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3 de julho de 2012

SOLUÇÃO - CRIPTOGRAFIA

SOLUÇÃO — ENIGMA PRÁTICO DE CRIPTOGRAFIA — O SENHOR FICTÍCIO VOLTA À LIÇA

E pronto, amigos, vamos a ver até que ponto serviram as observações iniciais deste capítulo. Encontraram a solução?
Se não… façam mais um pequeno esforço. Ei-la, como uma continuação do problema, ficam assim com a leitura de um conto completo.

O Doutor Hipócrates voltava à carga:
— Mas como raio é que você deduziu que as duas manchas de sangue não eram da mesma pessoa?
— Meu caro Doutor, esse pequeno pormenor é como que a cúpula do edifício de deduções que tenho estado a construir. E sempre lhe digo que ele vem esclarecer-me certas dúvidas, ao mesmo tempo que explica o procedimento algo estranho do assassino.
— Venha de lá a história!
— Ora muito bem! Lembra-se decerto que quando nos dirigimos para o local do crime, havia nesse mesmo sentido duas espécies de pegadas. Isto quer dizer que ninguém veio de lá para cá desde que a maré começou a baixar e que apenas duas pessoas tinham ido para os lados do farol…
— Desculpe-me a interrupção. Não poderia alguém, o hipotético desconhecido, por exemplo, fazer o caminho nos dois sentidos por dentro de água, de modo a que não ficassem visíveis os sinais das suas pegadas?
— A sua dúvida tem razão de ser, Mas nesse caso deveriam notar-se esses sinais desde a água ao corpo e vice-versa, o que não aconteceu. Portanto, podemos fixar-nos na afirmação de que só duas pessoas antes de nós fizeram o caminho da praia para o farol, desde que a maré começou a baixar: o assassino e a vítima. Do mesmo modo seria impraticável que um pretenso assassino estivesse no farol já desde a baixa-mar anterior, porque as suas pegadas de retorno, ou do local do crime para a água, seriam visíveis. Está assim encontrada a primeira mentira do Homem da Camisola Azul. Não concorda?
— Em absoluto. Mas há mais, não é verdade?
— Oh, há mesmo muitíssimo mais. O morto estava descalço, tendo perto de si os sapatos. Logo, as pegadas produzidas por pés descalços pertenciam-lhe, uma vez que as outras eram sapatos de ténis, que não eram os seus. E esses sinais de pés descalços, inteiramente visíveis, denotam que a pessoa que os deixou andava sem pressas, pisando bem e com calma. Isso não acontecia com as outras pegadas, de maior distancia entre si e das quais muitas vezes só se reconhecia a biqueira.
Desnecessário é dizer que quem as produziu vinha com pressa, corria mesmo.
— E aí está outra mentira do Homem da Camisola Azul, que declarou ter-se dirigido para ali devagar. Não há dúvidas que hoje você está inspirado.
— Agradeço-lhe o galanteio e passo a outro pormenor. As duas perfurações perfeitamente sobrepostas mesmo por sobre uma dobra da camisa deram-me a certeza de que o homem havia sido apunhalado quando estava com o tronco nu.
— Essa agora. Mas porquê?
— Repare bem, doutor. Se eu o apunhalasse agora, por cima dessa dobra da sua camisa, quantas perfurações perfeitamente sobrepostas ficariam nela?
— Ora deixe ver… Uma, duas, três! Exactamente três perfurações. Isto é notável!
— Além disso, os calções de banho molhados, como todo o corpo, a camisa húmida, reforçavam essa certeza de que o homem estava de tronco nu quando foi morto e tinha acabado de sair da água. Sim, porque não tendo ali a toalha (só lá estavam os sapatos e calças) ele decerto não iria vestir a camisa sem se secar primeiro ao sol.
— Muito bem? Mas porque raio é que o outro o matou e depois foi vestir-lhe a camisa? Que coisa estranha…
De facto foi esse um pormenor que muito me intrigou, até que me lembrei daquela inoportuna mancha de sangue no ombro direito do morto, que não provinha de nenhum ferimento. Ou antes, não era nenhuma ferida da vítima. Então, ocorreu-me a possibilidade dela ser do assassino. E foi por isso que lhe pedi que analisasse o sangue das manchas. Tinha por mim a enorme sorna de ensinamentos que o Dr. Wiener nos ofereceu sobre o assunto e que o senhor tão bem conhece.
— Mas isso não explica…
— Explica sim. O criminoso pode ter-se ferido num local que nos passasse despercebido à primeira vista. Olhe, até pode acontecer que aquele sangue proviesse do nariz do assassino, tendo até como causa o sol quente que estava. Pois muito bem: durante a brevíssima luta que pode ter-se travado, porque a areia ali estava um pouco revolvida, é possível que o Homem da Camisola Azul tivesse sangrado para cima da camisa da sua vítima, que estava ali perto, talvez sobre as calças e os sapatos. Então, porque ele não podia ver a praia, nem da praia o podiam ver a ele, pois os rochedos tiram essa possibilidade, o nosso homem previu a hipótese de alguém aparecer inesperadamente e topar com aquele espectáculo. Apressou-se a vestir a camisa ao morto, certo de que se o sangue estivesse todo no corpo do outro mais facilmente arranjaria uma história que o inocentasse do caso Estava no fim dessa operação quando nós chegámos e foi por isso que ele não teve tempo de tirar nada ao outro.
— Mas que queria ele tirar-lhe?
— Duas coisas. Uma delas era este papel com uma mensagem cifrada.
— O que é que diz aí? É difícil saber-se, não? -Relativamente. Para escrever isto deve ter sido usado o método da transposição Tentemos, portanto, agrupar estas letras em, digamos, quatro colunas. Como a mensagem se compõe de 38 letras, duas colunas terão dez e outras duas nove letras, alternando as quantidades.


Assim, a partir da mensagem

AMETPOSROOOLTESAUAAFUSR
ASQDFLRAASSEEDR

Teremos:
1 — AMETPOSROO
2 OLTESAUAA
3 FUSRASQDFL
4 RAASSEEDR

Agora experimentemos colocá-las na vertical pela seguinte ordem: 1-3-2-4. Encontraremos:

A
F
O
R
M
U
L
A
E
S
T
A
T
R
E
S
P
A
S
S
O
S
A
E
S
Q
U
E
R
D
A
D
O
F
A
R

O
L



 

Leia agora no sentido horizontal. Que encontra? - A FÓRMULA ESTÁ TRÊS PASSOS À ESQUERDA DO FAROL.
— Notável!
— Claro que tivemos sorte de acertar à primeira, porque normalmente isto só se consegue ao fim de muitas tentativas.
— E qual era a outra coisa que o Homem da Camisola Azul pretendia?
Uma cigarreira em que se vê o seu retrato, em companhia duma mulher e dum miúdo, cuja existência em poder do assassinado deita por terra a afirmação de que não o conhecia.
— Mas como explica…
— Muito simplesmente. O Homem da Camisola Pintalgada deve ter cá vindo oferecer-lhe a localização de certa fórmula, em troca de algum dinheiro, é claro. Como a informação vinha cifrada, é natural que o morto não fosse mais que um agente de determinada organização, a qual procedeu assim para evitar que ele a traísse. Pois bem, durante a conversação o Homem da Camisola Pintalgada deve ter procurado um cigarro. Como não o tinha, o outro ofereceu-lhe a cigarreira, que ele guardou até talvez inadvertidamente, como de resto acontece muitas vezes. O Homem da Camisola Azul também não deu por isso no momento. E mais tarde seguiu o outro até à praia do farol. Quando o viu dentro de água, correu para as suas roupas, no intuito de poder roubar-lhe a mensagem e a cigarreira sem que o outro desse por isso. Mas ele deu mesmo e saiu da água. Então o ladrão tornou-se assassino e matou-o! O resto já o meu caro Doutor Hipócrates sabe tão bem como eu.



20 de junho de 2012

CALEIDOSCÓPIO 172

EFEMÉRIDES – Dia 20 de Junho
Leo Bruce (1903 – 1979)
Rupert Croft Cooke nasce em Edenbridge, Kent, Inglaterra. Autor de livros de mistério / detective. Cria o Sergeant Beef, um oficial da polícia britânica, mas que no fundo é um homem comum que gosta de cerveja e jogo de dardos; aparece pela primeira vez em 1936 em Case For Three Detectives e é a figura central de 8 livros. Leo Bruce cria uma segunda série Carolus Deene, que tem 23 títulos publicados; o herói é um ex-comando que se torna professor e detective amador. Em 1992 é editado um livro que reúne 28 contos de  Sergeant Beef, Carolus Deene e outros personagens. Em Portugal estão editados:
1 - A Morte Ronda Os Rochedos (Abr/1963), Nº192 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Nothing Like Blood (1962). O 11º livro da série Carolus Deene.
2 - Um Caso Para Três Detectives (Jun/1990), Nº515 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Case For Three Detectives (1936). O 1º livro da série Sergeant Beef.
3 - Caso Sem Solução (Jul/1991), Nº528 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Case With No Conclusion (1936). O 4º livro da série Sergeant Beef (1939).


Hartley Howard / Harry Carmichael (1908 – 1979)
Leopold Horace Ognall nasce em Montreal, mas é educado na Escócia. Jornalista e escritor britânico de é conhecido pela precisão dos detalhes e pelos enigmas elaborados dos seus romances policiários. Utiliza os pseudónimos Hartley Howard e Harry Carmichael. Sob o primeiro escreve 44 livros com os personagens Glenn Bowman, um detective privado inglês e Philip Scott, um agente da British Intelligence. Sob o pseudónimo Harry Carmichael cria o personagem John Piper, um assessor de seguros e Quinn, um repórter de crime, que protagonizam um total de 42 livros. Em Portugal estão editados:

Hartley Howard
1 - A Última Chamada (Jul/1961), Nº171 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Bowman At A Venture (1954)
2 - A Cinco Horas Da Morte (Out/1962), Nº186 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Bowman On Broadway (1954)
3 - Passaporte Para O Inferno (Fev/1964), Nº201 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Death Of Cecilia (1952)
4 - Madrugada Sangrenta (Jan/1967), Nº236 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Stretton Case (1963)
5 - No Reino Da Perversidade (Fev/1969), Nº261 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Portrait Of A Beautiful Harlot (1966)
6 - Conspiração Nas Trevas (Ago/1969), Nº267 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Counterfeit (1966)
7 - O Funeral Foi O Começo (Ago/1973), Nº315 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Nice Day For A Funeral (1972)
8 - Auto-Estrada Para O Crime (Jul/1974), Nº326 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: e High-Way To Murder (1973)
9 - Quarto 37 (Dez/1975), Nº343 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: A Room 37 (1970)
10 - Embriaguez Mortal (Set/1976), Nº351 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Dead Drunk (1974)
11 - A Cruz Tripla (Fev/1977), Nº356 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Treble Cross (1975)
12 - Na Linha De Fogo (Out/1977), Nº364 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Out Of The Fire (1965)
13 - O Salário Do Diabo (Fev/1978), Nº368 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Playoff (1976)
14 - Viagem Sem Regresso (Set/1978), Nº375 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: One-Way Ticket (1978)
15 - Sangue E Diamantes (Fev/1979), Nº380 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Routine Investigations (1967)
16 - O Último Encontro (Set/1979), Nº387 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Last Appointment (1951)
17 - Morte Em Roma (Mar/1980), Nº393 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Secret Of Simon Cornell (1969)
18 - A Carta Fechada (Out/1980), Nº400 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Sealed Envelope (1979)
19 - Veneno Para Um Detective (Abr/1981), Nº406 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Bowman Strikes Again (1953)
20 - Detective Para Abater (Fev/1982), Nº416 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: No Target For Bowman (1955)
21 - O Lago Da Morte (Out/1982), Nº424 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Bowman Touch (1956)
22 - O Jogo Fatal (Mai/1983), Nº431 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Cry On My Shoulder (1970)
23 - A Longa Noite (Jul/1984), Nº445 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Long Night (1957)
24 – Chave Para A morgue (Jul/1985), Nº456 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Key To The Morgue (1957)
25 – Bomba De Relógio (Mar/1986), Nº465 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Time Bomb (1961)
26 – Dorme… Dorme Para Sempre (Jul/1987), Nº481 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Sleep, My Pretty One (1958)


Harry Carmichael
1 - Círios Para Os Mortos (Mar/1976), Nº345 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Candles For The Dead (1973)
2 - Falso Testemunho (Jun/1977), Nº360 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: False Evidence (1976)
3 - Sepultura Para Dois (Dez/1977), Nº366 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: A Grave For Two (1977)
4 – Armadilha Mortal (Jun/1978), Nº372 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Death Trap (1970)
5 – A Minha Arma É O Ódio (Dez/1978), Nº378 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Seeds Of Hate (1959)
6 – Alibi Sangrento (Nov/1981), Nº413 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Alibi (1961)
7 – Adultério Trágico (Jan/1984), Nº439 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Link (1962)
8 – A Mulher Tranquila (Fev/1985), Nº452 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Quiet Woman (1971)
9 – A Sombra Da Forca (Nov/1985), Nº462 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Noose For A Lady (1955)

Catherine Aird (1930
Kinn Hamilton McIntosh nasce em Huddersfield, Yorkshire, Inglaterra. Utiliza o pseudónimo Catherine Aird e publica o primeiro romance em 1966 The Religious Body, onde surge o Inspector Christopher Dennis Sloan, conhecido po Seedy pelos colegas e o Constable William Crosby, um detective um pouco lento, evitado pelos colegas. A série Sloane Crosby tem 23 livros, o mais recente Past Tense, editado em 2010. Além desta série Catherine Aird publica mais 11 livros policiários, alguns colectanêas de contos. Em Portugal estão editados:

1 – Um Cadáver No Convento (Jul/1983), Nº433 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Religious Body (1966).
2 – Jogo Mortífero (Set/1984), Nº447 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: A Most Contagious Game (1967).
3 – Crime Na Estrada (Out/1985), Nº460 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Henrietta Who? (1968).
4 – O Fantasma Homicida (Jan/1987), Nº475 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: The Complete Steel (1969).
5 – Funeral Inadiável (Fev/1988), Nº487 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: His Burial Too (1973).
6 – O Crime Serve-se Ao Jantar (Out/1989), Nº507 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: Slight Mourning Too (1975).
7 – A Testemunha Silenciosa (Jan/1992), Nº534 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: A Dead Liberty (1986).
8 – Destino Macabro (Jan/1993), Nº546 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: A Late Phoenix (1971).
9 – Negócio Perigoso (Jul/1996), Nº588 Colecção Vampiro, Livros do Brasil. Título Original: A Going Concern (1993).

Robert Crais (1953)
Nasce em Independence, Louisiana, EUA. Entre 1976 e 1984 trabalha em Hollywood, como argumentista e produtor para conhecidas séries de televisão e chega a ser nomeado para o Emmy Award pelo guião de Hill Street Blues. Crais dedica-se à escrita e com base em elementos autobiográficos cria Elvis Cole — um ex ranger detective privado — e publica o seu primeiro livro: The Monkey’s Raincoat. Este livro ganha o Anthony Award, o Macavity Award, é nomeado para o Edgar Award e para o Shamus Award e é selecionado como um dos 100 Mistérios Favoritos do Século pela Independent Mystery Booksellers Association. A série Elvis Cole tem 12 títulos publicados e a série Joe Pike 4 títulos. Robert Crais tem ainda publicados 6 livros de short stories, ensaios sobre Harlan Ellison, Rex Stout e Dashiell Hammett e os romances Demolition Angel (2000), Hostage (2001) e The Two Minute Rule (2006). As obras do escritor estão no top dos bestsellers Em Portugal estão editados:
1.– Talento Explosivo (Dez/2001), 40º Volume Colecção Livros Condensados, Selecções do Reader’s Digest. Título Original: Demolition Angel (2000). Reeditado em 2005 pela Ulisseia com o Nº21 da Colecção Vício da Leitura com o título Anjo da Destruição.
2.– Refém (Out/2002), 45º Volume Colecção Livros Condensados, Selecções do Reader’s Digest. Título Original: Hostage (2001).
3.– O Último Detective (Dez/2003), 52º Volume Colecção Livros Condensados, Selecções do Reader’s Digest. Título Original: The Last Detective (2003). Reeditado em 2007 pela Ulisseia com o Nº28 da Colecção Vício da Leitura. É o 9º Livro da série Elvis Cole.
4.– A Regra Dos Dois Minutos (2007), Nº4 Colecção Minutos Contados, Editorial Presença. Título Original: The Two Minute Rule (2006). Também editado pelas Selecções do Reader’s Digest com o título A Regra Dos Dois Amigos. É um dos livros mais premiados do autor.
5.– O Guarda Costas (2008), Colecção Selecções do Livro, Selecções do Reader’s Digest. Título Original: The Watchman (2007). É o 1º Livro da série Joe Pike.
6.– Perseguindo A Escuridão (2011), Colecção Selecções do Livro, Selecções do Reader’s Digest. Título Original: Chassing Darkness (2008). É o 11º Livro da série Elvis Cole.


TEMA — ENIGMÍSTICA POLICIÁRIA — O ENIGMA DE CRIPTOGRAFIA (2)
Outro método será, usando todo o alfabeto, mas empregar o número de letras combinadas: três em três, cinco em cinco, etc. Neste caso, utilizando três letras: à letra “A” corresponderia um “C”, à “B” um “E” e à “C” um “I” etc.
A Tábua de Vigenère facilita a rápida conversão das letras acima ou abaixo na escala alfabética.


No sistema de substituição as letras, sílabas ou palavras são substituídas por outras, algarismos ou sinais, previamente combinados.
A letra “A” seria “1”, a “B” seria “2”, e assim sucessivamente. Se se quiser usar letras, pode convencionar-se que o “A” será o “T”, o “B” o “N” etc., sem qualquer ordem.
Se no sistema de substituição de letras por números, ainda que se use o método alternativo não oferece inconvenientes de maior, já na substituição desordenada de letras por outras, necessita que o transmissor e receptor tenham em seu poder o código adequado, sempre perigoso quando estão em causa interesses vitais.
Um outro método de: substituição, eficaz, consiste em recorrer a uma palavra-chave (método de chave combinado, como é conhecido) cujas letras são todas diferentes e que serão as primeiras letras a substituir no alfabeto ordenado, seguindo-se para a restante substituição, por ordem, as letras que não estão contidas naquela palavra-chave.
Seja a palavra “REPUBLICAS” e construímos o alfabeto/código seguinte:

A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
M
N
O
P
Q
R
S
T
U
V
X
Z
R
E
P
U
B
L
I
C
A
S
D
F
G
H
J
M
N
O
Q
T
U
X
Z





Neste código, para a palavra “policial” teríamos “JHDAPARD”.

O sistema misto compreende os dois anteriores; isto é, o texto, principalmente sujeito ao método da transposição, é, posteriormente transformado no da substituição. Complicado, como se compreende.
Com base neste mesmo processo Edgar Allan Poe, que além de escritor e poeta, foi um emérito cultor da arte da criptografia, complica muito mais o sistema, pois e código uma frase de 26 letras (para um alfabeto do mesmo número) mesmo repetidas, pelo que uma letra pode ter vários valores.

A frase latina: “Suaviter in modo, fortiter in re”.

S
U
A
V
I
T
E
R
I
N
M
O
D
O
F
O
R
T
I
T
E
R
I
N
R
E
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
K
L
M
N
O
P
Q
R
S
T
U
V
W
X
Y
Z





Logo:
“A” vale para “C”
“D” vale para “M”,
“E” vale para “G”, “U”, “Z”
“F” vale para “O”,
“I” vale para “E”, “I”, “S”, “Z”
“M” vale para “K”
“N” vale para “J”, “X”,
“O” vale para “L”, “N”, “P”
“R” vale para “H”, “Q”, “C”, “Y”
“S” vale para “A”
“T” vale para “F”, “R”, “T”
“U” vale para “B”
“V” vale para “D”,

Assim, se quisermos codificar a palavra “CADA” obteríamos “ASUC”;
Para “ZUIR” teríamos “EEIT”.
Ainda continuaremos com outros métodos elucidativosdado que presentemente têm surgido este tipo de enigmas policiários em torneios.
Hoje deixamos mais um…
M. Constantino


TEMA — ENIGMA PRÁTICO
O exemplo é da autoria de Carlos Paniágua Fèteiro um nome forte da Problemística dos anos 50-60.

O SENHOR FICTÍCIO VOLTA À LIÇA
Sentados num ponto qualquer da frondosa mata, os dois homens conversavam. Um deles, o Homem da Camisola Azul, parecia nervoso. Com um gesto sacudido abriu a cigarreira e, enquanto tirava um cigarro, reviu-se na fotografia que ali tinha, junto à mulher e ao filho.
“Esta é a última oportunidade que tenho de lhes proporcionar uma vida despreocupada. Ah, se este facínora me dissesse onde está a fórmula! Vou tentar ainda outra vez…”
— Pois é. Agora não posso arranjar-lhe os quinze contos. Mas se me desse a fórmula, em pouco tempo eu… pode crer…
— Lamento muito, mas o chefe foi bem explícito: só posso dar-lhe as indicações em troca do dinheiro. Aliás, nem eu próprio sei onde está a fórmula. A informação vem em cifra. Está aqui…
E brandiu em frente do outro um pequeno papel dobrado. Depois, procurou um cigarro nos bolsos. Só encontrou um maço vazio, que amarrotou na palma da mão e jogou fora com um pontapé. O Homem da Camisola Azul ofereceu-lhe a cigarreira. O Homem da Camisola Pintalgada tirou um cigarro e acendeu-o. Lentamente, o fumo foi subindo no espaço. Estava calor. A tensão entre os dois homens aumentava. Fitando o outro sem o ver, o Homem da Camisola Azul voltara aos seus pensamentos. De olhos apertados, tentava pôr em ordem as suas ideias. Mas o desalento invadiu-o.
“Estou completamente perdido! Não tenho a mínima possibilidade de me salvar, A não ser que… Não, isso não! Matar, só em último caso… Mas não é este um caso desesperado, um último caso?”
— Parece-me então que não temos nada feito. Entretanto, se conseguir arranjar o dinheiro, procure-me na praia, junto ao farol. Sou apaixonado do mar. E como só vou no comboio da noite, sempre aproveito para tomar um bom banho e pôr-me a secar ao sol. Até logo… ou até à vista!
O Homem da Camisola Azul ficou a vê-lo afastar-se com ar despreocupado.
“Ah, como te invejo. Tenho-te raiva! Talvez te procure, sim. E então…”

O Sr. Fictício e o seu amigo Dr. Hipócrates ladearam os enormes rochedos que escondiam a estreita restinga que, na maré baixa, ligava a praia ao farol. Trinta metros mais à frente, mesmo no sopé da elevação onde este se erguia, um homem de camisola azul inclinava-se sobre um vulto estendido na areia.
Na mesma fracção de tempo, os olhares do Sr., Fictício e do Homem da Camisola Azul encontraram-se. E enquanto os dois recém-chegados estugavam o passo, o outro erguia-se.
“Bolas! Não tive tempo de lhe tirar nada. Só faltava que estes dois parvos viessem estragar-me o arranjinho. Decididamente estou em maré de pouca sorte! Nem descendo ao degrau mais baixo da escala consigo salvar-me!”
Na areia que a água deixara a descoberto há pouco mais de uma hora, o Sr. Fictício reparou que havia dois géneros de pegadas, ambos em direcção ao farol, que estava deserto. As marcas inteiramente visíveis duns pés descalços faziam companhia a outras, cuja distância entre si era maior, produzidas por sapatos de ténis, mas das quais, muitas vezes, só se reconhecia a biqueira. A máquina cerebral do Sr. Fictício já estava a funcionar. A seu lado, o Dr. Hipócrates ainda não apreendera nada de estranho. Simplesmente…
Simplesmente quando chegaram junto do homem que estava deitado sobre a areia, o doutor Hipócrates verificou que ali tinha trabalho. Uma enorme mancha de sangue alastrava pela camisa pintalgada, sobre o coração. No ombro direito do homem também havia sangue, mas o doutor depressa constatou que não provinha de nenhum ferimento.
— O homem está morto! E morreu agora mesmo! Esta agora…
Perante a estupefacção do seu companheiro, o Sr. Fictício sorriu enquanto se curvava para o cadáver. De calções de banho ainda molhados, o que de resto acontecia com todo o corpo, estava descalço e notava-se que a camisa pintalgada que lhe cingia o tronco se encontrava húmida. Duas perfurações perfeitamente sobrepostas no sítio onde brotava o sangue, indicavam que o homem havia sido apunhalado, mesmo por sobre uma dobra de camisa. Ali perto sobre um par de sapatos, viam-se as calças que deviam pertencer ao morto. No local a areia estava um pouco revolvida, notando-se os sinais dos pés nus dali para a água e vice-versa. O Sr. Fictício olhou para o Homem da Camisola Azul.
— Quando vinha para aqui, há poucos minutos, encontrei um homem que parecia levar muita pressa. Não me sobressaltei e vim devagar. Só quando cheguei junto do corpo, vi que tinha acontecido algo de anormal. Conhecem este homem? Nunca o tinha visto aqui na praia. Apenas um turista, decerto…
“Chegará isto para os intrujar? Parecem anjinhos… Este malvado nariz volta a doer-me! Foi ele que estragou tudo, Oxalá não volte a sangrar, senão…

As autoridades tinham tomado conta do caso. O Sr., Fictício, como de costume, colaborava, Tinha na mão um papel, encontrado nas calças do morto, onde as letras se agrupavam deste modo:

AMETPOSROOOLTESAUAAFUSR
ASQDFLRAASSEEDR

O doutor Hipócrates entrou naquele momento com uma informação:
— Como você previa, o sangue proveniente da ferida não é do mesmo tipo da mancha que ele tinha no ombro! Como raio é que você…
O Sr. Fictício já não o ouvia. Estava concentrado nos seus pensamentos e murmurou:
— Sei que ele é o assassino, mas como acusá-lo?

E o leitor, também sabe? É um exercício para o seu intelecto e aprendizagem de mais alguns pontos da arte criptográfica.