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26 de julho de 2012

CALEIDOSCÓPIO 208

Efemérides 26 de Julho
Edwin Balmer (1883 – 1959)
Nasce em Chicago, EUA. Repórter desde 1903, torna-se editor da Redbook, uma revista feminina que privilegia a publicação de short stories de aventura, mistério e crime. Edwin Balmer escreve livros policiários e ficção científica, alguns em parceria com os escritores William MacHarg e Philip Wylie. Individualmente escreve 11 romances policiários, sendo o mais divulgado The Blind Man's Eyes (1946).


Jean-François Coatmeur (1925)
Nasce em Finistère, Pouldavid-sur-Mer, França. Professor do ensino secundário e em Africa, escreve o seu primeiro romance em 1963, Chantage Sur Une Ombre. Tem cerca de 30 romances publicados, todos classificados como policial psicológico negro com excepção de Des Croix Sur La Mer (1991), que é inspirado num acontecimento autobiográfico e recebe o Prix Bretagne 1992. O autor tem 6 obras adaptadas ao cinema e à televisão. Destacam-se as premiadas:
Les Sirènes De Minuit (1976) — Grand Prix de Littérature Policière;
La Bavure (1980) — Prix Mystère de la Critique 1981;
La Danse Des Masques (1989), Prix du Suspense e c Grand Prix des Écrivains de L'Ouest — 1990.


TEMA — ALGO DE SOBRENATURAL (PARTE 1)
PROCURANDO AS ORIGENS DO MEDO — CAUSAS NATURAIS / SOBRENATURAIS
Quando o estrondo do trovão penetra na caverna natural, quando o traço incandescente do raio abate a grande árvore da floresta, esmaga a pedra informe como se se tratasse de frágil torrão de areia sob o pé, de um gigante invisível, os primitivos seres humanos guincham, atiram-se ao chão repleto de detritos e restos de ossos descarnados de animais, amontoam-se apoiando-se uns nos outros, olhos fechados que não querem ver, mãos sobre as cabeças de cabelos emaranhados, compridos, enlameados; na mente pouco desenvolvida instala -se a mais antiga das emoções — o medo, o mais intenso dos medos — o medo do desconhecido.
Mais do que o prazer ou a dor, a ameaça do desconhecido, imprevisível ao mesmo tempo converteu-se numa fonte omnipotente de pesadelos, próprios de uma humanidade com noções reais escassas ou nulas, de experiência limitada.
Em tais condicionantes de vida, nos alvores do mundo tão poderosamente incipientes, não é estranho que os homens, se acolhessem nos braços da religião e da superstição.
A herança de então, não chega até nós apenas na ordem biológica. Os instintos e as emoções são fenómenos tremendamente arreigados, subconscientemente activos durante milénios, ainda que exteriormente pareçam submergidos.
E esses mundos ocultos e insondáveis de estranhas coisas, de alucinantes medos, transformaram-se em tradição oral.
Nas longas noites de quietude, no negrume traspassado por uma réstia de luar, mais tarde em redor do fogo, o feiticeiro desperta sentimentos de tremor com relatos macabros… o velho chefe balançando a cabeça, aceitando para os outros os terrores próprios.
Os mais obscenos e maléficos mistérios cósmicos, incorporaram-se primeiro no folclore popular sobrenatural, na lenda, depois na literatura, logo na exploração da narrativa fantástica com assento no quadro do terror.
O fantástico é; uma presença espectral suspensa entre o ser e o nada, viola o real e põe-se para além dos limites da razão.
Tão velho como o pensamento, o fantástico de horror, de terror, fixa-se nas primitivas emoções, invoca o desconhecido, cria demónios e espectros.
Na Idade Média associa-se-lhe magia e cabala.
O gótico agrega-lhe fantasma.
Mais recentemente, são os textos que se estruturam ao redor de figuras faustianas ou vacilam entre explicações naturais ou sobrenaturais da origem do DIABO…
(continua)

Odilon Redon - Homem Primitivo sentado à sombra 



DICIONÁRIO DE AUTORES CONTEMPORÂNEOS DA NARRATIVA DE ESPIONAGEM (9)

12 – BAR-ZOHAR (MICHAEL)
1938
Bar-Zohar

Michael (Michel ou Micha‘el) Bar-Zohar, israelita, doutorado em ciências politicas em Paris e professor universitário em Haifa; militar paraquedista, foi também membro do parlamento israelita. Apaixonado pela história judaica contemporânea e pelo destino de Israel. O autor tem uma vasta obra no campo da não ficção, mas os estudos que publicou sobre Hitler, a crise de Suez ou a guerra dos Seis Dias, deram-lhe também inspiração para os romances de espionagem. Os seus romances são caracterizados por um ponto de partida ardiloso, que atrai o interesse do leitor e por uma fundamentação rigorosa, muito bem documentada.
Bar-Zohar usa também os pseudónimos Michael Barak e Michael Hastings e tem a sua obra publicada em vários países. Os romances de espionagem publicados são:

The Third Truth (1972)
The Spy Who Died Twice (1973)
The Secret List (1975)
Enigma (1978), mais tarde adaptado ao cinema
The Deadly Document (1979)
The Phantom Conspiracy (1981)
Double Cross (1982)
A Spy In Winter (1984)
The Unknown Soldier (1986)
The Devil's Spy (1988)
Brothers (1993)



13 – BARK (CONRAD VOSS)
1913 — 2000


Conrad Voss Bark, jornalista, colaborador do The Times e da BBC, é o criador de William Holmes, que não é um verdadeiro espião, mas um homem dos serviços de segurança britânicos, responsável da equipa encarregada da protecção do Primeiro Ministro, logo inevitavelmente ligado ao mundo da espionagens.
A primeira missão de William Holmes surge em 1962 no livro Mr Holmes At Sea e relata a busca do ministro das Finanças, desaparecido em plena crise económica durante uma sessão de pesca no alto mar. Seguem-se:
Mr. Holmes Goes To Ground (1963)
Mr. Holmes And The Fair Armenian (1964)
Mr. Holmes And The Love Bank (1965)
The Shepard File (1966)
Second Red Dragon (1967)
See The Living Crocodiles (1967)



27 de junho de 2012

CALEIDOSCÓPIO 179

EFEMÉRIDES – Dia 27 de Junho
Peter Maas (1929 – 2001)
Nasce em Nova Iorque. Jornalista e escritor é mais conhecido pelos livros de crime real que escreve. Autor de vários bestsellers, na sua obra destaca-se: a biografia de Francesco Vincent Serpico, oficial da polícia de Nova Iorque, célebre pela sua luta contra a corrupção; The Valachi Papers (1968), uma biografia de Joseph “Joe Cargo” Valachi, o primeiro membro da Mafia que reconhece publicamente a existência destra organização; e In A Child’s Name (1990), vencedor do Edgar Award 1991 na categoria de Best Fact Crime, relata a história de um assassinato brutal de uma mulher pelo marido psicopata e a batalha legal de custódia sobre o filho do casal que se seguiu entre a irmã da vítima e os pais do assassino. Peter Maas, na área da ficção, esve ainda o seguintes thrillers: Made In America (1979), Father And Son (1989) e Chine Whoite (1994). Em Portugal estão editados:
1 – O Caso Valachi (1973), Nº24 Colecção Vida e Aventura, Livros do Brasil. Título Original: The Valachi Papers (1968), também editado com o título The Canary That Sang.
2 – Serpico (1976), Nº129 Colecção Contemporânea, Editora Dêagá. Título Original: Serpico (1973).


TEMA — PEQUENOS GRANDES CONTOS DA LITERATURA UNIVERSAL — INVENÇÃO DIABÓLICA
De Leon Tolstoi
Um pobre lavrador foi para o campo lavrar a terra antes de ter almoçado. Levava, prevenidamente, um pedaço de pão e, antes de começar o trabalho, deixou-o ao pé de um arbusto e tapou-o com o capote.
Mais tarde, enquanto repousava — aproveitando o cansaço do seu cavalo — sentiu apetite e foi em busca do pão, após desatar o animal do arado para que passeasse livremente. Aproximou-se do arbusto, levantou o capote e não viu o pão. Procura que procura, vira que vira, tudo inútil: o pão não apareceu.
O camponês surpreendeu-se com aquele inesperado desaparecimento.
— Que coisa tão estranha, — pensava — Não vi ninguém e apesar de tudo, alguém me levou o pão.
O autor da artimanha fora um diabinho que, enquanto o lavrador trabalhava, lhe roubara a côdea de pão e que se sentou depois atrás dum arbusto para ver se a ira o impelia a maldizer.
O lavrador não estava contente, pelo contrário, mas limitou-se a murmurar:
— Ora, não morrerei de fome por isso. Aquele que tirou o pão, por certo necessitava mais que eu. Pois que lhe faça bom proveito.
Ao dizer isto foi ao poço, bebeu água, descansou um momento, foi buscar o cavalo e voltou á sua tarefa.
O diabinho estava furioso por não ter podido fazer o lavrador pecar e foi pedir conselho ao diabo mestre. Contou-lhe como roubara o lavrador e como este em vez de se zangar, dissera: “Bom proveito lhe faça”.
O diabo mestre caiu em cólera e disse:
— Se o lavrador te venceu neste assunto, porque faltaste ao teu dever e não soubeste manejá-lo. Tem presente que se deixarmos os camponeses e as suas mulheres desafiar-nos desta maneira, vamos passar uma vida de cães… Isto não pode ficar assim, de maneira que, volta a casa do camponês e ganha o pão que roubaste, se quiseres comê-lo. Se de hoje a três anos não venceres esse campónio lançar-te-ei em água benta.
O diabrete sentiu um calafrio de espanto.
Voltou a correr à terra para reparar a sua falta. À força de pensar acabou por encontrar o que queria.
Tomou a forma de um homem e entrou ao serviço do lavrador. Prevendo que o Verão seria muito seco convenceu o amo que semeasse trigo nas terras pantanosas. O lavrador seguiu o conselho.
A força do sol queimou as searas doe demais lavradores, enquanto aquelas brotaram altas e formosas. Teve bastante para a sua alimentação e ainda restou muito trigo.
No verão seguinte, o criado persuadiu o lavrador que semeasse trigo nas terras altas e, precisamente aquele ano, foi chuvoso.
O excesso de humidade apodreceu o trigo de todos e as espigas não amadureceram, mas o nosso lavrador recolheu das terras altas abundante colheita. Tanto e tão grosso ora o grão de trigo que, cheios os celeiros, não sabia o que fazer ao que sobrava.
Então o criado ensinou o patrão a fabricar o vodka, e o lavrador afeiçoou-se a ele de tal modo, que não só bebeu ele próprio como fez os demais beberem daquela forte aguardente.
Então o diabinho foi buscar o diabo mestre gabando-se de ter ganho o pedaço de pão, mas o diabo mestre quis convencer-se pessoalmente.
Foi a casa do lavrador e viu que este convidara os notáveis do país e a todos obsequiava com vodka. A dona da casa em pessoa servia de beber e sucedeu que, uma vez que passou junto à mesa, tropeçou num ângulo e derrubou um copo.
— Tonta dos diabos! — gritou o lavrador — Por acaso isto é água para que a derrames desta maneira ?
O diabinho deu uma cotovelada no diabo mestre.
— Repara — disse -lhe — agora não acontece como daquela vez com o pão.
Após ter brigado com a mulher o lavrador quis servir por si próprio o licor fermentado e todos brindaram com regozijo. Nisto, entrou um modesto camponês, que não se esperava, e que depois de saudar, se sentou. Ao ver os demais beber vodka, sentiu ganas de prová-lo e reconfortar-se, mas ninguém lho oferecia e o pobre teve que contentar-se em tragar saliva.
O amo murmurava baixinho:
— Terei feito vodka suficiente para oferecer a todos que se nos apresentem?
Isto também agradou ao diabo mestre e fez encher de orgulho o diabinho que exclamou:
— Espera, que o bom vem agora.
Os ricos lavradores e com eles o amo da casa beberam o vodka e quando este começou a fazer o seu efeito, começaram a dirigir elogios mútuos, com palavras melosas.
O diabo mestre ouvia e felicitava o diabinho.
— Com esta beberagem — dizia — tornam-se hipócritas e enganam-se uns aos outros, de maneira que os teremos a todos em nosso poder.
— Espera um pouco mais e verás o que vai acontecer — respondeu o demoniozinho — Aguarda até que bebam somente outro copo. Agora estão como raposas que movem a cauda a ver se enganam alguém, mas em breve vais vê-los enfurecidos como lobos.
Os lavradores beberam outro copo e começaram a gritar e a falar de modo grosseiro. As injúrias substituíram as palavras melosas; apoderou-se de todos um furor extraordinário e acabaram por se bater estropiando os narizes. O próprio dono da casa, quis intervir na contenda e levou a sua parte de pancadas.
O diabo mestre olhava e divertia-se.
— Isto vai bem — disse, esfregando as mãos.
O diabrete acrescentou:
— Espera mais um pouco. Deixa que bebam outra taça e verás. Agora estão como lobos raivosos mas, logo que saboreiem outro copo ficarão como porcos
Os lavradores beberam o terceiro copo e ficaram meio aturdidos. Murmuravam, grunhiam e gritavam sem saber porquê e para quê e sem se escutarem uns aos outros. Cada qual foi para o seu lado; uns sós, outros aos pares ou em grupos de três, e todos foram a cair por terra para suas casas.
O dono da casa, que saiu para se despedir dos seus hóspedes, deixou -se cair num charco, empapado de lodo ali ficou adormecido como um leitão.
Isto agradou ainda mais ao diabo mestre.
— Sabes — disse ao diabinho — que inventaste uma famosa bebida? Ganhaste bem a pedaço de pão. Agora vais-me ensinar como fabricaste essa beberagem. Juraria que puseste nela: primeiro sangue de raposa, e por isso os lavradores se tornaram enganadores e hipócritas; depois sangue de lobo, que os tornava tão maus como eles e, por último, sangue de porco, que os converteu em porcos.
— Não — disse o diabinho — não lhes fabriquei assim essa beberagem. Limitei-me a fazer que esse lavrador tivesse trigo de sobra. Era nele que estava o sangue de todos esses animais, mas esse sangue não podia agir enquanto o trigo desse apenas o necessário para alimentação. Quando o trigo passou a ser em excesso, pôs-se a pensar no modo de utilizá-lo, e aproveitei a ocasião para ensinar-lhe a beber vodka. Ao destilar para seu regalo o dom de Deus, convertendo-o em Vodka, manifestaram-se o sangue da raposa, do lobo e do porco; agora não terá outra coisa a fazer senão continuar a beber para se converter no mesmo que esses animais.
O diabo mestre felicitou-o e promoveu-o na hierarquia do Inferno.



DICIONÁRIO DE AUTORES CONTEMPORÂNEOS DA NARRATIVA DE ESPIONAGEM (8)

10 – BAGLEY (DESMOND)
1923 — 1983

Desmond Bagley

Nascido em Inglaterra viaja até Rodésia, Uganda e Africa do Sul onde trabalha como jornalista. Depois de publicar o primeiro livro, The Golden Keel (1963), que teve grande sucesso regressa a Inglaterra e dedica-se exclusivamente à escrita. Publica no total 16 thrillers: 2 títulos da série Slade, 2 títulos da série Max Stafford e 12 romances.

1 – Correndo Às Cegas
Círculo de Leitores (1981)
Tradução de Maria Manuela Saraiva
Título Original: Running Blind (1970)
1º Livro da série Slade

2 – O Tigre Da Neve
Círculo de Leitores (1981)
Tradução de Maria Ludovina Ferreira Figueiredo
Título Original: The Snow Tiger (1974)

3 – O Fugitivo
Círculo de Leitores (1981)
Tradução de Mário Serra
Título Original: Flyaway (1978)
1º Livro da série Max Stafford

4 – O Inimigo
Círculo de Leitores (1982)
Tradução de Felisbela Godinho Carneiro
Título Original: The Enemy (1978)

5 – Alta Cidadela
Círculo de Leitores (1982)
Tradução de Maria Ludovina Ferreira Figueiredo
Título Original: High Citadel (1965)

6 – Crise Nas Bahamas
Círculo de Leitores (1984)
Tradução de Maria Adelaide Namorado
Título Original: Bahama Crisis (1980)

7 – Herança Sinistra
Círculo de Leitores (1984)
Tradução de Maria Adelaide Namorado
Título Original: Windfall (1982)
2º Livro da série Max Stafford

8 – Noite De Terror
Círculo de Leitores (1985)
Título Original: Juggernaut (1985)

9 – Missão Em África
Círculo de Leitores (1986)
Tradução de Maria Adelaide Namorado
Título Original: Juggernaut (1985)


11 – BALLINGER (BILL)
1912 — 1980
Bill Ballinger

Autor já referido no CALEIDOSCÓPIO 73 (clicar)
Numa segunda fase da sua carreira literária, depois de uma interrupção de quase 10 anos, lança em 1965 o agente da CIA Joachim Hawks, um espião de origem hispano-americana, com o Sudeste asiático como teatro de operações. Este herói protagoniza 5 romances do autor, todos editados em Portugal

1 – O Espião Na Selva
Editorial Minerva (1967)
Tradução de Adelino Rodrigues
Título Original: The Spy In The Jungle (1965)

2 – O Espião Em Angkor Wat
Bertrand Editores (1967)
Colecção: Espionagem: Nº 21
Tradução de M. M. Ferreira da Sikva
Título Original: The Spy At Angkor Wat (1966)

3 – O Espião Em Bankok
Editora Dêadá (1967)
Colecção: Espionagem: Nº 4
Tradução de Eduardo Saló
Título Original: The Spy In Bankok (1963)

4 – A Máscara Chinesa
Editorial Minerva (1968)
Colecção: Espionagem: Nº
Tradução de Abel Marques Ribeiro
Título Original: The Chinese Mask (1965)

5 – O Espião No Mar De Java
Editora Dêadá (1970)
Colecção: Espionagem: Nº 53
Tradução de Ana Gonzalez
Título Original: The Spy In Java Sea (1966)



19 de junho de 2012

CALEIDOSCÓPIO 171

EFEMÉRIDES – Dia 19 de Junho
Robert Traver (1903 – 1991)
John D. Voelker nasce em Ishpeming, Michigan, EUA. Advogado, juiz e escritor sob o pseudónimo Robert Traver. Publica em 1958 Anatomy Of A Murder, baseado num caso real de homicídio em que é advogado de defesa. O livro é um bestseller e em 1959 é adaptado ao cinema por Otto Preminger, protagonizado por James Stuart e com música de Duke Ellington. O filme recebe vários prémios e é classificado como um dos melhores filmes de sempre. Robert Traver escreve vários romances e short stories.


Paul Halter (1956)
Nasce em Haguenau, Alsácia, França. Publica o primeiro romance La Malédiction De Barberousse com que obtém o 2º lugar do Prix Cognac em 1986 e o prémio da Société des Escrivans d’ Alsace e de Lorraine, o que incentiva o autor a prosseguir na carreira literária. No ano seguinte com La Quatrième Porte ganha o Prix Cognac e, em 1988, o Prix du Roman d’Aventures com Le Brouillard Rouge. Paul Halter continua a somar prémios, cria dois personagens: o Dr. Alan Twist, um criminologista de renome, nascido em Dublin em 1882, e que é a figura central de 24 livros; e Owen Burns, um esteta victoriano inspirado em Oscar Wilde que protagoniza 7 títulos. O autor, especialista em mistérios impossíveis e/ou de quarto fechado, tem publicados cerca de 60 livros, alguns adaptados ao cinema, televisão e banda desenhada.


TEMA — CONTO POLICIÁRIO — NÃO É FÁCIL; O CRIME PERFEITO
De Severina Fortes
Na estranha apatia em que a sua vida sentimental mergulhara, Maria Joana ocupava inteiramente os ócios na moldagem de cerâmica plástica, a que dava formas bizarras e rotundas, cozia no forno artesanal e pintava de acre, magenta — ou azul chinês — com toques de negro e branco. Era uma ocupação voluntária que lhe dava prazer e descontraía, refugiada num compartimento da mansarda
Havia o emprego na repartição na cidade, a âncora de segurança (outro mundo com interesses, companheirismo, apelos…); a quase isolada Vivenda Azul, nos arredores (o lar a dois com Luís Mário antes da presença insólita de Jean Paul depois do regresso de Paris, após a permanência necessária. à sua formação de pintor entre os do seu meio); e um futuro para encher de tempos felizes: a alegria negada pelo fosso rasgado entre o casal e que dia. à. dia mais se cavava.
Não houvera explicações. Luís Mário não retomara a intimidade do casal nem mostrou preocupação em saber como Maria Joana superava a situação. E ela não reclamara por dignidade magoada, numa espécie de ciúme incisivo pelo que considerou obsceno, pasmando no jogo duma aparente convivência normal.
Até quando?
A queda do calorifico de parede (já ligado) na banheira com água para o seu banho de imersão habitual, pareceu-lhe um acidente estúpido, nada mais. Nem sequer o curto-circuito resultante a aborreceu demasiado. Fora por acaso que contara na hora da bica e do cigarro no café da terra; aonde estava o Mendes, vizinho e amigo do casal desde os primeiros tempos, antes de enviuvar, quando os quatro formavam um grupo unido.
Apenas por acaso!
Mas o Mendes, ouvindo angustiado o relato do acidente, teve o cuidado de lhe explicar o perigo a que escapara por não ter ainda entrado na água quando calorífico ligado à electricidade caíra.
“Electrocutada!”, disse-lhe sem rodeios. “Foi por triz que não morreste electrocutada!”.
Maria Joana sorrira. Não fora ela quem levantara suspeitas
Na manhã de sábado seguinte — conforme depois contara — quis trabalhar nas “suas cerâmicas”, Trouxe na véspera o barro a condicionado da cidade e esta ansiosa por lhe mexer sem atender a mais nada.
Depressa dera forma a duas peças que idealizara lhe saíram bem. Assim que ficaram prontas para cozer, deu conta de que a cabeça lhe pesava, latejante. Por isso decidiu sair logo que as metesse no forno, ligando-o mínimo, a dar ocasião a voltar para as vigiar.
Desceu pela escada de caracol em ferro forjado servia a ligação directa da mansarda ao jardim, ressalvada a andar um pouco, talvez até ao café. Ainda tomava a bica quando se ouviu perfeitamente o barulho inconfundível explosão. E Maria Joana, lamentando-se tristemente, se de imediato que nunca veria as suas peças terminadas.
“Foi uma fuga de gás!”, afirmou, sem qualquer dúvida. “Por isso a cabeça me latejava…”.
O Mendes, que também ouvira, começou achar estranho dois acidentes seguidos, podendo qualquer deles ser fatal a Maria Joana.
Que estaria por detrás? O aparecimento de Jean Paul apresentado como discípulo do pintor e se divulgara servir de modelo, fora murmurado e difundido como costume na devida altura, e a moço apelidado jocosas de “boy friend” de Luís Mário, talvez por se notar o distanciamento entre o Casal. Mas nada fizera julgar o possível triângulo tivesse consequências.
Resolveu ficar alerta. Todas as noites, antes de se deitar, ao levar o “pastor alemão” a passear — já que de dia nada poderia fazer — tomara por hábito andar pelas proximidades da residência dos amigos.
Cerca de um mês mais tarde, na sua ronda que começava a considerar um exagero, Mendes ouviu dois tiros simultâneos sem qualquer grito ou ruído de luta, vindos da Vivenda Azul.
Ocorreu prontamente, temendo por Maria Joana. E então soou o terceiro disparo acompanhado de abafado grito de dor, o que o fez procurar a origem de tudo com maior afinco.
O quadro sangrento que se lhe deparou no atelier de Luís Mário, gelou-o!
Apenas o pintor se encontrava vestido, caído de lado sobre o amplo sofá. Do buraco na têmpora direita, feito por bala, jorrava sangue e no seu olhar parado mantinha-se ainda o brilho da incompreensão. Jean Paul jazia no chão, também já morto, tão vestido como nascera. Atingido no peito, sensivelmente ao nível do coração; no seu rosto ficara o ricto provocado pelo sofrimento repentino que lhe abrira a boca num esgar de dor
Com um suspiro de alívio, Mendes verificou que Maria Joana vivia. Igualmente sem roupa, concluía-se que se arrastara até ao sofá pelo rasto do próprio sangue a correr da ferida aberta nas costas, junto à omoplata esquerda.
No primeiro momento, estupidificado, Mendes não atingiu logo por que razão Maria Joana pressionava os dedos da mão direita do marido na coronha da pistola que teimosamente pretendia deixar segura com o apoio do corpo no sofá. Punha toda a diligência nesse propósito de fazer a mão de Luís Mário empunhar a arma, esgotando as últimas forças nessa tentativa. Desfalecia no instante em que o amigo se baixou instintivamente para a amparar. Mas agora a evidência não podia ser negada, nem mais clara! E tudo se perdia para Maria Joana…
Desmaiando tão depressa, não chegara a desenvencilhar-se dos finos sacos de plástico, macios e pequenos (com que se embrulha o pão nos supermercados), que conservava enfiados nas mãos e a inculpavam ao revelar como conseguira matar o marido, e o moço que posava para um estudo numa sessão de trabalho. Logicamente, surpreendidos pela visita dela, não teriam suspeitado como escondia as mãos protegidas, e a pistola, nos bolsos do roupão que levava vestido — sem nada por debaixo! E, com certeza, não lhes dera ocasião para estranharem demais.
Despir depois o roupão, ferir-se habilidosamente — e com coragem! — por detrás, para poder fingir crime passional a ser cometido pelo marido e a culminar pelo suicídio, era o seu objectivo! Infelizmente, para si, calculara mal a direcção a dar ao tiro, lesando-se mais profundamente do que contara. Não foi capaz de realizar o plano que premeditava!
Com mais tempo, tornar-se-ia brincadeira dar importância a dois saquitos amarrotados, de plástico macio, num atelier onde se junta tanto objecto avulso; na verdade, insignificantes na cena do crime, tão violento, principalmente quando ao recuperar da “tentativa de assassínio”, a que escapara milagrosamente, confessasse embaraçada a sua ligação culposa com Jean Paul (que não poderia desdizê-la), para vingança da indiferença do marido; que por sua vez se vingara, suicidando-se depois.

Como o crime passional visto desse ângulo seria correcto! Só que não é fácil, o crime perfeito…

Gun Crime Ilustração de Noma Bar


TEMA — POESIA DO CRIME — OS POLICIÁRIOS
De José Feiteira da Bessa
Os Policiários tudo correm
e o Mundo vêem passar;
Aqui e lá descem e sobem
para a gente investigar!

E olham tudo em redor
com a visão multiplicada;
Claro, lembram qualquer açor
à espreita duma caçada!

Todos têm cara de ladrões,
mesmo que desconheçam tal
ou, sim, talvez levem a mal!

Mas todos somos criminosos,
e ao mesmo tempo queixosos,
em todas as nossas acçõesl




DICIONÁRIO DE AUTORES CONTEMPORÂNEOS DA NARRATIVA DE ESPIONAGEM (7)

8 – ARNO (MARC)
1937


Marc Arno é um dos pseudónimos literários utilizados por Jean-Pierre Bernier a partir de 1959. Escreve para as edições Arabesque na colecção Espionnage sob os pseudónimos Paul Orney, yves Sinclair e Gil Darcy, este último o pseudónimo colectivo criado por Georges J. Arnaud.
O escritor publica MAIS DE 100 títulos de espionagem e os seus livros encerram uma intriga bem elaborada que cativa o leitor.
A obra do autor editada em França como Marc Arno pode ser consultada AQUI
E sob o pseudónimo Paul Orney, AQUI

Em Portugal sob o pseudónimo Paul Orney:

1 – Segredo Provisório
Surpresa — Vila do Conde (1963)
Colecção: Policial Corvo Nº32
Tradução de J. Ferreira de Almeida
Título Original: Secret Provisoire (1958)


2 – O Agente Triplo
Agência Portuguesa de Revista (1964)
Colecção: Espionagem: Nº25
Tradução de Fernando Brito de Sá
Título Original: Liquidez L’Agent Tripe (1958)




3 – Coordenadas Do Perigo
Agência Portuguesa de Revista (1964)
Colecção: Espionagem: Nº31
Tradução de Fernando Brito de Sá
Título Original: Coordonnées Danger (1964)




4– Chumbo Na Ilha
Agência Portuguesa de Revista (1965)
Colecção: Espionagem Nº41
Tradução de Fernando de Sá
Título Original: Du Plomb Dans L’Ile








José-André Lacour


9 – AVRIL (MARC)
1919 — 2005


Marc Avril é um pseudónimo usado por dois escritores Stéphane Jourat (1924-1995) e José-André Lacour (1919-2005), ambos escritores belgas que usam individualmente uma multiplicidade de pseudónimos. Marc Avril é ao mesmo tempo o nome do(s) autor(es) e o nome do herói que dirige a sua própria agência de espionagem com colaboradores tão doidos como o chefe. Foram escritos 58 títulos nesta série, iniciada em 1970 com Puisqu'il Faut L'appeler Par Son Nom… e com o ultimo título publicado em 1987, Avril Et La Pharaonne. São descritos como livros de leitura agradável e divertidos.
Marc Avril editada em francês pode ser consultada AQUI