouco surda. Os vizinhos também nada viram nem ouviram.
Os investigadores não encontraram motivos para o crime. Havia dinheiro sobre o toucador, algumas jóias e, estranhamente, um punhal de cabo artisticamente trabalhado, com um motivo audacioso que a criada afirmou nunca ter visto. Aliás verificou-se que era a arma do crime e através dela chegou-se ao criminoso. De dado em dado levou a um jovem soldado da 17ª Brigada do Exército do Reno, Felicien Jeannet, por quem a vítima se apaixonara e era a razão do seu afastamento, não só da condessa como da vida de prostituta. Jeannet acabou por confessar: por ciúme apunhalara a amante e fugira. Restava saber como tinham sido trancadas as portas e janelas… A pobre mulher tinha pelo amante mais amor do que supunha. Apunhalada, sentindo a morte aproximar-se, não quisera mais do que salvar aquele que a havia matado. Com auxílio de Mannette consegui ir até à porta do quarto, despedir-se da criada e trancar a porta. Limpou a arma e enforcou-se como lenço.
Esperava que diante da impossibilidade do crime, se concluísse tratar-se de um suicídio. Em vão, não há crimes impossíveis!

20 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 20

EFEMÉRIDES – Dia 20 de Janeiro
Irving Le Roy
(1909-1972)
Data do falecimento de Robert Georges Debeurre, escritor de aventuras policiárias populares. É conhecido em Portugal pelo supra citado pseudónimo, no entanto tem escritos sob uma extensa lista de pseudónimos como Georges Méra, Ergé Hemm, Rudy Georg Maïer, Irving Heller, Henry Haines, Susan Vialad, Howard Trévor, Andy Knight e provavelmente Jaime Barbara, Gérald Rose, Georges de Guérigny, Robert J. Dolney e outros.

Reg Gadney (1941)
Nasce em Cross Hills, Yorkshire-Inglaterra. Trabalha na área da arqueologia e do teatro. Inicia-se na escrita em 1971, mas só em 1984 se torna escritor a tempo inteiro. Escreve para televisão e cinema, adapta duas obras policiárias para o pequeno ecrã: The Bell (1958) The Sculptress (1993) de Minette Walters. Escreve os seguintes romances de ficção: Drawn Blank (1970), Somewhere in England (1971), Seduction of a Tall Man (1972), The Last Hours Before Dawn também conhecido como Victoria (1974), Something Worth Fighting For (1974), The Champagne Marxist também conhecido como The Cage (1977), Nightshade (1987), The Achilles Heel (1996), The Scholar of Extortion (2003), The Woman in Silk (2011). Na série Alan Rosslyn, um detective privado, publica os seguintes títulos Just When We Are Safest (1995), Mother, Son and Holy Ghost (1998), Strange Police (2000), Immaculate Deception (2006).
Em Portugal o primeiro livro da série Alan Rosslyn é editado em 1996 pela Difel, na colecção Literatura Estrangeira, Rivalidades e Corrupção, um livro que se encontra esgotado.



UM TEMA — ESPIÕES E TRUQUES DE ESPIONAGEM
Ora admirado, ora odiado, simplesmente ignorado, mais frequentemente perseguido, o espião é um alvo a abater. Registemos alguns comentários breves de escritores sobejamente conhecidos.

Ao lavar as mãos recebi um arranhão no pulso esquerdo de um alfinete que a lavadeira (calculei) deixara na toalha. Correu um pouco de sangue, mas envolvi o ferimento num lenço e, fatigado, deitei-me adormecendo depois. Meia hora mais tarde fui despertado por uma dor em todo o lado esquerdo — um estranho entorpecer nos músculos da cara, das mãos e na garganta que me impedia de respirar ou de gritar. Tentei erguer-me e premir o botão da campainha e pedir auxílio, mas não o pude fazer. Aquele alfinete tina sido ali colocado de propósito. Fora sem dúvida envenenado…
William Le Queux (1864-1927)

Fechou por completo os olhos. Os circunstantes fitaram-no. Razunov fez esforço para se recordar de algumas palavras francesas.
— Je suis sourd — disse, voltando a desfalecer.
— É surdo, — exclamaram eles. Eis porque não ouviu o carro.
Horas antes, enquanto a trovoada ainda não feria a noite, verificou-se na sala de Julius Lispara uma sensação, O terrível Nikita, vindo do patamar, erguera a sua voz rouca e sombria diante de todos os presentes:
— Razunov! Mr. Razunov! O maravilhoso Razunov! Nunca mais será utilizado como espião por ninguém. Não falará, pois jamais ouvirá seja o que for na sua vida. Absolutamente nada. Rebentei-lhe os tímpanos. Oh! Podem confiar em mim. Sei como fazer as coisas, Sim, sei como fazer as coisas!
Joseph Conrad (1857-1924)

De qualquer modo o espião pode ser um ser admirável passível de consideração, no aspecto de carácter e honestidade, não restam dúvidas que no plano profissional o espião é ipso facto, um mentiroso e ladrão! Mais ainda. Ele entra na função de corromper e subornar, aproveita-se deliberadamente das fraquezas dos outros de forma a levá-los à traição. Para obter os seus resultados poderá utilizar a extorsão e a chantagem. O facto de o seu móbil ser diferente de um vulgar ladrão, não entra em linha de conta…
Eric Ambler (1909-1998)

M.Constantino

19 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 19

EFEMÉRIDES – Dia 19 de Janeiro

Edgar Allan Poe (1809-1849)

Edgar Allan Poe (1809-1849)
Esta data e o ano de 1809 é memorável para a literatura policiária.
Nasce em Boston Edgar Poe, por adopção Edgar Allan Poe que é considerado incontestavelmente o criador da narrativa do género. Pode dizer-se que nasceu sob o signo do infortúnio, que em parte ele viria a contribuir, levado pelo génio que havia em si, um génio poeta sensível, onde abunda a fantasia, o sobrenatural, a magia e o terror levados até ao paroxismo da arte. Todavia, soube aproveitar-se, com excepcional brilho imaginativo e lógica matemática, para construir uma narrativa, de um novo tipo, publicada em Abril de 1841 no Graham's Lady's and Gentleman's Magazine, de Filadélfia, intitulada The Murders in the Rue Morgue. Com ela cria um novo género, a narrativa de dedução, cronologicamente o primeiro mito da investigação policiária, no protagonista C. (Charles) Auguste Dupin, que é o herói de mais dois relatos, The Mystery of Marie Roget (1842) e The Purloined Letter (1844). Enquadrados no tema policiário são de referir ainda Thou Art the Man (1844) em que o assassino é a pessoa menos suspeita, norma posteriormente seguida por muitos outros autores, e The Gold Bug (1843), um notável conto de criptografia em que o autor foi mestre e especialista. De resto, para além do policiário, toda a obra, poesia incluída, é de transbordante qualidade. Aconselhamos vivamente uma leitura detalhada de Edgar Allan Poe.

Alexander Woollcott (1887-1943)
Alexander Humphreys Woollcott nasce em Colts Neck, New Jersey-EUA. Escritor, jornalista, crítico teatral e literário escreve vários artigos sobre literatura policiária. Em 1934 reúne os seus melhores trabalhos em While Rome Burns, um bestseller, onde se destaca o texto Hands Across the Sea, sobre a justiça em tempo de guerra e The Mystery of the Hansom Cab onde Woollcott explica a sua perspectiva sobre um acontecimento verídico (O caso Nan Patterson). The Mystery of the Hansom Cab é seleccionado em 2008 pela Library of America para ser incluído na retrospectiva de 200 anos de crimes verídicos americanos e está publicado em True Crime: An American Anthology. O conto de Woollcott Moonlight Sonata está incluído no The Vicious Circle (2007), uma antologia de Otto Penzler com escritores dos anos 20.


Patricia Highsmith (1921-1995)
Nasce Mary Patricia Plangman em Fort Worth, Texas-EUA. Cedo decide ser escritora, apenas com 16 anos. O romance Strangers on a Train (1949) foi um êxito cujos direitos foram adquiridos e levado à tela por Hitchcock em 1951. Em The Blunderer (1954) repete o estilo, entre o suspense e o interesse em fazer sobressair os delinquentes sob os aspectos mais 1955 publica The Talented Mr. Ripley onde põe em evidência as andanças de um estranho personagem, Tom Ripley. Este é culto, educado, sedutor, não é um detective nem um gangster, escroque ou justiceiro, mas um homem totalmente desprovido de consciência, frio ou indiferente, que mata sem escrúpulos, por dinheiro ou por prazer, sem outra razão, talvez para manter o elevado nível de vida. É um homem que vive com a excitação da crueldade. A autora repete em vários romances as aventuras patológicas de Ripley, que parece seduzir os leitores. Highsmith usa também o pseudónimo Clare Morgan no romance The Price of Salt (1952). O ultimo livro Small G -A Summer Idyll (1995) é publicado um mês depois da morte da escritora
Patricia Highsmith é um dos grandes vultos do policiário, com mais de uma trintena de títulos publicados e duas dezenas de contos curtos.

Patricia Moyes (1923-2000)
Patricia Pakenham-Walsh nasce em Dublin, Irlanda. No final da guerra colabora com Peter Ustinov em filmes de ficção. Num período de férias resolve escrever romances policiários. Em 1958 publica Dead Men Don't Ski, o primeiro de uma série de 20 títulos protagonizada por Henry Tibbett e a sua mulher Emmy. A crítica apresenta-a como uma das mais talentosas escritoras do policiário neo-clássico
.



Don Kavanagh (1946)
Nasce em Leicester , Inglaterra Julian Patrick Barnes. Jornalista, critico de televisão, inicia a carreira de escritor policiário, sob o pseudónimo Don Kavanagh,em 1980 com Duffy em que protagonista é um ex-polícia bissexual, Nick Duffy. Nesta série escreve: Fiddle City (1981),Putting the Boot In (1985) e Going to the Dogs (1987).

Thierry Jonquet (1954-2009)
Nasce em Paris. Lança-se na escrita em 1984, considerado um modelo do estilo negro francês, é hoje um dos mais conhecidos escritores franceses de crime/policiário. Thierry Jonquet utiliza quarto pseudónimos Phil Athur e Vince C. Aymin Pluzin para dois ateliers de escrita que dirige; Martin Eden para dois livros relacionados com a série televisiva David Lansky e Ramon Mercader para três romances de ficção política. Depois do primeiro romance policiário, Mémoire en Cage (1982), segue-se Du Passé Faisons Table Rase (1982), Le Bal des Débris (1984) e, sob o pseudónimo Ramon Mercander, Cours Moins Vite Camarade, le Vieux Monde Est Devant Toi (1984). Thierry Jonquet é um escritor galardoado com vários prémios, com destaque para as seguintes obras: La Bête et la Belle (1985), Moloch (1998) e Les Orpailleurs (1993). Pedro Almodovar adapta ao cinema o romance Mygale, com o título A Pele Onde Eu Vivo. Em Portugal estão publicados:
A Morte Pode Esperar (2006); Editora Ulisseia; Título Original: Ad vitam aeternam (2004)
Tarântula (2011); Editora Objectiva; Título Original: Mygale (2002).

18 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 18

EFEMÉRIDES – Dia 18 de Janeiro

Milne (1882-1956)
Alan Alexander Milne nasce em Kilburn, Londres. Jornalista e editor da revista humorística Punch é famoso pelos livros infantis, em particular pela figura de Winnie-the-Pooh. Em 1922 publica o romance The Red House Mystery, onde apresenta o investigador Anthony Gillingman, e o seu colaborador Bill Beverley, que deparam com um crime estranho e aparentemente impossível. É uma parelha excêntrica, divertida, cuja narração mantém uma visão humanística pouco comum. O livro é um sucesso de popularidade, mas os críticos não estão de acordo: se por um lado A. Woollcott considera The Red House Mystery como uma das três melhores histórias de mistério de sempre, Raymond Chandler, no ensaio The Simple Art of Murder critica o modelo de Milne, contrapondo: se um problema não contém elementos de verdade e plausibilidade, não é um problema e se a lógica é uma ilusão, não existe nada para deduzir. Este é o único romance policiário atribuído a A.A.Milne, no entanto este autor publica também o conto, The Rape of the Sherlock (1903), que mais não é do que uma paródia holmesiana e escreve ainda dois livros de mistério. The Fourth Wall (1928), uma peça de teatro, representada pela primeira vez em 1928 no Haymarket Theatre e mais tarde adaptada ao cinema no filme The Perfect Alibi, e Four Days' Wonder (1933) uma narrativa também adaptada ao cinema. Em Portugal The Red House Mystery é editado pela Minerva, o nº50 da Colecção Xis em 1955: O Mistério da Casa Vermelha.



UM TEMA — CRIMINALÍSTICA – JUSTIÇA E PROVA
A tradição representa a Justiça como uma figura de mulher de olhos vendados! Significaria a simbólica venda a integridade da justiça, mantém-se actualmente o símbolo — tornando-a inacessível a subornos, presentes, ignorando as coroas dos reis ou a sedução da carne, no estreito caminho da VERDADE. Significa, em resumo, fechar os olhos e abrir os ouvidos, se bem que o tempo tenha puído a venda, que se afigura já pouco tapar. O mesmo se poderá dizer da balança, deve ter perdido o equilíbrio…
Na prática judicial, não se diz à mulher da venda: Faz justiça!
É necessário a prova.
Durante séculos para punir com justiça os que violavam a lei, os métodos eram bárbaros. O Juízo de Deus pela prova da caldeira, que consistia em mergulhar o braço do suspeito em água fervente para retirar uma pedra do fundo da caldeira. A odiosa superstição de que o inocente não se queimava era revelado pelo juízo de Deus, segundo o grau das queimaduras. De igual modo a defesa em combate singular o próprio acusado, ou quem ele escolhesse para o representar, defendia a sua inocência na prova do pão — se este não atravessasse a garganta era culpado; o julgamento pela cruz, quando o acusado, que deveria ficar de braços em cruz perante um crucifixo, baixasse os braços ou, no caso de dois acusados o primeiro a baixar os braços, era culpado. Por último a tortura, a mais durável é recente, usada pela Inquisição de tão má memória. Qualquer suspeito que lhes caísse nas mãos estava destinado (não podia furtar-se) às mais atrozes torturas e eram utilizados todos os métodos até à confissão do crime. Confessavam preferindo a morte à tortura.
Decorridos tempos, sem tortura visível, a confissão ainda é um elemento de alta importância e relevo, quando não obtida por coacção, portanto espontânea, ainda que não prevaleça desacompanhada de outros factos probatórios.
Constituem objecto de prova todos os factos juridicamente relevantes para a existência ou inexistência do crime e possibilidade ou impossibilidade do sujeito.
Como se vê tem um conceito bastante lato, distinguem-se, porém, dois aspectos: o da forma e o de fundo. O primeiro constata-se por um facto material (documento, perícia) ou experimental através da reconstituição a partir dos elementos conhecidos; o segundo, a prova circunstancial, na maior parte das vezes complexa, em que intervêm procedimentos discursivos — deduções ou induções — ou intuitivos, com base em circunstâncias. Nesta última caberá porventura a prova testemunhal.
A prova final resulta do valor dos meios elementares que entram como componentes do raciocínio, e cada um desses modos de prova desempenha o seu papel na livre apreciação, segundo as regras de experiência e a livre convicção da entidade julgadora.
M. Constantino

17 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 17

EFEMÉRIDES – Dia 17 de Janeiro
Al Capone
(1899-1947)
Nasce Alphonsus Gabriel Capone em Brooklyn, New York-EUA, considerado o maior gangster norte-americano de sempre. Descendente de emigrantes italianos, inicia-se cedo nos gangs de rua. Chefia uma rede de contrabando durante a Lei Seca e acaba por dominar o crime organizado na cidade de Chicago. Conhecido por Scarface, por causa de uma cicatriz na cara, é tido como um homem destemido e implacável. A sua vida e o processo atribulado da sua detenção são inspiração para escritores policiários e também para a indústria cinematográfica.




Grahams S. Moliner (1919-????)
É o pseudónimo adoptado por Graziela Saviotti Molinari. Nasce em Livorno, Itália. Frequenta a Academia de Belas Artes de Brera em Milão. Fixa-se em Portugal em 1939 e exerce a actividade de tradutora, publicista e cenógrafa — trabalha para o teatro Nacional D. Maria II. Publica para a Editorial Gleba (1942-1972), na Colecção Novelas Policiais, o romance policiário A Morte Paira Sobre o Castelo (1948) cujo enredo se desenvolve em Itália.




Roy Lewis (1933)
John Royston Lewis nasce em Rhondda, Glamorganshire, Pais de Gales-Reino Unido. Desde 1969 escreve romances policiários: o primeiro, A Lover Too Many, pretence à série John Crow — um inspector da polícia britânica — tem um total de 8 títulos. Segue-se a série Eric Ward — um polícia que se tornou solicitador —, iniciada com A Certain Blindness (1980) e que atinge o 16º livro Guardians of the Dead, publicado em 2008. A terceira série, Arnold Landonum — um perito em arquitectura medieval e investigador em Northumberland — inicia-se com A Gathering of Ghosts (1982) e tem o 22º livro, Goddness of Death, agendado para o final de Janeiro de 2012. Roy Lewis, que usa também o pseudónimo de David Springfield, tem mais treze romances policiários editados.





John Bellairs (1938-1991)
John Anthony Bellairs nasce em Calhoun County Michigan-EUA. É conhecido pelos mistérios góticos destinados a um público jovem. Os seus livros são protagonizados por Lewis Barnavelt (6 títulos) Anthony Monday (4 títulos) e Johnny Dixon (9 títulos). Escreve ainda os romances The Pedant and the Shuffly (1968) e The Face in the Frost (1969).
O primeiro livro da série Lewis Barnavelt The House With a Clock in Its Walls (1972) é editado em Portugal, em 2006, pela Editorial Presença, nº87 da Colecção Estrela do Mar, com o título A Maldição do Relógio.




UM TEMA — ARQUITECTURA E CONTEXTO DA NARRATIVA POLICIÁRIA – 3
(Suspense)
Na revitalização da corrente dedutiva, a enigmática, por vezes paredes meias, com ela, inclusivamente nela, aparecem as narrativas de suspense: — a arte de transportar a angústia do universo imaginário à consciência do leitor. O elemento policiário, particularmente o detective, desaparece ou é secundário, para dar lugar à ansiedade psicológica. O interesse do leitor deixa de se centrar na pergunta ritual Quem matou? Para Conseguirá o assassino escapar? Pergunta que só o autor habilmente incute com crescente efervescência.
Francis Iles (Anthony Berkeley) dá um primeiro passo em Malice Aforethought (1931)/Malícia Premeditada e em Before the Fact (1932)/Suspeita, sem que se falasse de suspense, mas sim de psicologia. É com William Irish, cujo verdadeiro nome é Cornell Woolrich, que vamos encontrar o real mestre da arte do suspense. Em Irish encontramos a presença da fatalidade; em lugar do detective a vítima ergue-se como personagem central; a vida é vista do lado do acaso; os inocentes são inexoravelmente coagidos a integrar a engrenagem do enredo.
Neste tipo de narrativa, o óptimo mede-se pela dose de angústia real experimentado pelo leitor, pela tensão psicológica e impacto dramático que inocula.
M. Constantino

16 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 16

EFEMÉRIDES – Dia 16 de Janeiro
Magdalen Nabb
(1947-2007)
Nasce em Blackburn, Lancashire, Inglaterra. Em 1975 muda-se para Itália, fixa residência Florença e inicia a carreira de escritora de livros infantis e policiais. Cria Marshall (Sargento) Guarnaccia, personagem central da sua obra policiária. O Sargento Salvatore Guarnaccia dos Carabinieri investiga e procura respostas para crimes. Magdalen Nabb inspira-se em casos reais e situa os acontecimentos dos seus livros sempre em Florença, ou arredores, o que lhes confere um ambiente especial.
Na série Guarnaccia:
Death of an Englishman (1981), Death of a Dutchman (1982), Death in Springtime (1983), Death in Autumn (1985), The Marshal and the Murderer (1987), The Marshal and the Madwoman (1988), The Marshal's Own Case (1990), The Marshal Makes His Report (1991), The Marshal at the Villa Torrini (1993), The Monster of Florence (1996), Property of Blood (1999) Some Bitter Taste (2002), The Innocent (2005) e Vita Nuova (2008).
Em 1986 publica The Prosecutor, escrito em parceria com Paolo Vagheggi. Um enredo onde se cruzam as Brigadas Vermelhas e os Serviços Secretos Militares.
Em Portugal a Editorial Caminho, na Colecção de Bolso/Policial, editou:
Morte de Um Inglês nº2 (1984), Death of an Englishman (1981)
Morte na Primavera nº10 (1985), Death in Autumn (1985)
Morte de Um Holandês nº26 (1986), Death of a Dutchman (1982)
Morte no Outono nª48 (1987), Death in Springtime (1983)
O Sargento e o Assassino nº72 (1988) The Marshal and the Murderer (1987)
O Sargento e a Louca nº82 (1988), The Marshal and the Madwoman (1988)
O Sargento e o Seu Caso nº134 (1991), The Marshal's Own Case (1990)
A Editora Livros do Brasil, na Colecção Vampiro, editou:
Rapto de Uma Condensa nº631 (2000), Property of Blood (1999)
O Fantasma do Crepúsculo nº649 (2001)
Um Gosto Amargo nº671 (2003), Some Bitter Taste (2002)


Site oficial da escritora: http://magdalennabb.com/




UM TEMA — ARQUITECTURA E CONTEXTO DA NARRATIVA POLICIÁRIA – 2
(Black Mask)
No período entre as duas Grandes Guerras Mundiais mais na primeira metade, viveram-se uma série de momentos cruciais para a história e mudaram-se bruscamente as estruturas sociais: o crime, a corrupção a todos os níveis, a violência da vida quotidiana foram o cenário para a nova narrativa. O pulp que levou preferentemente o estilo responsável da narrativa negra, ou máscara negra, foi o Black Mask fundado em 1920. Aí, conscientes das mudanças sociais e da nova imagem do crime, aparecem as primeiras novelas em que a dureza moral e física supera a narrativa de enigmas. Assim, Race William, criação de Carroll John Daly, troca as lucubrações dedutivas pelo comportamento justiceiro e violento — físico e de linguagem. Mas foi Dashiell Hammett que abriu o caminho da projecção do Black Mask. Por um lado, a importância sociológica, o realismo crítico a violência e a linguagem inusitada (a célebre adaptação realista da narrativa policiária) e pelo outro lado, um detective que aplica a tarefa de investigação à sua maneira — nem sempre ortodoxa, utiliza métodos e resultados que ultrapassam a ética pessoal, transcende a moral social e as convenções colectivas. Os fins justificam os meios objectivo puramente profissional: e se há violência física e moral, tem de se ser violento para sobreviver na selva em que vive submerso.
A narrativa negra ultrapassa os limites geográficos do nascimento e estende-se a França Inglaterra… cresce, adquire cultura e prestígios. Chega a Hollywood, ao grande e pequeno ecrã. Excede-se. Não obstante não perder a raiz violenta, os autores, além das origens de sempre, associam-lhe bebida, bebedores e mulheres…
M. Constantino


15 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 15

EFEMÉRIDES – Dia 15 de Janeiro
Dennis Lynds
(1924-2005) — Nasce em St. Louis, Missouri-EUA. Escreve diferentes géneros, especialmente de índole policiária com vários pseudónimos. Com o pseudónimo Michael Collins inicia em 1967 uma série com o protagonista Dan Fortune, em Act Of Fear. Esta série tem 19 livros publicados, os dois últimos Crime, Punishment And Resurrection (1992) e Fortune's World (2000), reúnem todos os contos curtos deste personagem. Escreve ainda Lukan War (1969) The Planets of Death (1970) livros de ficção científica. Utiliza o pseudónimo de Willian Arden para os romances de espionagem industrial protagonizados por Kane Jackson: A Dark Power (1968), The Goliath Scheme (1970), Deal in Violence (1971), Deadly Legacy (1973) e Murder Underground (1974) e também o romance Mystery of the Blue Condor (1973). Com o pseudónimo de Mark Sadler escreve as aventuras do jovem, Paul Shaw, proprietário de uma agência de detectives: The Falling Man (1970), Here To Die (1971), Mirror Image (1972), Circle Of Fire (1973), Touch Of Death (1981) e Deadly Innocents (1986). Com outros escritores (Walter Gibson, Theodore Tinsley e Bruce Elliott adopta o pseudónimo Maxwell Grant na escrita das obras sobre o personagem Shadow — O Sombra. Conhece-se ainda os pseudónimos, John Crowe, Carl Dekker, Sheila McErlean. É um escritor galardoado com uma longa lista de prémios.
Michael Collins/Dennis Lynds não deve ser confundido com o escritor irlandês Michael Collins (1964), também autor de policiário com livros publicados em Portugal.



UM TEMA — O CONTO COMO EXPRESSÃO LITERÁRIA
De tal modo tem sido controverso o conceito de conto o que é, o que não é, que amovemos da definição. Qualquer tentativa será mais uma entre tantas. Grave Day classifica-o como uma obra em que a prosa se pode ler de uma assentada. Mário Albuquerque, mais lato ao resumir conto: é tudo aquilo a que o autor chama de conto. Temo ter de discordar desta última definição: faz-me lembrar o quadro branco com um ponto negro… um chapéu mexicano na neve…
Na verdade, o conto como expressão literária faz parte daquela trilogia, romance, novela, conto, consoante a sua dimensão ou extensão literária. Se para os dois primeiros não existem dúvidas, a classificação de conto pela sua dimensão peculiar tem de encerrar a sua unidade de efeito, isto é, tem de produzir um efeito narrativo, ênfase, com economia de palavras. Cada palavra deve contribuir para o feito final, enquanto o romance e a novela — mais curta que o romance — têm espaço para desenvolver incidentes, analisar e multiplicar acções. O conto é por natureza breve, rápido, preciso, em duas palavras: sintético e monocrónico.
Duas razões fundamentais parecem estar no espírito dos autores para evitar o conto: o romance e a novela podem eventualmente ser lucrativos, as palavras valem dinheiro — Rex Stout dizia: se tenho uma boa ideia não a desperdiço num conto; a segunda razão prende-se com a dificuldade em expressar uma ideia ou intriga em breves palavras. Há bons autores, muito bons até, incapazes de sintetizar as ideias.
H.G.Wells, ele próprio um contista hábil e famoso. escreveu: um conto pode ser muito brilhante e comovente, horrível, patético ou divertido, belo, profundamente sugestivo, mas não deve abranger mais do que meia hora de leitura.
No aspecto temático, o conto policiário é de apurado encanto, pela vivacidade de palavras e imagens ou pelo assunto que entra no sentimento colectivo. Porém, o seu encanto iguala a dificuldade de concepção, maior ainda do que aquela já referida para o conto em geral. A construção da intriga, a unicidade do tema e o reduzido número de personagens a oferecer em cem palavras a representação de mil, não é tarefa fácil. E, por tal facto, muito se tem discutido a preferência do conto policiário ou do romance. Do ponto de vista do valor da obra os críticos são unânimes em considerar que a mais genuína expressão do género (policiário) só se encontra no conto. No entanto, o predomínio do romance nos escritores profissionais está à vista, Para o leitor reconhece-se geralmente como verdadeira a aceitação do conto pela necessidade vital do tempo disponível para ler.
Mais curto ainda do que o conto tradicional, há uma segunda modalidade que se espalhou rapidamente a short story — raiz americana ao que se crê e facilmente confundida com o próprio conto — o ideal adequado à pressa dos nossos dias e ao tema policiário. Na short story atribui-se importância particular a um efeito principal desenquandrante, o suspense como força motora até final… em regra a emoção latente mantém-se angustiante até à última e decisiva frase.
M. Constantino


14 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 14

EFEMÉRIDES – Dia 14 de Janeiro

Thomas Tryon (1926-1991) — Nasce em Hartford, Connecticut-EUA. Em 1969 abandona a carreira de actor de cinema e televisão para se dedicar à escrita de livros de mistério e ficção científica. Publica vários contos curtos e os seguintes livros: The Other (1971), Harvest Home (1973), Lady (1974), The Night of the Moonbow (1989), The Wings of the Morning (1990), In the Fire of Spring (1991), The Adventures of Opal and Cupid (1992) e Night Magic (1995).


John Lescroart — Nasce em 1948 em Houston, Texas. Escreve o primeiro livro Son of Holmes em 1986, seguido de Rasputin's Revenge (1987), ambos da série Auguste Lupa. Cria ainda mais três séries: Dismas Hardy, com 13 títulos publicados, Abe Glitsky com 4 e Wyatt Hunt, com 3 títulos. Os seus livros estão traduzidos em 16 línguas e são editados em 75 países. Em Portugal:
O primeiro livro da série Abe Glitsky A Certain Justice (1995) é editado em 2000, com título Justiça Até Certo Ponto pela Temas e Debates, o Nº6 da colecção Top Ten e novamente pelo Círculo de Leitores em 2002.
O terceiro livro da série Dismas Hardy, Hard Evidence (1993) é editado pela Temas e Debates, 2003, com o título Prova Material.


UM TEMA — ARQUITECTURA E CONTEXTO DA NARRATIVA POLICIÁRIA - 1
Em Os Elementos Fundamentais da Narrativa Policiária (in Pesquisa Nov.1990) consideramos que o hibridismo de que se reveste tal narrativa impede uma definição generalizada. Conclusão válida. É bem óbvio que nas diversidades de concepção e constante mutação da sua arquitectura, é inútil procurar um ponto comum. Por outro lado há sempre possibilidade de assinalar em concreto as bases de cada padrão narrativo.
No todo da narrativa policiária há que distinguir o conteúdo imaginário do verdadeiro. No último caso é necessário determinar se tal assunto é puramente real ou se se está em presença de uma crónica novelada, por exemplo A Sangue Frio de Truman Capote. Não é indiferente pôr no mesmo saco as Memórias de Vidocq, descrição de vida e aventuras do célebre polícia francês, antes ladrão procurado por aquela, da história dos crimes da máfia ou recompilação de crónicas forenses, fichas criminais que correspondem a factos verídicos, e a novelação literária que aproveita a realidade, rodeada de fantasia bastante para criar tensão de mistério e intriga indispensáveis ao interesse e apreensão do leitor.
Há quem distinga este tipo de literatura, que os puristas classificam de narrativa criminal, da literatura ficcionada, a policiária. Bem parece teoria de emaranhar ou complicar: a literatura policial é só uma, há sim diversos ramos, géneros ou subgéneros. Segundo o tema que aborda e visão do analista.
O romance, a novela, o conto, o enigma ou problema policiário (jogo de lógica de raciocínio proposto como passatempo intelectual) são ficção pura. Neles se distinguem os géneros maiores: a narrativa de enigma ou novela de problema clássico, a narrativa negra ou de máscara negra, ou de suspense. Destas sim, ao longo do tempo, com acentuado clima no espaço norte-americano, são férteis os sub-géneros (crook, hardboiled, thoug procedural, private eye, penitentiary story, psychology) a desenvolver em futuros TEMAS.
No que concerne a narrativa de enigma, a clássica narração que origina o género policiário, estruturada na existência de um delito, em regra um homicídio misterioso, face ao qual o detective, investigador privado ou simples curioso, recorrendo a indícios encontrados, a procedimentos técnico-científicos e a interrogatórios, desmascara o culpado.
Para captar a atenção do leitor, que em muitos casos inconscientemente, em nervosa expectativa, entra em competição com o investigador, é imprescindível utilizar pistas falsas, armadilhas habilmente urdidas para atrapalhar a acção da polícia ou investigador, até ao encaixar das peças dispersas do puzzle criado pela inteligência do autor.
Resumindo, na narrativa clássica, mais do que simples entretenimento, propõe-se um jogo de inteligência — investigador/contraventor — que desafio o raciocínio do leitor.
Uma derivação do género, mas nele incluída é a chamada narração invertida. Nesta sabe-se quem cometeu o crime e como foi cometido, residindo a expectativa em seguir o trabalho do investigador e seguir os escassos indícios que o delinquente deixou ao cometer o crime até à sua identificação. O enigma é uma interrogação constante em busca da resposta, elucidação ou explicação que o autor montou, exige um princípio ético, convincente e a denúncia do mal face à ordem e à justiça. Obviamente que o autor com frequência inclui aspectos individuais, sociológicos, políticos, fantasiosos e outros para dar um fundo de impacto à escrita e confundir o leitor, mas qualquer que seja essa derivação, determina sempre a resolução do enigma fulcral.
M. Constantino

m

13 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 13

EFEMÉRIDES – Dia 13 de Janeiro
Ted Willis (1918-1992) — Nasce Edward Henry Willis em Tottenham,Middlesex–Inglaterra. Escritor/argumentista de teatro, televisão e cinema inicia-se no policiário em 1950 com The Blue Lamp onde é protagonista George Dixon; segue-se a série para televisão Dixon of Dock Green, que entre 1955 e 1976 apresenta duas centenas de episódios. Cria e escreve várias séries, também para televisão, como Flower of Evil (1961), Outbreak of Murder (1962) ou Sergeant Cork (1963-1968).


Amanda Cross (1926-2003) — Nasce Carolyn Gold Heilbrun em East Orange, New Jersey-EUA, professora de literatura e escritora femininista. que se inicia no romance policiário em 1964 com o pseudónimo Amanda Cross. Escreve 14 livros em que a protagonista é Kate Fansler, também uma professora de literatura inglesa que resolve mistérios habitualmente passados num ambiente académico. Escreve: In the Last Analysis (1964), The James Joyce Murder (1967), Poetic Justice (1970), The Theban Mysteries (1971), The Question of Max (1976), Death in a Tenured Position (1981), Sweet Death, Kind Death (1983), No Word From Winifred (1986), The Players Come Again (1990), An Imperfect Spy (1995), A Trap for Fool, (1989), The Puzzled Heart (1997), Honest Doubt (2000), e The Edge of Doom (2002)
Em Portugal foram editados os seguintes livros:
O Manuscrito de James Joyce (2001), Editora Pergaminho, Colecção As Damas do Crime. Título Original: The James Joyce Murder (1967),
Uma Espia Imperfeita (2003) Editora Pergaminho, Colecção As Damas do Crime. Título Original: An Imperfect Spy (1995).






Ron Goulart — Ronald Joseph Berkeley nasce em 1933, em Berkeley, California-EUA. Escritor com uma vasta obra, em particular no campo da ficção científica e mistério, utiliza nove pseudónimos diferentes, sendo os mais conhecidos Kenneth Robeson, Frank S Shawn, Joseph Silva, Con Steffanson. Escreve duas dezenas de livros de mistério, com destaque para as séries John Easy e Groucho Marx. John Easy é um convencional detective privado de Hollywood que protagoniza alguns contos e 4 livros: If Dying Was All (1971), Too Sweet to Die (1972), The Same Lie Twice (1973) e One Grave Too Many (1974). Na série Groucho Marx Goulart entrega o papel de detective a um herói da comédia; uma narrativa recheada de clichés e de referências a escritores clássicos da literatura policiaria: Groucho Marx, Master Detective (1998), Groucho Marx, Private Eye (1999); Elementary, My Dear Groucho (1999); Groucho Marx and the Broadway Murders (2001); Groucho Marx, Secret Agent (2002) e Groucho Marx, King of the Jungle (2005).





UM TEMA — O LOCAL IMAGINÁRIO DOS ESCRITORES
Todos os escritores têm uma tendência para criar um cenário para os seus romances e contos. Deliberadamente e por razões várias.
Nuns casos para dar ênfase à narrativa, caso de Dashiell Hammett, com a cidade de São Francisco. Igualmente Raymond Chandler, Raoul Whitfiel, William Campbell Gault, Arthur Lyons e muitos outros em relação a Los Angeles.
Outros pelo ambiente, como Conan Doyle, que quase sempre leva a actuação de Sherlock Holmes à sombria e vitoriana Londres, frequentemente envolvida em nevoeiro e chuva e tendo ao fundo o som das patas dos cavalos dos coches nas calçadas escorregadias; Faulkner escolheu um local imaginário Yoknapatawpha County no estado do Mississípi; Arkham no Estado de Massachusetts ou R'lyeh são cidades na ficção de H. P. Lovecraft; Jack Vance imaginou San Rodrigo; John Crowe (pseud. de Dennis Lynds) encontrou um local imaginário em Buena Costa; Ellery Queen fixou-se na cidade Wrightville; Agatha Christie cria a aldeia de St. Mary Mead para a perspicaz Miss Marple e a ilha Soldier Island (ou Nigger Island) ; Evan Hunter (pseud. de Ed McBain) na série 87th Precinct cria Isola; e mais recentemente Stieg Larsson em The Girl with the Dragon Tattoo imagina a ilha de Hedeby palco de um desaparecimento. Outro procedimento clássico consiste em reduzir os espaços a círculos fechados: um comboio, uma biblioteca, herdade ou palácio.
Em qualquer dos casos, os autores concebem os locais que lhes proporcionem ambiente e material para desenvolver crimes ou mistérios interessantes e indecifráveis.

12 de janeiro de 2012

CALEIDOCÓPIO 12

EFEMÉRIDES – Dia 12 de Janeiro

1947 — Sete de Espadas, então já conhecido como produtor e decifrador policiarista, estreia-se como orientador no Jornal de Sintra, com a secção denominada Mistério e Aventura. O texto de apresentação de Sete de Espadas e primeiro problema da secção são hoje publicados, aqui no Policiário de Bolso.


Arthur Wise (1923-1982) — nasce em York, Inglaterra. Publica o primeiro romance policiário The Little Fishes em 1961; seguem-se The Death's-Head (1962) Leatherjacket (1970), Who Killed Enoch Powell? (1970), The Naughty Girls (1972) e Blood-Red Rose (1981).


Trevanian (1925?/1931? – 2005) — É o pseudónimo utilizado por Rodney Whitaker. Existe alguma controvérsia quanto à data de nascimento deste escritor. Segundo o famoso Who's Who Trevanian nasce em Tóquio a 12 de Janeiro de 1925, de acordo com outras fontes o escritor nasce a 12 de Junho de 1931 em Granville, New York. Nas entrevistas Trevanian nunca esclareceu este ponto. Utilizou ainda os pseudónimos Nicholas Seare, Beñat Le Cagot and Edoard Moran. Escreve romances policiais, na sua maioria thillers, que são bestsellers, traduzidos pelo menos em 14 línguas e vendem mais de 5 milhões de cópias. Cria o personagem Jonathan Hemlock, que protagoniza The Eiger Sanction (1972) The Loo Sanction (1973). Escreve ainda The Main (1976), Shibumi (1979), The Summer of Katya (1983), Incident at Twenty-Mile (1998) e The Crazyladies of Pearl Street (2005).
Entre nós foram editados pelo Círculo de Eleitores em 1983: A Missão Eiger e O Jogo da Morte, ambos da série Jonathan Hemlock.



M. Constantino

JORNAL DE SINTRA - MISTÉRIO E AVENTURA

MISTÉRIO E AVENTURA - Secção Policial Orientada pelo SETE DE ESPADAS


Leitores e caros colegas:
O nosso meio é pequeno e refractário a empreendimentos desta natureza. Estou certo que não faltará quem se erga da sua cátedra para nos atirar com a já tão conhecida e velha frase: Literatura de cordel…
Estes catedráticos esquecem-se, todavia, que a literatura de emoção e resolução de problemas policiais são dois dos grandes recreios do espírito. Estadistas de todo o Mundo, afadigados pelo vertiginoso atropelo dos acontecimentos internacionais, buscam um pouco de tranquilidade no exercício cerebral que lhes oferece a leitura dos grandes romances policiais e a resolução dos grandes problemas. Médicos, advogados, engenheiros, senhoras da melhor sociedade, estudantes, cientistas e muitas outras personagens de categoria social, não se envergonham de confessar a sua simpatia e o seu entusiasmo pela boa literatura de mistério e aventura.
Quando fui ate ao nosso director para lhe levar a ideia desta secção, confesso que fui a medo, mas encontrei nele um Amigo, que desde logo aceitou e acarinhou esta resolução, dizendo-nos:
— De vez enquanto, sair fora do sistema rotineiro, também sabe bem…
O facto de nos apresentarem como orientadores desta secção não significa um maior merecimento, simplesmente — era preciso alguém a fazê-lo!…
Confiamos, pois, na benevolência dos nossos leitores e na amizade dos meus camaradas.
Tentaremos agradar e cá os esperamos neste cantinho — que é de todos.
Sete de Espadas


PROBLEMA 1 - CRIME OU SUICÍDIO?O Inspector Charles Hardy foi chamado com urgência a casa do escritor Luiz King, porque este tinha sido encontrado morto no seu escritório.
Introduzido no palácio e depois no gabinete de trabalho do escritor, Charles Hardy verificou que o corpo se encontrava caído sobre a secretária, o braço esquerdo em cima do tampo e o direito caído ao longo da cadeira. No chão, uma pistola sem impressões digitais e em cujo carregador faltavam algumas balas. Um orifício perto da orelha e ligeiramente chamuscado mostrava que a morte tinha sido causada por uma bala disparada a pouca distância.
Depois de em silêncio ter analisado todos estes pormenores, pediu ao criado que fizesse as suas declarações. Este disse:
Como o fazia todas as noites, cerca das 10 horas dirigiu se para a porta do escritório e bateu 3 pancadas, avisando desta maneira que o jantar estava na mesa. O tempo passou e como não era hábito do escritor fazer-se esperar mais do que um quarto de hora, cerca das 10 e meia voltou, batendo e chamando em voz alta. Como não obtivesse resposta, espreitou pela fechadura e viu o escritor na posição em que ainda está. Como não tinha chave, visto que a única Yale que existia estava sempre em poder do escritor, chamou o cozinheiro preto, Jacob, que o ajudou a forçar a porta, verificando depois nada haver a fazer, porquanto do orifício junto à orelha do escritor saía um fio de sangue… Mesmo do escritório telefonou para a polícia e nem ele nem Jacob saíram de lá. Tudo isto poderá ser confirmado por…
— Muito obrigado, já sei como as coisas se passaram!
— Caros colegas, como resolveu Charles Hardy mais este problema?

CHAMADA PARTICULAR

MISS DETECTIVE — Sintra
REPÓRTER SELECT — Amadora
JOSÉ CARLOS SOARES — Sintra
J. A. OLIVEIRA — Galamares
REPÓRTER ENIGMÁTICO — Amadora
ANTÓNIO GODEFROY — Queluz
MIGUEL PESSANHA — Sintra
REPÓRTER X — Amadora
NICK CÁRTER — Sintra
INSPECTOR FEIO — Amadora
CAMELIANO — Sintra
INSPECTOR KING — Amadora
O FEITICEIRO — Sintra
SATANAZ — Amadora
MARIA HELENA D. FERREIRA — Meleças
SALOIO — Caneças
Como dissemos, este cantinho é de todos vós. Até breve.
Sete de Espadas

11 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 11

EFEMÉRIDES – Dia 11 de Janeiro
R.A.J. Walling (1869-1949)

Robert Alfred John Walling nasce em Devon Inglaterra. É jornalista e começa a carreira de escritor em 1908 com várias biografias; vinte anos mais tarde publica o primeiro romance policiário, That Dinner At Bardolph's (1928) prelúdio de uma carreira que atinge 28 livros, abordando todos os géneros policiários. Nos romances de enigma clássico figuram o detective privado Philip Tolefree e o seu parceiro James Farrar que surgem pela primeira vez em The Fatal Five Minutes (1932).


Manfred Bennington Lee (1905-1971)
Nasce em Brooklyn - New York. Forma com o primo Frederic Dannay uma dupla sob o pseudónimo Ellery Queen. Em 1928 concorrem e ganham o concurso organizado pela revista Mc Curie Magazine com o romance The Roman Hat Mystery (1929).
Em 1933 fundam e dirigem a Mystery League que cessou no quarto número. Porém, em 1941 já famosos face ao seu historial literário lançam Ellery Queen's Mystery Magazine com êxito absoluto e expansão mundial. Deve ser actualmente a mais antiga colecção de contos de várias tendências e géneros policiais, jamais publicada. Esta revista, para além dos romances publicados, é uma manifestação do interesse dos autores pelo género policiário, as várias antologias são hoje quase impossíveis de encontrar. A partir de 1935 expandem-se, mantêm um programa de rádio, passando mais tarde a Hollywood com uma série de filmes.
O protagonista, na quase totalidade dos seus escritos é Ellery Queen. Ellery é alto, em ombros largos e cintura estreita e flexível. Veste fato completo, elegante, habitualmente cinzento-escuro. Usa lunetas, as lentes sobre o nariz, nota imprevisível na silhueta atélica, mas visto de frente, os olhos revelam ser um homem de acção. Reside com o pai, o Inspector da Polícia Richard Queen num apartamento da rua 87, no West Side de Manhattan. Ellery é escritor mas, sobretudo é um incorrigível detective privado que quase nunca recebe remuneração pelos serviços prestados. Desenvolve a própria inteligência e o seu poder dedutivo quase sempre auxiliado pelo pai que recolhe os indícios. Ellery raciocina e encaixa as peças até chegar à solução final. Em princípio as histórias correspondem a uma linha de enigma, a perfeição de jogo é tal que se atreve frequentemente a fazer um desafio ao leitor convidando-o a identificar o assassino, uma vez que foram lançados todos os elementos de informação para o efeito. Ellery Queen, personagem de ficção, surge em 70 contos curtos e em 30 novelas com destaque para The French Powder Mystery (1930), The Dutch Shoe Mystery (1931), The Greek Coffin Mystery (1932), The Chinese Orange Mystery (1934) e, em especial, os que se desenrolam na imaginária cidade de Wrightville que aparece pela primeira vez em 1942 em Calamity Town, a predilecta de Ellery.
Os autores usando o pseudónimo de Barnaby Ross escrevem quarto romances: The Tragedy Of X (1932), The Tragedy Of Y (1932), The Tragedy Of Z (1933) e Drury Lane's Last Case (1933). Nesta série o protagonista é Drury Lane, um actor shakespeariano, retirado no seu castelo isabelino construído sobre o Hudson, e que funciona como detective auxiliar do Inspector Trumm.

Os livros de Ellery Queen venderam mais de 150 milhões de cópias em todo o mundo.

10 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 10

EFEMÉRIDES – Dia 10 de Janeiro


Frances Lockridge (1896-1963) — Nasce em Kansas City, Missouri (EUA). Forma com o marido (Richard Orson Lockridge) uma dupla de escritores dos mais produtivos da história da literatura policiária. Em conjunto criam quatro séries de diferentes personagens que por vezes se cruzam. Frances Lockridge colabora em duas das séries: Mr. and Mrs. North, uma famosa dupla de detectives amadores, que se inicia com The Norths Meet Murder em 1940 e termina com Murder by the Book (1963)~, num total de 26 obras publicadas com várias adaptações à rádio, à televisão ao teatro e ao cinema; a outra série, Inspector Merton Heimrich, começa com Think of Death (1947) e nesta série Frances Lockridge colabora em 16 de um total de 24 livros. Ainda em parceria com Richard Lockridge são publicados The Faceless Adversary (1956), The Tangled Cord (1957), Catch As Catch Can (1958), The Innocent House (1959), Murder and Blueberry Pie (1959), The Golden Man (1960), The Drill Is Death (1961), And Left for Dead (1961), Night of Shadows (1962), The Ticking Clock (1962), The Devious Ones (1964), Quest for the Bogeyman (1964), e The Quest off the Bogeyman (1965).



James Norman (1912-1983) — James Norman Schmidt nasce em Chicago Illinois; especialista em história do México trabalha como Jornalista do Chicago Tribune. Estreia-se na escrita policiaria em 1942 com a publicação de contos. Com Murder Chop Chop (1943) inicia uma série de romances protagonizados por Gimiendo Hernandez Quinto, um mexicano que relembra a passagem do autor pelo México no qual obteve La Pluma de Plata, segue-se An inch of time (1944) e The Nightwalkers (1947).
Guy Cullingford (1907-2000) Pseudónimo de Constance Lindsay Taylor. Nasce em Dovercourt, Essex – Inglaterra. Inicia a actividade de escritora policial em 1948 com Murder With Relish, sob o nome próprio, optando pelo pseudónimo nos livros seguintes: If Wishes Were Hearses (1952), Post Mortem (1953), Conjurer's Coffin (1954), Framed for Hanging (1958), A Touch of Drama (1962), Brink of Disaster (1964) The Stylist (1968), The Bread and Butter Miss(1979) e Bother at the Barbican (1991). Tem uma série de contos publuicados em revista da especialidade, com Alfred Hitchcock's Mystery Magazine e no Ellery Queen's Mystery Magazine.

9 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 9

EFEMÉRIDES – Dia 9 de Janeiro
Gil Brewer (1922 -1983)
Gil(bert John) Brewer morre em 1983. Este escritor nova-iorquino começa por escrever contos com vários pseudónimos (Eric Fitzgerald, Bailey Morgan, Elaine Evans, Al Conroy), publica o primeiro romance em 1951: 13 French Street. Segue-se Flight To Darkness (1952) e em 1953 Hell's Our Destination que foi adaptado ao cinema. No total, Brewer escreve cerca de 30 livros até 1967. As suas obras incluem habitualmente um homem comum que se deixa corromper e destruir por se envolver com uma mulher diabólica. Nos seus romances concede especial importância ao papel da mulher no aspecto do sexo e da fatalidade, com um estilo simples e directo, diálogos intensos.


~
SHORT STORY - CRIME DE MORTE
A voz da mulher ao telefone era trémula:
- Ela… matou-o.
- Como?
- Cortou-lhe a cabeça. Que pavor!
- Não!...
- Sim. Esta manhã.
Por instantes as linhas emudeceram. Houve um momento de forte tensão.
- Não posso conceber…
- É horroroso!
- E finalmente apanhámo-la!
- Oh! É terrível! Assististe?
- Claro… Claro que vi…
Uma interferência exasperante a voz do homem.
- Telefonista, telefonista! Não corte a ligação. Está? Está lá?
- Vou chamar imediatamente a Polícia
- Custa-me a acreditar. Tens a certeza que viste?
- Absoluta. Foi horrível.
- Não te metas mais nisso. Eu aviso a Polícia.
Desligaram.
- Está lá? É da Judiciária?
- Sim.
- Tenho uma participação a fazer…
- Diga.
- Pretendo que detenham imediatamente a criada de uma vizinha. A minha mulher testemunhou tudo. É odioso! Assaltou-me a capoeira e matou o meu melhor galo da índia!

M. Constantino

8 de janeiro de 2012

CAÇA AO TESOURO




A Extraordinária Caça ao Tesouro que lhe dá 50 000 € (The Great Global Treasure Hunt on Google Earth) começou no dia 1 de Setembro de 2011 e termina no próximo 31 de Março.
Uma verdadeira caça ao tesouro dos nossos dias em que a busca se faz pela observação atenta de uma imagem e a expedição no terreno não necessita de botas de montanha nem de equipamento especial, mas sim de um computador com o programa
Google Earth instalado.
A Extraordinária Caça ao Tesouro é um concurso à escala mundial, devidamente regulamentado e que conta com o apoio oficial do Google Earth. É também um livro em edição impressa e em versão electrónica. Em Portugal o livro foi editado pela
Booksmille e tem venda exclusiva na Fnac.
O livro tem 14 enigmas: 14 desenhos, 12 dos quais com um curto texto anexo. Cada imagem fornece pistas visuais que se ligam aos temas explorados pelo texto. Os vários enigmas sugerem locais, que devem ser pesquisados e identificados no Google Earth — podem ser um terreno, um rio, um edifício, um contorno, um padrão …
A solução desta caça ao tesouro resulta da decifração do conjunto dos 14 enigmas e uma única: as coordenadas de um local.
Os 50 000 € serão sorteados entre todos aqueles que enviarem a resposta do local correcto para
http://www.jointhetreasurehunt.com/ .
O autor do livro Tim Dedopulos publica semanalmente pistas extra no jornal The Telegraph que é também parceiro neste projecto global.
Em
Portugal a caça ao tesouro parece não ter entusiasmado os internautas, mas por todo o mundo multiplicam-se os fóruns (privados e abertos) onde discutem de forma arrebatada o texto do autor, os desenhos magníficos de Jonathan Lucas e se desmontam pistas reais, e imaginárias, até não restar mais nada.
Uma nota curiosa é que nos fóruns públicos ninguém parece interessado em ganhar o prémio, o que conta é o prazer de descobrir, de trocar impressões, de aprender e de partilhar.
É pena que em Portugal não tenha sido publicada a versão de luxo, que com o dobro do tamanho da versão normal, revela a verdadeira beleza e qualidade das ilustrações.
Anda por aí alguém a participar neste projecto?

CALEIDOSCÓPIO 8

EFEMÉRIDES – Dia 8 de Janeiro

Wilkie Collins (1824-1889) — nasce em Londres aquele que é considerado o autor do primeiro romance detectivesco inglês com The Moonstone (1868), depois de escrever o popular The Woman in White (1860), que sendo de um trama complicado, é de carácter sentimental. The Moonstone, publicado inicialmente em folhetim, constitui uma genuína e bem estruturada narrativa policiária que conserva, ainda hoje, uma frescura de modernidade digna de especial referência. O recurso narrativo através de cartas e de declarações de diversos personagens proporciona um estilo mais vivo e directo que acaba por captar a atenção. Robert Ashley, na biografia sobre Wilkie Collins, defende que o escritor pode também ser considerado como da primeira vez que intervém um oficial de polícia em A Terribly Strange Bed (1852), a primeira história de detectives com A Stolen Letter (1854), a primeira história de uma mulher detective em The Diary of Anne Rodway (1856), a primeira história detectivesca de humor com The Bitter Bit (1858) e o primeiro cão detective com My Lady’s Money (1877). W. Collins, no campo da ficção policiária/detectives escreve ainda The Dead Secret (1857) e The Evil Genius (1886).
O detective criado por Collins, o Sargento Cuff da Scotland Yard, é um homem alto, delgado de rosto afilado; pele amarelada e seca, olhos azul-claros de aço, dedos compridos como garras; vestido de negro e gravata branca, um modo de andar suave e voz melancólica. Podia passar por padre ou por empresário funerário… também podia passar por qualquer espécie de pessoa. A aparência cinzenta de polícia oficial, que no séc. XIX era sinónimo de inaptidão, esconde um cérebro privilegiado capaz de transformar em êxito o trabalho iminentemente intelectual da sua profissão: o descoberta de delinquentes. Assim no caso que enfrenta, sem grandes aparatos e sem esforço aparente, logra ultrapassar com sucesso o enigma da pedra da lua.
Em Portugal, a reimpressão mais recente de Pedra da Lua (2009) é da Colecção Crimes Imperfeitos da
Editora Relógio D’Água.






Denis Heatley(1897-1977) — nasce em Londres. Editor e escritor escreve mais de seis dezenas de livros, publicados ao longo de quase 40 anos: policiários de detecção, aventuras, oculto, espionagem e fantasia. Criou Duke de Richleau, que iniciou a série com The Forbidden Territory (1933), mais tarde adaptado ao cinema. Outros personagens: Gregory Sallust, surge em Black August (1934), Julian Day em The Quest of Julian Day (1939), Roger Brook em The Launching of Roger Brook (1947) e ainda Molly Fountain com To the Devil – a Daughter (1953), adaptado ao cinema em 1976.


UM TEMA — O DETECTIVE: FICÇÃO E REALIDADE
Pesquisas minuciosas e longas levam à conclusão que o aparecimento da palavra detective, com o significado actual, se deve a Charles Dickens, data de 1852 e surge no romance Beak House.
Sou o Bucket dos detectives. Sou um agente detective, assim se anuncia o personagem. Porém, seria necessário o decurso de mais de cinquenta anos para que os londrinos aceitassem e começassem a confiar nos detectives à paisana. Eram encarados com a maior suspeita pela maioria dos ingleses. Os célebres bobbies, os agentes fardados da Scotland Yard, outrora suspeitos de se colocarem acima da lei e de serem inimigos naturais do homem comum passaram a ganhar dos londrinos. Mas os detectives sem farda, confundidos com o povo da rua, eram alvo de suspeitas e preconceitos, possivelmente razoáveis, por parte de todos, desde pedintes a banqueiros.
Dickens faz do Inspector Bucket um personagem simpático, porque conhecia os verdadeiros detectives da Yard, homens dedicados e decentes, tentando fazer o melhor para tornar a investigação criminal uma ciência. No entanto na mente dos concidadãos de Dickens todos os detectives eram enquadrados em duas categorias: corruptos e incompetentes, ou espiões e agentes da opressão política. Não é de admirar que Conan Doyle em 1880, através de Sherlock Holmes, retrate os detectives da Yard como amáveis, mas broncos.
Após o fracasso do caso de Jack o Estripador iniciou-se um período de real esforço para dotar a Yard, à semelhança da Sureté francesa, de condições que levassem a investigação judicial a resultados firmes.
O Departamento de Investigação Criminal (CID) da Scotland Yard levou o seu tempo a criar e o seu desenvolvimento tem sido contínuo e bem sucedido. As novas ciências forenses de localização e de identificação de criminosos, mau grado o aspecto negativo de muitos anos de opinião pública adversa e de desconfiança dos júris britânicos, acabam por compreender e aceitar as descobertas científicas como elemento de prova. O CID é presentemente uma das principais divisões da Polícia Inglesa.
M. Constantino

7 de janeiro de 2012

CALEIDOSCÓPIO 7

EFEMÉRIDES – Dia 7 de Janeiro
Ritchie Perry (John Allen) — nasce em 1942 em King’s Lnn, Norfork – Inglaterra. Escreve obras de temas diversos incluindo policiárias. Inicia em 1972, com o livro The Fall Guy, a série Super Secret Agent que se prolonga até 1985 com Kolwesi, o 14º volume. Para a série Frank MacAllister publica 2 livros: Mac Allister (1984) e Presume Dead (1987).
Hayford Peirce — nasce em 1942 na localidade de Bongor, Maine (EUA). É um contista policial, um dos melhores neste género. Entre 1964 e 1987 vive no Taiti, local onde situa os protagonistas da sua obra policiária: Joe Caneili é um detective privado, único elemento da agência de investigação Caneili na cidade de Papeete; outro personagem criado por Peirce é Tama, Comissário da Polícia da ilha.
Na série Trouble in Tahiti publica Blood on the Hibiscus (2000), P.I. Joe Caneili, Discrétion Assurée (2000), Commissaire Tama, Chief of Police (2000), The Gauguin Murders (2001) e The Bel Air Blitz (2002). Joe Caneili marca presença nos seguintes contos curtos: The Stolen Grandfather (1985), Fire in the Islands (1995), The Missing House (July 1995), A Matter of Face (1998), The Girl in the Picture (1999). Publica vários contos no Alfred Hitchcock's Mystery Magazine e no Ellery Queen's Mystery Magazine.



UM TEMA — VOLTAR AO PASSADO NO POLICIÁRIO - 2
Sobre a Época Vitoriana, há uma série imensa de pastiches de Sherlock Holmes, para além de muitos outros autores contemporâneos.
Elizabeth Peters, já referida na 1ª parte de Voltar ao Passado. A série Amelia Peabody desenrola-se num período entre 1984 e 1923 e, como a protagonista é arqueóloga, a autora explora na sua obra cenários do Antigo Egipto e da Época Vitoriana. Esta escritora utiliza 2 pseudónimos Barbara Michaels e Barbara Mertz.
Anne Perry é também uma escritora policiária muito conhecida por retratar esta época. Cria três séries: Charlotte e Thomas Pitt, William Monk e The Christmas Stories; a primeira com 26 títulos publicados, a segunda com 17 e a terceira com 9. Está anunciada a edição para o corrente ano de pelo menos 3 obras destas séries.
Muitos outros escritores escolheram esta época como palco, quer construindo personagens cuja acção se desenrola em vários livros, quer produzindo uma única obra policiária victoriana.
Emily Brightwell: série The Inspector and Mrs. Jeffries (29 títulos/próximo Mai.2012).
Ray Harrison: mistérios de The Sergeant Bragg and Constable Morton (16 títulos).
Alanna Knight: série The Inspector Faro Mysteries (16 títulos/ próximo Mar. 2012).
Amy Myers: séries August Didier (11 títulos) e Tom Wasp (2 títulos).
Robin Paige: serie Sir Charles Sheridan protagonizada por Kathryn Ardleigh (12 títulos).
Peter Lovesey: séries The Sergeant Cribb (8 títulos) e The Prince of Wales (3 títulos).
Carole Nelson Douglas: The Irene Adler Adventures (8 títulos).
William J. Palmer: série Mr Dickens (4 títulos).
Jean Stubbs: série John Joseph (3 títulos).
John Dickson Carr: The Hungry Goblin (1972).
Evelyn Hervey: A Remarkable Case of Burglary (1975) e Man of Gold (1985).
Anna Clarke: The Lady in Black (1977).
Mark Frost: The List of Seven(1993) e The Six Messiahs(1995).
Bernard Bastable: To Die Like a Gentleman (1993) e Mansion and its Murder (1998).
A Editora Livros do Brasil, na colecção Vampiro e a Editorial Caminho na Caminho Policial têm publicado alguns títulos de Peter Lovesey:
A Figura de Cera; nº 567 Vampiro-1994 (Waxwork, Sergeant Cribb Series;1978).
Abracadáver; nº 576 Vampiro -1995 (Abracadaver, Sergeant Cribb Series;1972).
Um Crime Passional; nº 587 Vampiro-1994 (Bertie and the Crime of Passion, The Prince of Wales Series;1993)
O Suicídio do Jóquei; nº616 Vampiro-1998
Um Caso de Espíritos; nº58 Caminho Policial-1994 (A Case of Spirits, Sergeant Cribb Series;1972).
Bertie e os Sete Corpos; nº128 Caminho Policial-1994 (Bertie and Seven Bodies; The Prince of Wales Series;1990)
Alguns livros de Anne Perry foram editados pela Gótica na colecção Nocturnos. Estão disponíveis os seguintes títulos da série Thomas Pitt: O Mistério de Callander Square, O Crime de Paragon ItálicoWalk, Um Morto a Mais em Resurrection Row, Os Segredos de Rutland Place, O Cadáver de Bluegate Fields. Da série William Monk: O Rosto de um Estranho, Luto Perigoso, Defesa e Traição, Uma Morte Súbita e Terrível, Os Pecados do Lobo e Caim seu Irmão.~


M. Constantino/Det. Jeremias

6 de janeiro de 2012

ROUBO NO DIA DE REIS

Fala (de rajada) Catarina, auxiliar num pequeno infantário:

O que agora aconteceu não vos passa p’la cabeça… como é o dia de reis íamos ter aqui uma festinha... teatro e lanchinho com os pais… tinha os bolos-reis na bancada para cortar as fatias… fui ali à despensa buscar as luvas… sim qu’aqui é tudo feito com higiene e limpeza… demorei um bocadinho… a luz não queria acender… assim qu’ aqui cheguei dei logo p’la matrafia… não é que me tinham tirado a fruta cristalizada! Dos dois bolos ‘tavam à beirinha da bancada 'tavam limpinhos… comeram tudo só me deixaram a laranja.
Mas não sou de me deixar ficar e já descobri quem foi… bem….quase… um dos 3 foi de certeza! São da sala dos crescidos e ‘tão mascarados de reis magos… fui ter com eles… pus cara de má… perguntei quem foi o ladrão da fruta e consegui que me dissessem isto:
O Baltazar: Eu cá não fui eu!
O Belchior: Eu também não!
O Gaspar: Foi o Belchior!
Certezas, certezinhas só tenho duas: uma, só um dos putos comeu as frutas … a segunda certeza é que dois deles mentem e só um fala verdade.
‘tou com uns nervos que nem consigo pensar… podem dar-me uma ajudinha?


Pode enviar a sua resposta para policiariodebolso@gmail.com e receberá a solução do desafio.

CALEIDOSCÓPIO 6

EFEMÉRIDES – Dia 6 de Janeiro
Victor Werner
 (
1913)
Nasce em Bruxelas. Director do Centro de Polemologia em Bruxelas serve na Sureté em França durante a 2ª Grande Guerra. Escreve obras de Direito Público, estudos de Polemologia e livros policiais e de espionagem com o pseudónimo de Henry Favel: Trop Tard Pour Pleurer (1975) e Les Assassins Sont Morts (1982). Com o pseudónimo de John Bartok colabora com Jean Gabriel (ps. Gabriel Verniers) em Mort Provisoire (1959) e L’Inconnu de Festival (1961).



Paul Kruger (1917-1979) — nasce no estado de Wisconsin (EUA). É o pseudónimo de Roberta Elizabeth Sebenthal, criadora dos detectives privados Phil Kramer e Vince Latimer. Bullet for a Blond (1958), Weep for Willow Green (1966), Weave a Wicked Web (1967), If The Shroud Fits (1968), The Bronze Claws (1972) e The Cold Ones (1972).



Noel Behn (1928-1998) — nasce em Chicago (EUA). Produz romances policiais e de espionagem. O primeiro, The Kremlin Letter (1966) é adaptado ao cinema num filme dirigido por Jonh Huston. Segue-se The Shadowboxer (1969), The Brink’s Job (1976), Big Stick-Up at Brink’s (1978), Seven Silent Men (1984) e Lindbergh the Crime (1994). Entre 1993 e 1997 escreve sete episódios para a série televisiva Homicide: Life on the Street (NBC).

Francis M. Nevins — nasce em 1945 em Bayonne – New Jersey (EUA). Escreve vários ensaios sobre a ligação entre a ficção e a lei. Publica mais de meia centena de contos para revistas de especialidade policiária. Ganha dois Edgar Awards MWA (Mystery Writers of America) pela tese académica sobre Cornell Woolrich e Ellery Queen. Lançou ainda os seguintes livros: Publish and Perish (1975), Corrupt and Ensnare (1978), The 120 Hour Clock (1986), The Ninety Million Dollar Mouse (1987), Into the Same River Twice (1996), Beneficiaries' Requiem (2000), Leap Day and Other Stories (2003) e Into the Same River Twice (2000). Muitos dos contos curtos de Nevins estão reunidos em Night Forms (2010).